AK

29/03/2009

 

Eu queria ser judeu.

Talvez seja influência de Borges, autor que mais leio e que passou a vida – afirmou mais de uma vez – buscando a ascendência judaica que seu sobrenome português podia oferecer.

Talvez seja pelo gosto de autores judeus – Philip Roth à frente – que esmiúçam um universo confuso de relações comunitárias e a percepção do mundo própria de uma cultura cujos contornos geográficos se dissolveram aos poucos.

Cultura que pôde – apesar disso ou exatamente por isso – estabelecer um diálogo incomum entre tradição e renovação. Que se mantém em parte fixada nas origens para entender a complexidade do mundo e, em parte, busca novos itinerários e percebe as mudanças constantes de que toda tradição depende, nesses tempos de modernidade, para sobreviver.

O fato é que – não importa o motivo – eu queria ser judeu.

Passei anos lendo literatura judaica. Desde catataus, como O físico, até os volteios narrativos de Amós Oz. Das incomparáveis construções de personagens de Bernard Malamud ao mundo de relações pessoais carcomidas dos textos de Isaac Bashevis Singer. Dos policiais de Harry Kemelman a histórias do povo judeu.

Enfim, tudo que me passou ou passa por perto.

Numa das mais emocionantes viagens que já fiz, quase quinze anos atrás, conheci o gueto judeu de Praga e visitei a sinagoga, cuja imagem ainda está na minha retina – pela força, pela dor, pela disposição de persistência.

Mas a questão nunca foi religiosa. Nunca é. É cultural.

É a busca de uma expressão que, no senso comum de um goy, parece homogênea, mas não é. É diversa, plural, multifacetada.

Por isso sua literatura é tão intensa. Por isso sua comida é tão incrível.

E durante anos comi essa comida, preparada maravilhosamente pela Cecilia, no Bom Retiro e em Higienópolis.

Íamos sempre à casa da rua Tinhorão, que ainda hoje, quando visitamos o restaurante que ocupa o mesmo imóvel, ativa lembranças. Cecilia se espantava com a capacidade de minha filha devorar, sozinha e aos cinco anos, um arenque inteiro de entrada. Ela chamava Lia pelo diminutivo, a convidava para subir à cozinha e lhe dava raspas de chocolate do ótimo bolo que fazia.

Quando o restaurante fechou, Cecilia nos ligou e deixou um recado triste na secretária eletrônica. Depois, ainda conversamos por telefone e ela nos preparou a melhor ceia de Natal que já fizemos. No próximo Natal, a procuraremos de novo, claro.

Contradição religiosa? Não. É gastronomia.

Por tudo isso, para nós é tão atraente e tão difícil entrar num restaurante judaico. Nunca vai ser como era, claro. As coisas mudam – assim é a vida.

E talvez por isso, embora gostássemos, nunca nos empolgamos com o AK Delicatessen.

Sempre faltava alguma coisa. O serviço era um pouco desatento? O preparo derrapou aqui e ali? Tudo parecia mais significativo do que suporíamos numa outra casa. Era um bom restaurante? Claro, Andrea Kaufmann é muito talentosa. Mas não era o Cecilia… Não era aquele mundo exato que eu via nos livros e a que eu queria pertencer.

Ontem voltamos ao AK.

Comemos o couvert, que é sempre ótimo, com seu patê de fígado, o pepino e a salada de ovos, tudo acompanhado de pães caseiros frescos e crocantes.

Queria comer o magret na calda de cereja com mandioquinha e arroz negro, mas ele tinha saído do cardápio. O stinco de cordeiro, que em visita anterior decepcionou um pouco, também.

Pedimos, então, o medalhão de filé enrolado em pastrami sobre mix de cogumelos e batata fininha frita. Fabuloso. Os cogumelos vieram saborosos, plurais como a cultura que Andrea representa. A carne, saborosa e macia.

E pedimos as vareniques de mandioquinha, preparadas em manteiga noisette e acompanhadas de macadâmia. É a única varenique que, na minha imaginação, se equipara à da Cecilia. Precisa dizer mais? É perfeita.

Para a sobremesa, minha filha manteve a tradição de comer o sorvete, feito na casa, de frutas vermelhas. Minha mulher preferiu o brownie. Ambos deliciosos. Mas eu me saí melhor, com o pain perdu, muito bem montado num potinho e recheado de frutas. Doce, bem doce, mas maravilhoso.

