No segundo dia

22/03/2009

 

Um restaurante que acaba de abrir tem que ser avaliado com muita cautela.

Afinal, muita coisa tem que ser colocada no prumo antes de vermos se ele vale ou não a pena, se tem futuro e razão de existir, ou não.

Apesar de sabermos de tudo isso, não resistimos.

Tínhamos acompanhado a reforma da casa que fica a uns trinta metros da entrada do nosso prédio e estávamos curiosos para saber do que se tratava.

Achávamos que seria um bar. Ontem, quando finalmente o vimos em funcionamento, percebemos que era um restaurante.

E hoje fomos lá. Segundo dia de funcionamento.

Não sabíamos o nome, a proposta, nada. Entramos, sentamos, olhamos o cardápio improvisado e só depois perguntamos como a casa se chamava.

Bola Preta, contou um garçom.

O nome meio estranho alude, nos explicou a gerente Rose, a um bloco de carnaval carioca.

Mas o cardápio, felizmente, não é carnavalesco. Prevalece um tom português, com vários pratos à base de bacalhau. O chef passou pelo Supremo e pela Casa Europa, de onde também veio o dono.

Pedimos bolinhos de bacalhau de entrada (3 reais cada) e, como principais, arroz de polvo (28 reais) e robalo no molho de limão (38 reais).

O garçom, após algumas conversas com um colega, voltou à mesa para explicar que o robalo vinha sem acompanhamentos. Parece que o Dalva & Dito está fazendo escola.

Então acrescentei ao pedido uma porção de legumes grelhados (mais 8 reais).

O vinho pedido, um italiano do Veneto (sem especificação de produtor na carta improvisada), não foi encontrado. Ficamos com um Alamos Chardonnay, em meio à lista composta basicamente de rótulos da Mistral e que tem um sobrepreço de cerca de 70%.

Os bolinhos eram gostosos e bem preparados, embora fossem bem pequenos e o gosto do óleo estivesse mais presente do que o desejável. Um ajuste que não deve demorar para ser feito.

Os pratos principais demoraram. Muito. Muito mesmo. Cerca de uma hora, até que perguntássemos o que estava acontecendo e soubéssemos que um erro do serviço fizera com que fossem servidos para outra mesa.

Restava esperar mais. Esperamos e, para tanto, recebemos (finalmente) os pães e azeite que havíamos visto nas outras mesas.

Quando vieram, estavam, no geral, bons. O polvo, muito macio e saboroso. O arroz era parco e muito úmido (sobrando muito caldo no fundo do prato). O tomate prevalecia na base.

O robalo (na chapa, e não na grelha como informava o cardápio) chegou no ponto exato: macio, tostado por fora e quase cru por dentro. Algo raro em São Paulo. Os legumes que o acompanhavam eram gostosos – principalmente a berinjela. Mas faltava o molho de limão que o cardápio prometia. Nem sinal dele.

Entre as sobremesas, preferimos o pudim de leite (correto e pouco doce, mas um tanto inexpressivo) e o petit gâteau com sorvete (gostoso, com sorvete sem graça).

No final, uma conta de 209 reais (três águas, além das comidas e do vinho).

Balanço geral? Alguns (e previsíveis) problemas. O serviço está mal informado do cardápio e bastante confuso. O pão do couvert, comprado na padaria que fica a um quarteirão do restaurante, é o pior da região. A cozinha cometeu um erro bobo ao não colocar o molho de limão no peixe – afinal, a única coisa que o acompanhava era exatamente o molho. E não tem sentido cobrar 38 reais por um prato que, na prática, é uma posta pequena de robalo levada à chapa com um pouco de sal. Por esse valor, o acompanhamento devia estar, obrigatoriamente, incluído.

O tamanho das porções, aliás, merece atenção. Elas são pequenas – menores do que as de casas que cobram o mesmo preço (ou menos) e oferecem a mesma (ou melhor) qualidade. Isso faz com que o preço final fique mais alto do que deveria.

Mas vale lembrar: hoje é apenas o segundo dia de funcionamento da casa.

O serviço certamente será afinado. O risco de erros – principalmente os que enfrentamos hoje – tende a diminuir e a cozinha provou que sabe executar.

Se o Bola Preta ajustar seu padrão de preço, então, poderá pegar. Tomara.

