Melhores da Gula

18/10/2008

A Revista Gula divulgou, na edição de outubro, sua lista dos “melhores do ano”.

O “chef do ano” foi Tsuyoshi Murakami, do Kinoshita. A Veja SP já o tinha escolhido.

Merecido, embora deixe a impressão de que a escolha teve a intenção de evitar a repetição dos três nomes óbvios e exaustivamente premiados (Atala, Loi, Jun). Murakami é ótimo, claro, mas não foi superior, em 2008, aos três.

Bananeira, um bom restaurante, venceu na categoria de “comida brasileira”, deixando para trás o melhor Brasil a gosto e o muito melhor Tordesilhas.

Le Coq Hardy ganhou entre os franceses, seguido pelo Ici e pelo Chef Rouge. Os três são excelentes e equivalentes, mas os preços do Coq Hardy são muito (muito) superiores aos praticados no Ici e no Chef Rouge. Vale considerar a relação custo-benefício.

O Antiquarius venceu como restaurante português. Bem… O Antiquarius, para mim, é um mistério. Nunca comi bem lá. Nunca. Nem no do Rio, que tem, pelo menos, um serviço mais atento e menos pedante. A Bela Sintra, nosso melhor (único?) português, ficou em segundo.

Don Curro repetiu o prêmio da Vejinha e deixou o Toro em segundo, entre os espanhóis.

Outro espanhol, o Eñe (colocado, pelos critérios da Gula, na categoria “contemporâneos”) foi vice junto com o irregular Emiliano. Nesta categoria ganhou o D.O.M.. Inquestionável. Uma pena que o ótimo Sal Gastronomia não apareça na lista dos melhores.

Também incontestável é o Fasano como primeiro em “alta gastronomia italiana”. Incompreensível, no caso, é o bom La Vecchia Cucina em segundo lugar. La Vecchia Cucina é alta gastronomia?

O Due Cuochi foi o melhor italiano. Outro prêmio merecido. Impossível é explicar como o Aguzzo ficou em segundo lugar. Nem vale a pena tentar entender. O ótimo Piselli ficou em terceiro e o Picchi foi ignorado.

O Pasquale (ai, meu Deus) foi vice entre as “cantinas”. Este é outro fenômeno incompreensível. Na frente dele, o clássico Jardim de Napoli e o muito bom e honestíssimo La Pasta Gialla.

O Porto Rubayat recebeu seu devido prêmio pelos “peixes”. Estranho foi o Rufino’s ficar em segundo, à frente do superior Amadeus.

Ou seja, concordâncias, discordâncias. Afinal, prêmios – todos – são idiossincráticos. Prefiro a lista da Veja SP, mas sou suspeito, no caso.

A maior idiossincrasia do prêmio de Gula, porém, está na lista de hors-concours, chamada de “Campeões dos campeões”. Lá estão os que receberam o prêmio três vezes consecutivas e, por isso, saíram do páreo.

O problema é que nada impede que essas casas decaiam ou se paralisem. O exemplo, no caso, é a Douce France, de Fabrice Le Nud. De fato, seu sorbet de chocolate amargo não tem igual.

Mas a casa declinou acirradamente de um ano para cá. Nem sempre os doces estão frescos, a brigada varia muito, o gerente (da Jaú) reclama da brigada o tempo todo e ignora as reclamações dos clientes.

A Douce France ainda tem coisas boas, mas está muito abaixo do que foi. Não é “campeão dos campeões”. Torço para que volte a ser. Vi a doceria nascer e vou lá quase semanalmente. Poucos desejariam esse renascimento tanto quanto eu.

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