Fechamos com um Nespresso ristretto (bem) tirado curto, e saímos felizes.

Nunca havíamos comido tão bem no AK.

Será que foi sorte? Acaso? Será que o restaurante ajustou melhor seu funcionamento?

Será que as coisas mudaram de fato? Ou eu é que percebi que ia a um restaurante pensando em outro?

Porque nenhuma objetividade analítica consegue ultrapassar nossos pequenos gestos inconscientes que, tantas vezes, se impõem aos olhos, ao tato. Ao paladar.

Não, nunca serei judeu – embora continue querendo.

Sim, continuarei a ler literatura judaica.

Sim, continuarei a lembrar com uma saudade incrível do Cecilia e, se algum dia, ela reabrir seu restaurante, estarei lá para a inauguração, e muitas vezes depois.

Sim, Andrea Kaufmann é uma chef muito talentosa e compreende o contraste entre tradição e renovação que talvez componha a tradição judaica melhor do que qualquer outra.

Sim, voltarei mais vezes ao AK.

AK Delicatessen

Rua Mato Grosso, 450, Higienópolis, SP

tel.  55  11  3231 4497

Como chegar lá (Guia 4 Cantos): AK Delicatessen

23 Respostas to “AK”

  1. Talitha Says:

    Andrea é uma moça adorável, inteligente e muito competente. Vejo esse casamento da tradição como a modernidade como seu maior mérito.
    Sou apaixonada pelo bolo de chocolate do AK, e pelo arenque marinado em azeite, e pelo pastrami…
    Eu também sempre quis ser judia, desde pequenina frequento sinagogas, devoro chalah e me encanto com a força deles.
    Amei o texto.

    Parabéns.

  2. Carola Says:

    O AK para mim sempre é uma surpresa, ja comi muito bem, ok, e nem tanto!! Ja tive garcon muito atencioso, como ja fui atendida pelo garcon que se esqueceu que tava trabalhando naquele dia!
    O Pain Perdu sempre que peco, continua constante…um DOCE muito saboroso!!
    Alhos, preciso de umas dicas, estou indo para Buenos Aires na quinta para um casamento, alguma boa dica!!??

  3. alhos Says:

    Talitha
    Obrigado!
    O bolo e o arenque são mesmo ótimos.
    Já que não dá para sermos culturalmente judeus, sejamos “culinariamente”…
    Abraços!

  4. alhos Says:

    Carola

    Concordo.
    Já escrevi aqui mesmo no blog sobre uma visita não tão boa ao AK.
    E o serviço, de fato, não está à altura da comida.
    Mas dessa vez foi um jantar maravilhoso.

    Mudando de assunto: infelizmente não tenho dicas a dar sobre Buenos Aires. Adoro a cidade e já passei longas temporadas lá, a trabalho, nos idos de 89-90. Mas faz anos que não a visito (para ser mais preciso, dez longos anos!).
    Lembro-me de comentários sobre restaurantes de Buenos Aires em duas publicações: uma Prazeres da Mesa de (acho) 2007 e um Paladar do ano passado. Talvez você consiga localizar pela internet.

    Abraços!

  5. andrea Says:

