Em certos momentos, mais do que em outros, é preciso cuidar de si, olhar para dentro como se olha para fora, consultar, e talvez calibrar, o sismógrafo da vida.
Nessa semana, vivi um desses tempos — e não se preocupe, leitor: não entrarei em detalhes.
Importante, em tais horas, é se cercar de pequenos prazeres: garantia breve e incerta, mas sempre viva, que assegura alguma estabilidade enquanto tudo se revolve.
Isso inclui a escolha cuidadosa dos lugares onde se vai comer e beber, claro.
Não por acaso, só fui àqueles em que me sinto em casa, ou quase. Almocei no Ici, jantei no Marcel, tomei dois cafés da manhã na Julice, almocei no Zena, comi cannoli no Flavio Federico Dolci, almocei no AK Vila.
Por duas noites fui ao Astor e, numa delas, conversei horas a fio com pessoas que cada vez ficam mais queridas.
Em outra, conheci o bom Butcher’s Market, acompanhado deliciosamente por dois casais lindos.
Na penúltima noite da semana, jantei na Tappo, e esse jantar sintetizou tudo. Teve fígado, moela e mexilhões, teve pasta alla Norma e spaghetti com vongoli, teve panna cotta e vin santo Badia a Coltibuono. Teve o atendimento liderado pelo Fabio, que considero, há tempos, o melhor da cidade. Teve uma longa caminhada de volta para casa, com a vida na alma.
Hoje acordei feliz, sereno, olhei para o sismógrafo e, entre altos e baixos, estava tudo certo. Quis escrever esse texto.