Arquivos para 'arturito'Categoria

Mais doces

29/10/2009

*

Três bons doces do Arturito

O brioche com Cointreau talvez não vencesse uma disputa pelo melhor pain perdu ou similar da cidade, mas não faria feio. Ele traz açúcar queimado (ou “dourado”) por cima e vem acompanhado de um bom mascarpone e de pêssegos (deliciosos, diga-se de passagem) em conserva.

A mousse de chocolate Valrhona é suave e tem sabor intenso. Os biscoitinhos circulares que a acompanham (“shortbreads”) são delicados e levam uma pitada de Maldon. Muito bom, embora eu tenha que confessar que preferiria um chocolate um pouco mais amargo.

A pêra caramelizada de Amaretto é outro caso sério… Ela chega sobre saboroso creme de baunilha e massa circular crocante de sementes.

*

Simplicidade devia ser regra. Até porque ela costuma desembocar em bons resultados.

No cardápio do Zucco, me chamou atenção o cesto de massa doce com figos flambados no balsâmico. Pedi, claro.

A massa era inexpressiva, mas a grande decepção ficou por conta da desnecessária presença de creme e de sorvete no prato. Os sabores do figo e do balsâmico foram abafados e o doce ficou pesado.

Fizessem simplesmente uma cestinha de massa com figos flambados no balsâmico, como prometia o cardápio, e poderia dar numa ótima e suave sobremesa.

*

Dois ótimos doces do Così

O tiramisù de frutas vermelhas já é um clássico do cardápio, mas o queijo agora está mais balanceado, combinando com as muitas e variadas frutas, sem se impor a elas.

E o “pêssego afogado” vem inteiro e com a boa doçura natural da fruta. Chega mergulhado na calda de vinho branco e acompanhado de sorvete de manjericão. Muito, muito bom.

Maioridade

14/08/2009

Você gostaria de começar num emprego novo e dois ou três dias depois ser categórica e definitivamente avaliado por seu desempenho? Eu, não.

Isso vale também para restaurantes. Por mais que seja convidativo visitar e avaliar uma casa nos seus primeiros dias ou meses de funcionamento, fico sempre com a sensação de injustiça. Respeito quem acha que se o restaurante saiu na chuva é para se queimar, mas não desejo mandar ninguém para a fogueira.

Por isso raramente comento uma visita a restaurante antes que ele atinja sua, digamos, velocidade de cruzeiro. Isso pode acontecer em dois ou três meses. Em seis, conforme o caso. Passou disso e não deu certo, a coisa é mesmo feia e toda reclamação é válida.

Antes disso, vou, penso, considero. E fecho o bico.

Fui ao Arturito logo no início. Detestei.

Não a comida – porque ninguém pode desconsiderar o talento e a dedicação de Paola Carosella, das melhoras chefs hoje em São Paulo. Mas todo o resto. O ambiente, a obscuridade, a música, certa afetação no serviço.

Engavetei minhas opiniões e deixei o tempo passar. Aqui e ali acompanhei notícias e opiniões sobre o restaurante. Até que chegou a hora de voltar.

Por precaução, aproveitei um dia em que minha filha tinha uma festa e fui só com minha mulher.

Na entrada, as primeiras boas notícias: mais luz e menos som. O barulho aumentou inevitavelmente quando a casa encheu (perto das 21h), mas o tum-tum do som não deu o ar da graça.

Após o couvert agradável, cujo ponto alto é o azeite com parmesão e alecrim, pedimos o magret de pato curado. Preparado na casa (como os embutidos), é acompanhado de radicchio, avelãs, redução de Porto, mel e balsâmico. A garçonete orientou que passássemos uma camada de manteiga na torrada e nela colocássemos o peito do pato com a verdura. O resultado foi excelente. Mas poderia comer o peito curado sozinho. Quilos, horas a fio.

Como pratos principais, pedi um dos clássicos locais: ojo de bife maturado e assado no forno a lenha. Veio na forma adequada, bem assado no exterior e com o interior avermelhado, suculento, mostrando que forno a lenha não é para principiantes, mas quem sabe usá-lo – e Carosella já provou, faz tempo, que sabe – consegue resultados incríveis. A batata “Asterix”, amassada e gratinada, acompanhava bem a carne.

Minha mulher preferiu o camarão rosa grande, muito bonito e acompanhado de “riso pastina”, um quase-risoto bem puxado no limão siciliano, com mascarpone e rúcula. Camarões no ponto (ou seja, bem menos cozidos do que a maioria dos restaurantes os serve), saborosos e suculentos. E delicioso o riso pastina.

Na sobremesa, dividimos uma porção imensa das melhores profiteroles já provadas em São Paulo. O Nespresso fechou bem a refeição.

Conta final de 330, que incluiu águas, um decanter de 375 ml de um crianza (cujo nome, vejam o absurdo, não anotei) e o deslize de aplicar o custo do serviço sobre o preço do estacionamento.

O serviço atencioso mostrou que também nesse campo houve ajustes. O público se diversificou, incluiu pessoas de várias idades, que passaram a dividir o espaço democraticamente com os comensais bem modernos.

Saímos de lá felizes. Arturito, diminutivo do nome da rua, chegou à maioridade. E Paola Carosella continua ótima.

Arturito

Rua Arthur de Azevedo, 542, Pinheiros, SP

Tel.  11  3063 4951

Como chegar lá (Guia 4 Cantos): Arturito