    querido comilão,

    Preciso te confessar: Ler seu texto gerou uma emoção generalizada!
    Tenho a sorte de de ter a Cecília como amiga e fornecedora dos guefilte fish’s que vendemos no AK, informação que consta no cardápio.
    Foi uma forma de te-la por perto, mostrar minha reverencia a ela e a tradição e de quebra ter o melhor guefilte da cidade! A Rosana (sua filha) que me traz semanalmente a encomenda, e é nesse momento que sentamos para conversar e nos nutrir. Ontem quando ela chegou estava lendo seu texto e chamei-a para lermos juntas as lágrimas foram escorrendo conforme líamos e não conseguíamos parar de chorar, a tarde foi a vez da Cecília me ligar e a emoção continuar…
    Tenho sorte, muita sorte de fazer o que amo, mas enfrento diariamente a questão colocada por você, muitos entram em meu restaurante em busca de sabores provados em situações de muito aconchego, sabores de casa de avó, sabores de infância, expectativas inverossímeis que eu nunca vou, nem pretendo, preencher. Tento explicar que jamais farei a comida da SUA avó, mas pelo menos tentarei colocar alguns sabores conhecidos em seu prato.
    Faço a cozinha judaica modernizada, ou contemporânea como dizem por aí, simplesmente por não saber fazer de outra forma, essa é a minha forma de expressão, a única forma que saberia realizar essa cozinha tão pouco popular, e tão especial. Aprendi com minha avó mas me expresso a minha maneira, dentro da contemporaniedade dos tempos.
    Quanto a Cecília, ela é única, ela é mestra, e a existência dela engrandece a gastronomia dessa cidade.
    Quanto a sua filha Lia, que foi o principal tema de nossa conversa ontem, que luz de menina! Que criança especial! Momentos como esse nos fazem esquecer os dias e situações difíceis num restaurante. Nos deparar com gente (principalmente criança) que sabe comer e está mais preocupado em degustar do que comparar fazem do nosso dia mais doce, e mais emocionante.
    Obrigada por suas palavras, obrigada por valorizar o trabalho da grande mestra que a Cecília é, e obrigada se você voltar ao AK. Será um prazer revê-los.
    Andrea

  6. andrea Says:

    Oi Carola,
    Pois é esse pessoal do serviço me deixa de cabelo em pé!!
    Acabamos de trocar o maitre e boa parte da equipe do salão para resolver essa questão, espero que melhore!
    Quanto as dicas de Buenos existe um site muito completo que você encontra tudo por lá:
    http://www.guiaoleo.com.ar/
    Te falarei os lugares que gosto:
    Olsen (comida escandinava)
    Bar 6 (o spot de lá)
    Green Bamboo (asiatico cool)
    Mamma Europa (judaico)
    San Juanino (empanadas e Locro)bem tradicional, na ricoleta
    Café San Juan (comida portenha)
    … e muitos outros
    parrilha tem em toda parte eu não lembro o nome dos que eu vou lá… ser casada com argentino tem suas vantagens!
    Boa viajem!
    Andrea

  7. alhos Says:

    Andrea

    Obrigado pelas dicas de restaurantes em Buenos Aires.

    E, principalmente, obrigado por seu bonito comentário.

    É quase inevitável lembrar de algumas passagens proustianas sobre a potência emocional das lembranças que os sentidos trazem, às vezes de forma inesperada. Diante de uma madalena embebida no chá de tília ou (por que não?) de um arenque marinado.

    E calculo a dificuldade de lidar com quatro ou cinco subjetividades em casa mesa…

    Vi no cardápio a menção aos guefilte fishs da Cecilia e acho que isso ajudou a ativar nossas memórias gustativas. E o post também foi tomado por essas lembranças.

    Bom quando uma refeição se torna também um passeio pela memória, não é?

    Abraços!

  8. Julinho Says:

    A visita ao AK já vale muito pela Andrea que tem carisma, simpatia, competência e muita coragem para fazer comida judaica em um bairro de predominância judaica.
    Imaginem quantas senhoras com “as receitas certas” ela não ouve diariamente!
    Mas ainda tem aquele pastrami e aquele bolo de chocolate…huuuuum…

  9. alhos Says:

    Julinho,
    é verdade.
    E certamente a modernização também não é unanimemente aprovada.
    Abraços!

  10. Carola Says:

    Andrea, muitissimo obrigada pelas dicas!!
    Quanto a sua pessoa, só tenho elogios!
    Sempre que fui no AK vc apareceu na mesa para ver como estão as coisas, o que torna o jantar especial, “momento mágico”!
    Infelizmente são poucos que fazem isso! Uma pena!
    Continue assim, com seu carisma e simpatia!

  11. Julinho Says:

    Comilão,
    Jantei com Talitha no AK ontem e comemos quase o cardápio inteiro em pequenas porções.
    Tudo estava muito bom.
    Especialmente o robalo e o nhoque de berinjela.
    Abraço!

  12. alhos Says:

    Julinho,
    o robalo é ótimo. Mas nunca experimentei o nhoque. Vai para a lista.
    Abraços!

  13. Alexandre Says:

    “Alhos”,

    Fui uma vez ao AK e comi bem. Se a memória não me trai, levei vinho e não cobraram rolha — algo relevante pra mim.

    Seu ótimo texto serviu para reavivar a boa impressão que tive da casa. E, sim, também voltarei mais vezes ao AK.

