Arquivo para dezembro, 2009

Alho de Ouro

22/12/2009

Fim de ano, balanços.

Não vou instituir nenhuma premiação por aqui, nem direi quais são os melhores restaurantes de São Paulo. Há listas e gentes que fazem isso com maior competência.

Mas não resisto a dizer quais foram os restaurante em que melhor comi neste 2009 (em território nacional).

Não necessariamente os melhores, embora eu os ache muitíssimo bons.

E sim aqueles a que tive mais vontade de ir e a que fui mais vezes.

De saída, declaro que dois restaurantes são hors-concours: Fasano e D.O.M.. Bons demais, gosto demais deles, poderia almoçar e jantar lá diariamente. Só que vou menos a eles do que gostaria — e é fácil imaginar o motivo. De qualquer forma, cada um no seu estilo (e tenho que confessar: entre eles, prefiro o Fasano), são fundamentais.

Sem mais delongas e em ordem alfabética, o Alho de Ouro deste ano (epa, não era uma premiação!) vai para…

AK

Ici

Marcel

Sal

Tappo

Além disso, vale lembrar que em 2009:

- meu melhor jantar aconteceu no dia 21 de julho no Parigi (a comida foi muito boa, mas “melhor jantar” implica várias outras coisas, inclusive o momento…)

- os melhores almoços da categoria bom, barato, bem bacana e nada banal foram os do Sinhá

- o melhor prato dentre as centenas que provei foi o raviolini de pato com perfume de laranja, do Fasano.

- por mais absurdo que soe, a revelação do ano, para mim, foi o Pomodori. Claro que não é novo, mas renasceu mais barato e muito melhor.


Antes que comecem os protestos e as reclamações, as discordâncias sustentadas e as idiossincrasias, repito: são os que me deixaram mais feliz (assim mesmo: subjetivamente) em 2009.

Agora, Alhos, Passas e Maçãs viaja um pouco: durante janeiro come e bebe em outras latitudes; volta em fevereiro.

Um 2010 suculento para todos nós!


Tão longe, tão perto

19/12/2009

 

Para quem mora no centro, ir ao Mocotó é uma pequena viagem. Espécie de fim de semana na praia. Com duas vantagens: não tem areia e a comida é boa.

Fora isso, é tudo parecido. Você se programa com antecedência, fica com medo do tráfego, sai com folga para não se atrasar.

Na minha última visita, chamei toda a família: mãe, irmã, cunhado, sobrinhos, minha mulher, minha filha e eu.

Pegamos a estrada e lá fomos nós. Mas era um domingo de feriado, São Paulo estava na proporção gente/espaço correta e conseguimos chegar lá em 30 minutos. Um recorde.

Para ser mais preciso, chegamos um pouco antes das 11h30. Minha mulher desceu na porta e imediatamente deu o nome ao rapaz que organiza a fila: garantimos, assim, a pole position.

Enquanto isso, deixei o carro para lavar um quarteirão à frente, só para ganhar o direito de ostentar, no chão, por semanas (talvez meses) os papeis de um posto de Vila Medeiros e deixar perplexas as pessoas para quem desse carona: “É que prefiro lavar meu carro em Vila Medeiros”, respondo enigmaticamente a quem me pergunta.

Sentamos no banco de madeira, ouvimos o som altíssimo do carro parado de portas abertas no boteco ao lado e ficamos batendo papo. Até ensaiei, para vergonha de minha filha, uns passos de dança em plena calçada. Logo eu, que não dançava desde os 13 anos. Mas estávamos no Mocotó e valia a celebração.

Ao meio-dia em ponto foi dada a largada e pudemos — privilégio dos primeiros — escolher a mesa.

De saída, é óbvio, mocofava: espessa e com um bom tanto de lingüiça e toucinho. Reconfortante, mesmo no calor. Excelente também a tapioca com carne seca, requeijão cremoso e crocante de mandioquinha.

Na seqüência, carne seca na manteiga de garrafa, assada em baixa temperatura. Com bastante alho, pimenta biquinho e chips de mandioca. Tudo junto na boca porque só assim o sabor chega ao que deve ser. Deliciosa.

E o clássico atolado de bode, que todos sabemos que é feito com cabrito guisado, dourado no forno e acompanhado de mandioca, tomatinhos, cebolinha, azeitona e cheiro verde. O sabor do cabrito, no entanto, era tênue demais, abafado pelo tempero. O atolado de frango — concessão feita a alguns integrantes da mesa — trazia a mesma base do prato com cabrito, e a sobrecoxa da ave cozida no vinho tinto.

O melhor do almoço, porém, ainda estava por vir e chegou na forma de dois ótimos escondidinhos: o de carne seca com requeijão e queijo de coalho e, principalmente, o de queijo de cabra com purê de mandioca e mix de legumes preparados no azeite e com ervas.

Para acompanhar, a suculenta Colorado Indica, que mostra que cerveja, de vez em quando, vale a pena.

Evitamos sobremesas e, com elas, a congestão por excesso de comida mas, na saída, compramos uma rapadura para trazer para casa: de viagem convém trazer souvenir — se ele for gostoso, tanto melhor.

Pagamos a conta de 180 reais para sete pessoas e pegamos a estrada de volta. O trânsito ajudou e bastaram vinte minutos, outro recorde, para chegarmos em casa.

A viagem, no caso, foi a outro universo: geográfico, mas sobretudo de gostos, texturas e crocâncias. Viagem para lembrar que Rodrigo Oliveira é chef como poucos: sabido, talentoso, criativo e com muita técnica. Sobretudo, não tem aquela arrogância de cozinheiros que se supõem deuses e, para comprovar, resolvem reinventar os ingredientes.

Não, no Mocotó os ingredientes estão ali: explorados, testados, combinados, saborosos. Respeitados. E isso aproxima.


Mocotó

Avenida Nossa Senhora do Loreto, 1100, Vila Medeiros, SP

Tel.  11  2951 3056

Como chegar lá (Guia 4 Cantos): Mocotó


Marina, Marina

07/12/2009

 

Na Veja São Paulo de ontem, Arnaldo Lorençato escreveu sobre o Marina di Vietri. Merecidos elogios (leia a crítica aqui).

O Marina é das poucas boas cantinas da cidade (duas? Três?).

Seu spaghetti com vôngoles foi dos melhores pratos que provei durante as visitas para o Prêmio Paladar. E certamente a melhor relação custo-benefício do prêmio.

Demorei para conseguir comê-lo porque os moluscos chegam e saem rapidamente e a casa tem a boa política de não estocar além do que será logo consumido. Depois de várias tentativas fracassadas, liguei num sábado e perguntei se tinham. Sim, me disseram: o suficiente para três porções. Saí correndo. Peguei a segunda delas e a comi deliciosamente. Nenhuma conchinha sobreviveu

A insistência valeu a pena.

O lugar é simples, os garçons são atenciosos e simpáticos e, principalmente, a comida é muito, muito boa, feita com cuidado e ingredientes fresquíssimos. Esta, a prova dos nove.

Marina di Vietri

Rua Comendador Miguel Calfat 398, Vila Nova Conceição, SP

Tel.  11  3045 4589

Como chegar lá (Guia 4 Cantos): Marina di Vietri


Prêmio Paladar: todos os votos

05/12/2009

Agora, sim.

Os comentários dos jurados do Prêmio Paladar sobre todos os pratos provados estão no site. Os votos e os não-votos.

Inclusive as versões integrais dos textos, que foram editadas para que coubessem na revista.

Quem quiser dar uma olhada, clique aqui.

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