Perfeito

07/05/2009

 

A Gael Green diz que é o melhor restaurante de Nova York. O Anthony Bourdain, também.

As quatro estrelas dadas pelo New York Times confirmam – uma delas, nos tempos da Ruth Reichl. Aliás, é o único restaurante que recebeu as quatro estrelas três vezes.

Le Bernardin, claro.

Nos despedimos da cidade, em janeiro, com um almoço lá.

O Bernardin é dedicado aos frutos do mar e o chef, Eric Ripert, um dos mais respeitados da cidade.

Salão bonito, discreto, florido e elegante. Louça, cristais e talheres excelentes.

Uns três sommeliers circulando entre as mesas. Atendimento de dois garçons por mesa: atentos e precisos, sem o desagradável estilo pegajoso e bajulador de alguns restaurantes chiques de São Paulo.

A casa propõe preço fechados por pessoa, com direito a escolher, dentre as opções do cardápio, uma entrada, um prato principal e uma sobremesa. No almoço, 68 dólares; no jantar, 109. Algumas das escolhas implicam acréscimos (por exemplo, se você quiser acompanhamento de caviar iraniano…).

Compare com os preços dos melhores restaurantes de São Paulo e tire suas conclusões.

O couvert trouxe manteiga, variedade de pães (da casa, obviamente) e torradas e um tartare de salmão sem equivalente. Pensei até em perguntar se preparariam um container para que eu trouxesse para o Brasil.

A entrada que minha filha escolheu tinha salmão orgânico defumado, agrião, aipo e maçã, acompanhados por uma emulsão de jalapeño, que atenuava o picante sem eliminá-lo. Ótima.

Minha mulher pediu um atum sobre torrada com um filete de foie. O peixe e o fígado, diversamente gordos e de sabor intenso, combinavam maravilhosamente.

Mas – modéstia de lado – a melhor entrada foi a minha: um conjunto de seis ostras, com variação de tempero e de picante. Cada uma delas era um caso de polícia de tão fresca e gostosa. Tem algum adjetivo acima de maravilhoso? Se lembrarem, por favor, encaixem nesse espaço __________.

E os pratos principais?

Minha filha pediu a arraia com noodle e cogumelos secos, no molho de broto de bambu. Muito gostosa, mas picante demais para um paladar de nove anos: o prato ficou com minha mulher.

E ela então cedeu seu robalo com lagostim (ligeiramente assado), confit de tomate, consommé de bouillabaisse e emulsão (suave) de curry. Você consegue imaginar, leitor, o que é esse prato? Digo-lhe apenas que cedê-lo à filha comprova uma velha máxima: mãe é mãe.

Eu fiquei com o tamboril na panela, com tabule de cuscus israelense, alho negro e molho de lima da Pérsia. O prato valeria a pena só pelo conjunto de aromas que soltava. A lima, o peixe e o alho levam os aromas da acidez da fruta (sim, sei que acidez é sabor, não aroma, mas você sabe do que estou falando) ao discreto cheiro de cogumelo provocado pelo alho e à maresia do peixe.

Meu Deus… Na boca, o alho adoça o paladar e dialoga com a acidez (agora, sim) da lima. O preparo na panela concentra mais o sabor suave do tamboril, cuja textura firme faz subir o tom e deixa a síntese de sabores para as bolinhas de cuscus. Well…

E ainda tinha a sobremesa. Sorvete simples de baunilha para Lia. Gi preferiu a pannacotta à base de iogurte, com sorbet de romã, sorvete de limão, hortelã, raspas de laranja e bolinhas de romã. Dá certo. Muito certo. Minha sobremesa também parecia, pelo cardápio, um pouco rocambolesca. Mas era maravilhosa: tortinha de chocolate amargo, amendoim e caramelo, acompanhada de sorbet de limão com crocante de amendoim e purê de limão-meyer.

Nada a dizer, fora o fato de que tínhamos acabado de fazer uma das melhores refeições da nossa vida.

Ripert circulou pelo salão, trocou meia-dúzia de palavras com cada comensal, confirmou sua boa fama.

Tomamos um expresso e saímos à rua deliciados, após pagar a conta de 238 dólares (só água e, claro, suco de cranberry para Lia), acrescidos da habitual gorjetinha novaiorquina: mais 42.

Caro, é claro. Porém não para os padrões da cidade e, a bem da verdade, nem para os paulistanos, se considerarmos a qualidade de tudo: dos ingredientes ao serviço, da louça ao conceito, da execução ao respeito absoluto ao cliente.

Não tenho gabarito para dizer, nem conhecimento suficiente (há centenas de restaurantes novaiorquinos a que obviamente nunca fui e, entre eles, o Per Se e o Masa), mas acho que Gael Greene, Anthony Bourdain e Ruth Reichl têm razão.