    Devo confessar, porém, que abandonei a confortável posição de leitor por uma razão egoística: depois de ler seu comentário no Que Bicho descobri que você é a pessoa
    certa para me dar dicas de restaurantes em Milão, onde devo ficar por
    dois curtíssimos dias em meados de maio. Estão na minha listinha Il
    Luogo di Aimo e Nadia, Osteria del Binario e Il Marchesino.

    O que acha?

    Abraços

  14. alhos Says:

    Alexandre,
    Tudo bem?

    A primeira dica é simples. Não se contente com dois dias. Milão vale bem mais.

    Fora isso, não sei se posso ajudar muito. Morei em Milão em 2001 e, depois, não voltei lá. Certamente muita coisa mudou.

    Além disso, vivíamos de meu salário no Brasil e, ainda que não fossem tempos do euro, o dinheiro era curto. Então, não dava para gastar muito em restaurante. E dá para comer uma massa maravilhosa a preço baixo, quase em qualquer lugar (evitando, obviamente, os lugares muito turísticos).

    O problema é que não me lembro dos nomes de algumas trattorias honestíssimas que freqüentávamos. Havia uma, lá no Naviglio, maravilhosa, onde tomava Amarone (Masi!) a preço baixíssimo (mais barato do que no próprio Veneto). Procurei em minhas anotações, mas não achei o nome. Uma pena.

    Mas vão algumas dicas, por ordem de prioridade.

    O Boccondivino (via Carducci 17) é imperdível. Eles servem uma seqüência de presuntos, queijos e embutidos com os vinhos adequados a cada um deles e uma massa ao final. Todos os produtos vêm direto de produtores regionais e dão uma panorama incrível da salumeria, que, afinal, é o forte da Lombardia. É bom reservar.

    A Trattoria Ottimofiore (via Bramante 26) é um restaurante siciliano bem simples, barato e delicioso. Íamos semanalmente lá (a Bramante fica atrás do Sempione). O próprio Ottimofiore prepara as coisas. As almôndegas de sardinha são maravilhosas. E vale a pena comer do balcão de antepastos. O risco é uma overdose de sardinha…

    Il Sambuco (via Messina, 10) é mais chique. Um restaurante de frutos do mar, principalmente.

    Malavoglia (via Lecco 4) é outro siciliano e também vale sobretudo pelos peixes e frutos do mar. O casal de donos é quem cozinha.

    Para comidinhas, o Panino Giusto, sanduicheria famosa, fica atrás do Duomo e serve sanduíches legais. E, também ao lado do Duomo, o Café Ambrosiano (Via Visconti Di Modrone Uberto, 2) tem um balcão de petiscos que faz perder a cabeça. Tudo fresquíssimo e muito bem preparado.

    Não fui a Il Marchesino. O di Aimo e Nadia é bom, mas longíssimo. Prepare-se para uma viagem…

    Abraços!

  15. alhos Says:

    Ah, esqueci: concordo com a não-cobrança de rolha (ou com rolhas baixíssimas: 10, 20 reais). Acho que pode até ser bom para o restaurante, embora não entenda nada de administração de restaurante.
    Mas nunca levei vinho ao AK; então, não sei se cobram.
    Abraços!

  16. Alexandre Says:

    Grazie, “Alhos”, dicas preciosas.

    Vou a trabalho e não tenho como esticar minha permanência em Milão, infelizmente.

    No fórum da Jancis Robinson alguém também mencionou o Boccondivino. O seu “imperdível” e o fato de servir comida típica da Lombardia me convenceram: é certo que lá irei.

    Gostei também das demais indicações, mas essas terão de passar pela “peneira”, disputando com várias outras boas referências uma vaga numa das outras (poucas) refeições.🙂

    Quanto à cobrança de rolha, concordo. Outro sistema interessante, que guarda relação direta com o serviço prestado, consiste na cobrança de um valor fixo por pessoa (em vez da taxa ser calculada pelo número de garrafas). Nos restaurantes do Sérgio Arno (Vecchia Cucina, Franciacorta etc.), o valor “por cabeça” é de R$ 8,00. Acho justo.

    Abraços!