Assim nós teremos um bom restaurante a menos de 30 metros de casa. Uau!

Bola Preta

Na esquina da Rua José Maria Lisboa com a Alameda Campinas

Jardim Paulista, SP

12 Respostas to “No segundo dia”


  1. Bola Preta??? Isso é ironia sua ou do dono do restaurante?

  2. alhos Says:

    Pois é, Demian, o nome é esquisito mesmo.
    Quando a moça nos contou ficamos um pouco espantados e ela se apressou em esclarecer.
    Parece que tentaram outros (a começar por José Maria, o nome da rua), mas não puderam usá-los.
    Quanto ao Bola Preta, ela falou que foi inspirado num bloco de carnaval do Rio.
    Ela também nos falou que eles têm uma certa expectativa de que nome vai pegar: Bola Preta, Bola ou Preta.
    Aguardemos.
    Abraços!

  3. Ricardo Reno Says:

    Tomara o nome não fique mais famoso que a comida.

    Abraço

  4. alhos Says:

    Ricardo,
    tomara mesmo.
    E acho que a comida pode prevalecer, se considerarmos que nenhum dos problemas que enxergamos é muito difícil de resolver e, até hoje, a casa só funcionou dois dias.
    Abraços!

  5. Julinho Says:

    Pelo menos escolheram um bloco com nome legal.
    Já pensou se escolhessem “Suvaco de Cristo” ou “Filhas de Chico”?
    Um abraço!

  6. alhos Says:

    É verdade, Julinho!
    Abraços!

  7. Lourdes Ferreira Says:

    Moro na J. Eugenio de Lima e depois de 8 meses da inauguração fui conhecer o Bola Preta. Com os 2 pés atrás, claro.
    O couvert é bem gostoso; o pão, que já tinha sido muito criticado, finalmente foi trocado por outro, italiano e de ótima qualidade.
    Pedimos de entrada o que, para mim, foi o destaque da noite: panelinha de vieiras.
    Fomos ao prato principal. Na dúvida, é sempre melhor optar pelo carro-chefe: arroz de polvo. Demorou um pouco a chegar, o serviço ainda tem o que melhorar. Mas a escolha foi certa. Estava fantástico. Meu namorado pediu um galeto com polenta que estava também muito gostoso. Os preços dos vinhos são justos.
    Para finalizar, a sobremesa: taça cítrica. Uma mistura de frutas (cítricas, claro) com sorvete. Pouco doce, muito saborosa.
    Gastamos R$140,00, com vinho. Excelente custo-benefício.

  8. alhos Says:

    Lourdes,
    tudo bem?
    Boas novas, então.
    Nas três vezes em que fui, saí achando que a relação custo-benefício não era boa. Paguei mais do que isso por almoços apenas razoáveis e sem vinho.
    Ótimo saber que melhorou. Voltarei.
    Abraços!

  9. Pedro Batista Says:

    depois de alguns comentários sobre a qualidade dos serviços, resolvi experimentar.
    Comentários:
    -Serviço TOTALMENTE europeu, qualidade boa, serviço atencioso, pouca quantidade e preço alto.
    – decepção total, ao sair, dei o ticket ao serviço de vallet, não sei por qual razão, pois ao me virar, meu carro estava estacionado a 10 metros, na zona azul, sem cartão de estacionamento, paguei R$ 10,00 para o vallet estacionar quase na porta do Bola Preta. Cartão preto…. NUNCA NAIS….

  10. alhos Says:

    Pedro,
    tudo bem?
    Coloquei um comentário outro dia sobre manobristas.
    Teoricamente eles não pertence à casa (são tercerizados, etc.). Mas, na prática, a casa é responsável por eles. E sua má atuação respinga na imagem do restaurante.
    Abraços!

  11. Luis Says:

    Alhos,
    Vc conhece este chef Gustavo Rozzino ?
    Como houve mudança, vou ter que visitar o Bola Preta novamente e vamos ver se dou sorte, depois do caso da Fraldinha !
    Espero que tenham contratado um barista para tirar um bom café !
    Quando vai ser o café Nespresso ?
    Abs

  12. alhos Says:

    Luis,
    tudo bem?
    Soube dele apenas pela resenha do Américo.
    Vou esperar um pouco para voltar…
    Café, todo dia!
    Abraços!


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