Almoço de domingo

24/11/2008

Domingo: minha mãe liga e nos convida para irmos com ela ao Dona Lucinha.

Ela adora torresmos, apesar da contra-indicação médica; por isso, a escolha.

Vamos lá.

Dona Lucinha é um restaurante honesto. Bufê variado de pratos quentes, acompanhado de saladas e de sobremesas, a 40 e poucos reais por pessoa. Se preferir algum prato do cardápio, o preço é um pouco mais alto.

Éramos seis pessoas na mesa e só uma preferiu escolher do cardápio: um frango com ora-pro-nobis. Os demais, bufê.

A primeira decepção é com as saladas oferecidas. Poucas e nada bonitas, principalmente as folhas. Depois, observei o movimento dos comensais e entendi a razão: pouquíssimos se preocupam com os verdes. A maioria – do mesmo jeito que minha mãe – vai direto para os quentes.

No bufê dos quentes, dois setores. Um deles estava cheio; fui para o outro. Provei pequenas porções de quase tudo. O que havia de melhor? Moela, quiabo, jiló e abóbora. Corretos. O jiló, descascado, tinha bom amargor. A moela, naturalmente meio rija, era saborosa.

Aproveitei rápidas brechas no outro (e concorrido) setor e fui até lá para provar os pratos principais. Nada empolgante. A carne seca com abóbora, um clássico, estava inexpressiva. O lombo, carregadíssimo de molho, vinha meio sem sabor. O feijão tropeiro, idem. E idem, a farofa e o tutu. E quase tudo.

Não resisti e pedi a meu cunhado para provar o frango com ora-pro-nobis. Ele, claro, deixou. Nova decepção: sem gosto o frango, sem gosto a erva. O molho cobria tudo, igualando.

Daí descobri o problema. Todos os pratos eram parecidos. As frituras, bem sequinhas, tinham o sabor igualado pelo óleo utilizado. Os pratos quentes, pelos mesmos temperos.

A sobremesa não melhorou o cenário. Os doces eram carregados de açúcar – como é comum na culinária mineira – e ficavam muito parecidos na feição e na pouca expressão da fruta.

Repito: tudo honesto e bem preparado, na lógica da cozinha. Mas sem graça.

Talvez a opinião seja só minha. Afinal, a clientela se fartava em sucessivos pratos, bem carregados. Para esse público, de muitas famílias e muitas senhoras, o restaurante tinha graça.

E minha mãe se fartou de torresmos. Saiu de lá feliz. Essa, a prova dos nove. Ela que trate, agora, de se justificar com o médico.

Dona Lucinha

Avenida Chibarás, 399, Moema, SP

tel. (11) 5051 2050

Como chegar lá (Guia 4 Cantos): Dona Lucinha

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