Na boca da Loba

12/03/2009

 

Mario Batalli tem um monte de restaurantes, espalhados por meia-dúzia de cidades.

Em Nova York, o mais famosos deles é o Babbo, caro e famoso, que chegou a ganhar quatro estrelas da Ruth Reichl em 98.

Mas não fomos lá. Fomos jantar no Lupa, a “trattoria dos sonhos” – segundo Gael Greene. Comida romana tradicional, bem executada.

Casa relativamente pequena, com decoração que evoca, de maneira elegante, a Itália. Não, nada de camisa pendurada no teto ou cacho de garrafas vazias. Nem latão em profusão.

O menu da Restaurant Week só funcionava para o almoço; então, recorremos ao cardápio regular.

O primeiro garçom era um tanto blasé. Felizmente, se mandou e foi substituído por uma moça atenciosa e simpática. Garçom blasé – espécie que prolifera aqui em São Paulo – é dose.

Não pedimos entrada – para desespero de minha filha, que viu chegar uma porção linda de prosciutto crudo à mesa ao lado, justamente quando nossos pratos estavam para vir.

Ela esticou os olhos, quase os braços. Por pouco não caiu da cadeira e escorregou na saliva farta que lhe escorria pelos cantos da boca.

Minha mulher comeu uma perca com lentilhas e espinafre. A potência da cozinha italiana com a precisão da execução.

Preferi uma rabada com polenta, salsão e passas. O salsão, crocante. A polenta, com queijo, era leve e saborosa. A carne conciliava delicadeza com consistência e sabor intenso. Das melhores.

Minha filha, após a decepção do prosciutto não-pedido, teve que se conformar com o spaghetti no molho de tomate sugerido pela garçonete. Se conformou?

Não. O molho era um pouco picante e ela não tolerou.

Trocamos de prato. Ela comeu até o fim a rabada, sob o olhar espantado da garçonete, que a parabenizou pelo paladar.

Obrigado. Só que eu fiquei com o spaghetti… Bom? Claro. Saboroso e obviamente no ponto exato. Mas não era um oxtail…  O que não se faz por uma filha?

O bom sorvete de tangerina da sobremesa perdia apenas para os cantuccini com vinsanto. Excelentes.

Para acompanhar a refeição um Salice Salentino (um toque sulista sempre cai bem) típico e intenso.

Conta? 150 dólares, incluído o suco de cranberry , as taxas e a gorjetinha de 20%.

O jantar valeu cada um deles.

Pena, apenas, que não nos deixaram levar o estoque restante de vinsanto, cantuccini e oxtail… E uma porção tamanho orca do prosciutto que nem provamos, mas que devia estar ótimo.

Lupa

http://www.luparestaurant.com/restaurant.html

2 Respostas to “Na boca da Loba”

  1. Nina Says:

    fiquei um pouco decepcionada com a qualidade das panelas com a assinatura do Batalli que chegaram ao Brasil…com rebarbas…

  2. alhos Says:

    Nina,
    tudo bem?
    Não conheço as panelas de Batalli.
    E, a bem da verdade, nem a comida dele. Porque, provavelmente, ele não cozinha mais em seus restaurantes – e se cozinhar é no Babbo, não no Lupa.
    De qualquer forma, quando um chef vira panela (ou talher ou pano de prato) em geral é porque a cozinha já virou apenas um retrato na parede.
    Coisas de um tempo de chefs-celebridade.
    Mudando de assunto: não conhecia seu blog. Vi agora e gostei. Parabéns!
    Abraços!


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