SPRW, passado e presente

08/03/2009

 

As escolhas que fazemos diante de tantas opções da SPRW podem ser curiosas.

No início, tinha a intenção de ir a restaurantes a que habitualmente vou pouco, a que fui uma vez ou outra.

Era uma chance de tirar dúvidas ou melhorar a imagem que tinha deles, a baixo custo.

No entanto, cardápios inexpressivos ou dificuldades de horário me fizeram procurar alguns mais conhecidos.

Em parte por isso fui parar no Tordesilhas.

O Tordesilhas está na história da minha vida, e isso faz tempo.

Por algum motivo, ainda me lembro de um distante ano, lá na passagem dos 80 para os 90.

Eu morava sozinho e, aos domingos, saía para almoçar com meus pais.

Um dia, eles me falaram de um restaurante que havia aberto pertinho de casa. Eram uma mãe e uma filha que cozinhavam e serviam comida regional brasileira.

Ficava numa rua sem saída, embaixo de um flat, a dez ou vinte metros do prédio em que moravam duas tias velhinhas de meu pai.

Resolvemos experimentar. E foi ótimo.

O lugar era acanhado, mas simpático. O atendimento, gentil. A comida, incrível.

Ainda não tínhamos, em São Paulo, um restaurante de comida regional que não servisse uma comida exagerada nos temperos e na quantidade. Ou, pelo menos, eu não conhecia.

Meu pai, que foi um cozinheiro bissexto e extraordinário, saiu de lá espantado. Ele, que comia pouquíssimo e raramente doces, quase pediu para repetir o sorvete de cupuaçu com calda de banana.

Aliás, salvo engano, foi a primeira vez na vida que provei cupuaçu – o início de uma paixão.

Depois disso, voltamos várias vezes. O Tordesilhas se tornou nosso restaurante preferido para os almoços de domingo.

Passou o tempo, meu pai ficou doente, deixou de sair de casa e, há sete anos, morreu.

Minha mãe hoje sai pouco, mas de vez em quando vai conosco a algum restaurante e, há uns seis meses, a levamos ao Tordesilhas.

Só que o flat da rua Ouro Branco ficou para trás, trocado por uma casa charmosa na Bela Cintra.

Mara Salles ficou famosa e se tornou referência para a reinvenção da gastronomia brasileira.

O sucesso por que torcemos há quase vinte anos se consumou, com todo o mérito possível e imaginável.

E ontem à noite comemos de novo a boa comida do Tordesilhas, quem diria?, em plena SPRW.

Bolinhos de pernil na calda de tucupi, frango no molho de jabuticaba com purê de mandioquinha e ervilha torta, picadinho na ponta da faca com arroz, feijão, banana-da-terra, farofa e ovo-pochê, temperado à mesa com pimenta-bode. De sobremesa, pudim de tapioca com baba de moça.

Comentar a comida depois desse retorno ao passado é difícil.

Digo apenas que estava tudo bom e que o bolinho de pernil foi o melhor da noite.

Embora o sabor do frango estivesse parcialmente encoberto pelo molho de jabuticaba e o pudim de tapioca, doce demais. Embora tenham nos alojado, com uma desculpa esfarrapada, numa mesa para dois (éramos três), e depois acomodado outros trios em mesas para quatro.

Tudo estava bom e bem preparado, em respeito ao cliente da SPRW.

E, sem que soubessem, em respeito ao passado de clientes que acompanham a vida de um restaurante.

Acho que também por isso fui parar no Tordesilhas.

Tordesilhas

Rua Bela Cintra, 465, Consolação, SP

tel.  11  3107 7444

Como chegar lá (Guia 4 Cantos): Tordesilhas

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2 Respostas to “SPRW, passado e presente”

  1. Carola Says:

    Nossa, quase fui ontem no Tordesilhas, porem achei o cardápio um pouco pesado para as 22 hr.
    Hoje fomos na Adega Santiago, como sempre estava tudo maravilhoso, experimentei um pouco de cada prato, polvo, paella, carne e bacalhau, até a sardinha, todos feitos na perfeiçao!
    Adoro voltar nos restaurante que não me decepcionam(sem surpresas), como o Adega, sempre tem comida e atendimento excelente!

  2. alhos Says:

    Carola
    puxa, podíamos ter encontrado.
    Se bem que, às 22, já tinha ido embora há tempos. Vou muito cedo aos restaurantes.
    De fato, a opção picadinho é pesada. Inevitável. Mas o frango é mais leve.
    Fui duas ou três vezes à Adega Santiago e gostei de lá, embora não tenha me empolgado.
    Voltarei.
    Beijos!


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