    P.S.: divido com você uma dúvida, que imagino ser de outros comentaristas também: como você prefere ser chamado?
    “Alhos”, “Comilão”, ou nenhuma das anteriores?🙂

  17. alhos Says:

    Alexandre
    Pode chamar como preferir.
    Também acho mais razoável a taxa por cabeça, na cobrança de rolha.
    Esqueci de uma coisa. Se for ao Ottimofiore, peça a pasta alla norma. É um clássico, mas nem sempre lembrado, prato siciliano. Uma massa pequena e compacta com berinjela e ricota seca picante. Maravilhosa.
    Aqui em SP, o Taormina prepara com o nome de “mafioso”, mas não é a mesma coisa.
    Abraços!


  18. Quando estive no restaurante da Andrea, comi também o medalhão de mignon e o pain perdu e saí de lá igualmente maravilhada. A versão dela pro pain perdu é de uma delicadeza ímpar.

  19. alhos Says:

    Constance,
    tudo bem?
    Concordo plenamente!
    Abraços!

  20. Fernando Says:

    Puxa, que texto legal! Legal nada, que texto lindo!! Sou leitor bisexto, mas fazia algum tempo não entrava no site.

    Cresci comendo a comida de Cecília. Tenho fotos na porta do primeiro local, se não me engano na Rua Amazonas. Um lugar pequenino, seu Moishe no caixa. Quantos dias dos pais, das mães, não passamos lá? Meu avô adorava a comida, os bolinhos de carne. Seu Moishe se foi, a Cecília mudou de lugar, e lá fomos nós. Depois a ida para Higienópolis. Confesso qua não gostei do lugar, mas a comida nos fazia retornar. Aí, um dia, soube que fechou. Uma pena. Gosto do AK. Acho que a Andrea tem um astral bom, uma vibração tão positiva que não tem como dar errado. Já comi bem, já comi muito bem, já saí meio resabiado. Adoro o goulash, com bastante paprika. Preciso voltar ao AK.

    Parabéns, pelo texto.

  21. alhos Says:

    Muito obrigado por seu comentário, Fernando.
    Cecilia é inesquecível.
    E Andrea pode se tornar.
    Abraços!

  22. Alexandre Says:

    Alhos,

    Voltei para agradece novamente as dicas e contar um pouco do que comi.

    Tive pouco tempo e, para complicar, um dos dias livres era domingo, quando muitos negócios não abrem (caso do Peck, por exemplo, que eu queria ao menos conhecer).

    Mas consegui reservar sábado à noite no Aimo e Nadia, onde fui de menu clássico, com os pratos mais conhecidos do restaurante. Pratos “explicados”, todos eles, pelo Aimo, sempre muito simpático e disponível. Voltou diversas vezes simplesmente para conversar, mesmo sem ter prato a ser “explicado”. O menu todo num nível bastante alto; cozinha com comida de verdade, ingredientes simples na sua maioria, execução impecável. Difícil escolher o melhor, mas assim, meio de sem-pulo, lembro agora do spaghetti al cippolotto (massa de qualidade, no ponto certo, com um toque certeiro de peperoncino) e o paté di fegatini di anatra con panbrioche, uma pequena gentileza da casa, servido entre um prato e outro.

    Fui também ao Il Marchesino, onde fiquei mais uma vez nos clássicos: risotto alla milanese (escolhi uma versão que acabara de entrar no cardápio: risotto “clássico” com açafrão, no centro do prato um belo pedaço de tutano e por cima do arroz um toque sutil de molho rôti) e cotoletta alla milanese (boa, muito boa, mas eu já tinha sido arrebatado pelo risotto). Dei sorte, o Marchesi estava lá e, embora à paisana, no salão, conferiu de perto os pratos antes de me serem servidos, atento a todos os detalhes (pedi lugar no balcão e pude ouví-lo dizer ao chef que era para limpar o rôti que havia sido colocado sobre o tutano).

    Não são restaurantes baratos, mas sem dúvida valem a visita. Como você havia alertado, o Aimo e Nadia é longíssimo: gastei 31 euros só no transporte de ida (metrô, 1 euro) e volta (táxi, trintinha).

    Abraço,
    Alexandre

  23. alhos Says:

    Alexandre,
    tudo bem?
    Obrigado pelo retorno e parabéns pelas comidas.
    Deu uma tremenda vontade de ligar para a companhia aérea e voltar para lá…
    Abraços!


Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: