Diário de um enforcado

20/04/2009

Ando meio enforcado por conta do Imposto de Renda. Por isso, as idas a restaurantes rarearam um pouco.

Um fim de semana esticado, porém, com uma terça de enforcamento e uma segunda enforcada, merece alguma comemoração. Recolho aqui algumas anotações das andanças.

Sexta à noite: atualização de cardápio

Visita ao Sal para provar dois pratos que não conhecíamos. O nhoque de mandioquinha com ragu de javali e o copa lombo com quiabo, tomate e farofa de pão e maçã.

O nhoque – opinião de minha mulher, especialista no assunto – é o melhor que já provamos. Macio por dentro, selado por fora, com gosto marcante da mandioquinha. O ragu, forte, faz lembrar que comida italiana não é para principiantes… Merece um pão para conter a fúria da carne e do tempero. Mas é bom.

O copa lombo veio num pedaço que dava, por baixo, para dois. Me esforcei e dei cabo – com o auxílio valioso de minha filha. A carne, gorda (no bom sentido) e macia, é assada por horas e mantém o sabor intenso, destacado. Excelente. Os quiabos e a farofa acompanham bem. Dispensaria os tomates, mas acho que a maior parte das pessoas não o faria.

Para acompanhar, um Bergerie de L’Hortus, Pic Saint-Loup. Peguei mania desses vinhos do Languedoc.

Sábado à tarde: minidegustação de sorvetes

Primeiro na Douce France: baunilha, frutas vermelhas e o sorbet de chocolate 70%.

Depois, na Sódoces: laranja e chocolate, cupuaçu, chocolate de origem, baunilha e frutas vermelhas de novo.

Tomamos devagar, sem aquela vontade de tirar o pai da forca. Depois, analisamos criteriosamente um a um, comparamos com cuidado e concluímos: são todos ótimos e não dá para priorizar um ou outro…

Sábado à noite: árabe (mais ou menos) de casa

Uma passagem rápida pelo supermercadinho vizinho, que faz pastas bastante razoáveis. Coalhada, homus e babaganuche. Pão sírio, claro. E uma garrafa de Norteña.

Um telefonema para o Almanara, que pode não ser o Arábia nem a Tenda do Nilo, mas é honesto. Esfihas, kibes e – exigência ininterrupta da Lia – charutinho de folha de uva.

E noite de comilança. O destaque foi o babaganuche, com gostinho mais de queimado, ótimo.

Domingo de manhã: padaria em casa

Já estava tudo preparado para um pão na chapa doméstico. Pão, manteiga boa e, para fechar, melado.

Duas fatias com um toquinho de flor de sal. A terceira levou uma leve camada de melado por cima. Uau!

Domingo à tarde: especialidade da casa

Gosto de pato. Adoro pato. Na verdade, sou absolutamente louco por pato. Um dia, ainda vai brotar pena em mim.

Havíamos comprado uma quantidade industrial de coxas e sobrecoxas congeladas da Vila Germania. E temos um bom reservatório de gordura de pato sempre pronto na geladeira.

Separamos quatro peças, devidamente dispostas e cercadas de gordura numa das nossas novas panelas, que pesam mais que nossa cachorrinha. Ficaram quase fritas (foi a panela? O excesso de gordura?). Depois, forno, com a pele já crocante.

Para acompanhar, cenouras raladas com um tiquinho de creme de leite e batatas raladas no forno. E um Château Puycarpin, bordeaux básico, que caiu muito bem.

E o pato, ah, o pato…

14 Respostas to “Diário de um enforcado”

  1. Carola Says:

    Ola Alhos,
    Preciso de um help!
    Nunca saio para jantar numa segunda feira!
    Fiquei encarregada de escolher um restaurante “novo” para mim, o Cosi e o Sal estão fechados hj! Alguma sugestão?
    Agradeço desde já pela atenção!
    Carola

  2. alhos Says:

    Carola
    Você conhece o Picchi?
    Gosto muito de lá. E abre às segundas.
    O Marcel e o Ici também abrem às segundas, mas você deve conhecê-los.
    Faz tempo que não vou ao Nam Thai – tailandês – mas gostava muito de lá. E também abre.
    Outra: Divina Itália, uma trattoria boa, honesta e simples em Pinheiros.
    Ser nenhum deles resolver, avise que penso em alguma outra opção.
    Abraços!

  3. Carola Says:

    Alhos,

    Em primeiro lugar muito obrigada!
    Em segundo, eu to passada…como eu nao conheço o Picchi, acabei de entrar no site do restaurante e parece incrível, sem contar que o Chef já trabalhou no Guido em Piemonte, que foi o melhor restaurante que eu já fui!
    Muitíssimo obrigada pela dica!
    Os outros que vc sugeriu eu já fui, qto ao Nam Thai, depois que fui no Koh Pee Pee em Porto Alegre o mundo mudou! Conhece?
    Ah! Tb adoro o Le Bernadin em NY, e no aguardo de seus comentários!

  4. alhos Says:

    Carola,
    um bom presságio, então.
    Aqui em SP, o Picchi trabalhou no Emiliano. Foi lá, inclusive, que conheci a comida dele. É curioso porque ele é muito menos citado do que outros da mesma geração, e nem tão bons. Tomara que goste. Depois, conte.
    Só fui a Porto Alegre uma vez, faz exatas duas décadas. Não conheço nada de lá.
    E, por incrível que pareça, também não conheço o Piemonte, apesar de ter morado na Lombardia. Deve ser coisa de rivalidade futebolística.
    Estou devendo o comentário sobre o Bernardin… Mas escrevo logo.
    Abraços e bom jantar!

  5. Carola Says:

    Oi Alhos,

    Fui ontem no Picchi, o chef foi bem atencioso com a nossa mesa, apareceu umas 3 vezes para falar conosco!
    Ele sugeriu uma massa, uma carne e uma plancha de frutos do mar, experimentei um pouco de tudo, a massa de Primo Piatto estava excelente, já a carne estava ok! Segundo meu marido, uma carne de panela( era um cupim sem muita gordura) mas sem muita inspiração!
    A sobremesa pedimos uma espuma de nutella com frutas vermelhas, bem mais ou menos!
    A conta saiu um pouco salgada, levamos 2 garrafas de vinho( R$40 a rolha), mas os frutos do mar foram bem salgados no valor!
    Mas adorei a dica!
    Obrigada
    Carola

  6. alhos Says:

    Carola,
    bom que gostou.
    Acho que as massas do Picchi são das melhores de São Paulo.
    Nunca provei esse cupim, nem a plancha.
    Gosto muito do atum e do lombo de leitão (esse, imbatível).
    Abraços!

  7. Joaquim Says:

    Alhos ,o pato é também minha ave preferida ,eu tenho uma receita bem simples: um pato inteiro ,tempero com sal e pimenta do reino moída na hora.Preparo uma pasta com 4 colheres de mel e duas de curry,besunto o pato com a pasta e deixo descansar durante 1 hora.Coloco uma cebola inteira dentro do pato .Levo ao forno pré aquecido ,até ficar bom.Fica delicioso.Um abraço.

  8. alhos Says:

    Joaquim,
    obrigado pela dica.
    Deve ficar muito bom, sim.
    Tentaremos.
    Abraços!

  9. fernanda Says:

    alhos, que bom que vcs provaram os pratos novos. Acho que a força do ragú está nos tomates pelados de muita qualidade. É preciso dar uma segurada na quantidade. De qualquer forma já passei para o Henrique suas impressões. Realmente pequenas porções são um desafio para ele. Obrigada pela visita
    bjs

  10. alhos Says:

    Fernanda,
    é sempre muito gostoso jantar aí.
    Nenhum problema com as porções grandes…
    Beijos!

  11. Flavio Says:

    Obas comilão; tudo bem?
    Que bom que você gostou e gosta dos nossos sorvetes. Importante é quando o cliente percebe que tudo é feito com carinho e com ingredientes de primeira.
    Da próxima vez experimente o de Pitanga negra da Bahia e o sorbet de chocolate de origem.
    Este último é preparado com um chocolate que produzo em Ibirataia (Sul da Bahia). Exclusividade minha e que foi escolhido para participar do salão de Paris deste ano como um dos 50 melhores do mundo.
    Divirta-se e sucesso
    Flavio Federico

  12. alhos Says:

    Flavio,
    tudo bem?
    Obrigado por seu comentário.
    Puxa, esqueci de mencionar o de chocolate de origem. Vou já incluí-lo. Também o tomei em nossa mini-degustação e gostei bastante. Não sabia, porém, que era produção sua. Parabéns!
    Da próxima vez, provo o de pitanga.
    Abraços!

  13. Maria Isabel Says:

    Olá, Comilão!

    Bem, eu sou muito fã do Flavio há tempos e levantei as mãos pro céu quando ele abriu sua loja. E, quando eu pensava que ele havia atingido o ápice com seus impecáveis sorvetes, ele aparece com suas deliciosas carrancas de chocolate. E levantei as mãos pro céu pela segunda vez. Mas antes de devorá-las, fico admirando as nuances de seu belo trabalho de artesão: Sabia que é ele quem esculpe esses moldes? Sem dúvida, Flavio é o melhor, e o mais completo, e o mais sério confeiteiro no Brasil.

    Um abraço,
    Maria Isabel

  14. alhos Says:

    Maria Isabel,
    tudo bem?
    Coincidentemente, enquanto lia seu comentário, minha filha abriu a última das carranquinhas que compramos um pouco antes da Páscoa. Parei de ler, fui até lá, dei uma mordida e confirmei de novo: muito boa (apesar de ser das brancas, que não são minhas preferidas).
    Abraços!


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