Henrique Fogaça, do Sal Gastronomia, foi eleito “chef revelação” pela Veja SP Comer & Beber.
É justo, justíssimo.
Ele conseguiu, num tempo rápido, dar toque pessoal às criações que serve e que sua equipe executa com precisão, mesmo quando ele não está presente.
Por isso, o Sal é hoje um dos melhores restaurantes de São Paulo. Daí ter recebido, inclusive, indicação de “melhor contemporâneo” na mesma eleição da Vejinha.
No entanto, gostaria que Raphael Despirite, do Marcel, tivesse levado o prêmio de chef revelação. Sem nenhum demérito para Fogaça. Até porque são estilos diferentes.
Despirite arrisca mais.
Seu menu degustação – talvez a melhor relação custo-benefício no gênero – circula por várias carnes, experimenta texturas e combinações, joga com as cores e os sabores. E tem muito sabor.
Vez ou outra, ele não empolga. Sua rabada com purê de batatas é correta, e no más. Mas, no geral, ele impressiona.
O cherne com creme de mandioquinha e espuma de cogumelo é um desses casos. A rã fritinha na emulsão de aspargos com aspargos em tira é outro.
E nem vou falar do pato no melaço ou do foie selado com uva ou jabuticaba, que são fabulosos.
Pela ousadia e pela criatividade, torcia por ele.
Foi justa a vitória de Fogaça, repito. Mas que Despirite merecia, merecia.