Le petit Daniel

12/02/2009

 

Daniel Boulud tem, se não me engano, nove restaurantes. Quatro deles estão em Nova York. Os outros, em Vancouver, Pequim, Las Vegas e Palm Beach.

No dia 21 de janeiro desse ano, Frank Bruni, crítico de gastronomia do New York Times, atribuiu quatro estrelas ao principal deles, o Daniel de Nova York. A resenha era gloriosa. Falava de precisão, intensidade, inventividade, acolhimento.

Foi a segunda vez que o Daniel recebeu a cotação máxima do NYT. Na história do jornal, só outros dois restaurantes conseguiram as quatro estrelas mais de uma vez (o Jean Georges, que também foi duplamente quatro-estrelado, e o Le Bernardin, triplamente quatro-estrelado).

No mesmo 21 de janeiro, coincidentemente, estive em outro restaurante novaiorquino de Boulud: o db Bistro Moderne.

A proposta do db, claro, é outra. Não tem o luxo, a sofisticação e a formalidade do Daniel. E se propõe a servir a qualidade da casa principal.

Seguimos o menu da New York Restaurante Week (entrada, principal e sobremesa pro US$ 24,07, fora as taxas e a gorjeta).

De entrada, minha mulher e eu escolhemos um pot au feu; minha filha preferiu a torta Oliviers alsaciana de queijo branco flambado com bacon e cebolas.

Soa um pouquinho absurdo dizer que o pot au feu, apesar de saboroso, estava meio inexpressivo e menos espesso do que seria desejável.

Afinal, é um restaurante francês. É um bistrô. É o Daniel Boulud, ora! Tem que estar muito bom e na consistência exata.

Mas não estava.

A torta alsaciana de minha filha, em compensação, era ótima. Nem consideramos o fato de que não foi flambada à nossa vista.

Na hora do prato principal, optamos pelos grelhados do mar com trofie. A massa da Liguria e, entre os peixes, o tamboril foi o destaque. Salmão e camarões cumpriam, sem estardalhaço, sua função. Bom, enfim.

De sobremesa, uma pannacota de coco com calda de abacaxi e sorvete de limão estava correta. O trio de chocolates (sorvete, bolo e torta) ostentava a qualidade do chocolate (ao leite).

Nada de vinho. A carta era cara. Águas, o habitual suco de cranberry da minha filha e a gorjetinha de 20% fecharam a conta de 130 dólares.

O atendimento era simpático desde a porta até a mesa, embora tenhamos sido esquecidos na saída, após recebermos os casacos de volta.

Tudo bom? Tudo bom. Mas nada empolgante. Em bom português, pas trop. Tudo correto, tudo burocrático.

Claro que o Daniel deve ser diferente – e muito mais caro. Claro que deve superar bastante seu irmão-bistrô. Claro que deve merecer as quatro estrelas que Frank Bruni lhe atribuiu.

Mas, sem a precisão, a intensidade, a inventividade e o acolhimento do Grand Daniel, o db Bistro Moderne decepcionou. Decepcionou mesmo.

db Bistro Moderne

http://www.danielnyc.com/dbbistro.html

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