bandeiriana

12/11/2008

“Uns tomam éter, outros cocaína.

Eu já tomei tristeza, hoje tomo alegria.”

Há certos dias em que penso nesses versos de Manuel Bandeira, de “Não sei dançar”, e quero fazer uma paródia, sem mudar o sentido:

“Uns tomam éter, outros cocaína.

Eu já tomei tristeza, hoje tomo manzanilla.”

Todo mundo já teve momentos de tristeza e ela de fato bate, às vezes inesperadamente.

Ou nem tão inesperadamente, quando o corpo está moído, depois de horas à frente do computador.

Ou a cabeça exaurida, quase vazia, e não consegue nem ler, após quatro horas numa sala de aula.

Ou, sobretudo, tudo isso junto, num final de ano, quando o cansaço já se acumulou tanto que parece não haver saída.

Por isso, a manzanilla. Esse jerez de palomino fino, que está sempre na porta da minha geladeira e não pode faltar.

Porque a tristeza de fato bate. E não quero que ninguém tome éter, nem cocaína. Melhor a suavidade da manzanilla, que quase rima com alegria. Se possível a La Gitana, das Bodegas Hidalgo. Se for outra, também é bom.

Afinal, manzanilla (graças a Deus!) não tem gosto de festa, mas é melhor e mal não faz. Tem gosto de descanso e de alegria.

Acompanhada de um livro, então, nem se fala: é recuperação rápida na certa. Pode ser um Bandeira mesmo, para reforçar os versos.

Mas acho que a harmonização perfeita da manzanilla é com Louise Glück. Sei lá por quê. Devo ter pegado a mania de associar uma coisa com a outra.

Em todo caso, tente. E verá.

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