51 Respostas to “Perfeito”

  1. Flavio Says:

    Olá comilão;
    Tenho muito a falar a respeito, mas não quero ocupar todo seu espaço.
    Se levarmos em consideração que 1 real é 1 para nós e 1 dolar é um para quem mora em NY etc etc, os preços de restaurantes no Brasil estão para lá de altos.
    Os donos de restaurantes querem que pareça que se é caro é bom.
    Nunca fui ao Le Bernardin, mas acredito, por tudo o que ouvi e lí, que deve ser um dos melhores do mundo.
    Minhas experiências gastronômicas fora do nosso país foram, na sua maioria, excelentes e a preços razoáveis.
    As melhores refeições que fiz, foram no Gordon Ramsay de Londres e no Charlie Trotter em Chicago.
    O Gordon pode parecer ou ser louco, mas ele sabe muito bem o que faz e como fazê-lo.
    Sua rusticidade e clareza são excepcionais.
    Do atendimento na entrada ao manobrista que chamou o taxi na hora de sair, tudo foi absolutamente perfeito.
    O Trotter é bem diferente no conceito “comida”, com coisas bem leves, frescas e simples, mas sempre surpreendentes.
    Mais uma vez, da chegada à saída, tudo magnífico.
    Já comi muito mal lá fora também, como no MOTO de Chicago, mas foi uma das únicas vezes.
    Bom, acho que já me estendí demais.
    Quem sabe da próxima vez consigo marcar no Le Bernardin.
    Abraços

  2. alhos Says:

    Flavio,
    bacana seu comentário.
    Já havia lido depoimento de várias pessoas “confiáveis”, que comeram em casas do Ramsay e confirmaram a qualidade de seu trabalho. Do Benny Novak, inclusive, se não estou enganado.
    Tentei ir ao restaurante dele em NY, mas não consegui reserva (segundo o site, é preciso fazê-la com exatos dois meses de antecedência). Fica para a próxima.
    É desse “serviço completo” que às vezes sentimos falta por aqui. São raros os lugares em que o tratamento é perfeito da calçada à calçada.
    E os preços… Lembro-me que o Arnaldo Lorençato fez uma matéria de capa, no ano passado, sobre a alta meio irreal dos preços em nossos restaurantes. Que, apesar disso, continuam cheios…
    Abraços!

  3. Carola Says:

    Alhos, parabéns pelo comentário do Le Bernadin
    As palavras que eu descreveria o meu jantar lá seria… espetacular e excepcional!
    Tive um ‘momento mágico’ , alem da comida, após elogiar muito um vinho que o sommelier recomendou, quando veio a conta veio o rótulo do mesmo plastificado como gift para nós! Sem comentários, atendimento que nem esse eu nunca vi!

  4. alhos Says:

    Carola,
    obrigado.
    Que maravilha, sua história.
    Não tomamos vinho lá. Estávamos em final de viagem e o acumulado no cartão de crédito já ameaçava.
    Mesmo assim, foi muito bom.
    Abraços!

  5. Flavio Says:

    Caríssimo alhos;

    Só para colorir mais as coisas falei com a minha esposa, pois ela é que cuida da grana (sou péssimo com fluxo de caixa) e ela me passou os seguintes valores:

    Gordon Ramsay em Londres: Degustação de 10 pratos mais sobremesas e vinhos – £500.00 (quinhentas libras).
    Aliás, quando descobriram que eu era confeiteiro do Brasil, me mandaram 5 sobremesas.

    Charlie trotter em Chicago: degustaçao de 8 pratos mais vinho e mais, adivinhe? 7 sobremesas (sou amigo da chef de confeitaria de lá) – US$400.00 (quatrocentos dolares).

    Gorson Ramsay em Nova York: Degustação de 8 pratos e, ops, de novo, 5 sobremesas, sem vinho – US$350.00.

    Importante salientar que esses valores foram para duas pessoas e já estão com o serviço incluído.

    Não desmereço, de forma alguma, o trabalho de Chefs brasileiros. Aliás, sou o primeiro a defender as coisas e pessoas na nossa terra. Mas convenhamos: comer em São Paulo está bem caro. E no Rio então?

    Abs

  6. alhos Says:

    Flavio

    dá vontade de ir correndo… Da próxima vez, minto e digo que sou confeiteiro…

    Brincadeiras à parte, claro que não há desmerecimento do trabalho de ninguém por aqui. Calculo as dificuldades e os inúmeros impasses e compromissos que a manutenção de uma casa implique (inclusive, tributários e burocráticos).

    Mas uma redução da margem de lucro das nossas casas talvez aumentasse e diversificasse a freqüência e ajudasse a formar um público novo e mais amplo de comensais – o que elevaria, talvez em curto prazo, o nível das casas e, claro, dos lucros.

    Palpites de quem queria apenas comer bem a menor custo e gostaria de encontrar gente mais diferente nos restaurantes…

    Abraços!

  7. Julinho Says:

    De imediato, precisamos de duas mudanças de atitude:

    1- Dos donos de restaurante, que, em sua maioria, visam lucros muito altos. Alguns lucram mais de R$100.000,00 por mês. Exemplo? Qualquer casa do Grupo Fasano. Precisa ganhar tanto? Quanto um homem precisa pra viver? Até que ponto seu comércio é honesto? Só por quê tem gente que paga, o negócio toda faz sentido?

    2- Precisamos de boicotar comidas que não valem a pena. Estou com o saco na lua de ir em lugar meia boca com a Talitha, comer uma comida mais ou menos, beber um vinho apenas razoável e a conta vir em uma média de 350 reais pra cima. Caio cada vez menos nesse tipo de cilada.
    Já que a regra é enquanto tiver cliente, não baixamos os preços, deixemos de ir.
    Basta! Farei campanha em meu blog.
    Proponho campanha em todos os blogs de gastronomia.
    Chega de roubalheira!

    Abraços!

  8. Ricardo Oliveira Says:

    Olá Flávio,

    Falando em preços no Brasil, você poderia começar dando exemplo e diminuir o preço de seus docês e sorvetes.Gosto muito do seus produtos, mas vender uma bola á R$6,00 ou R$7,00é muito caro!!!Vamos lá Flávio baixe seus preços.

    Abs.

  9. Daniela Says:

    Alhos, que delícia de texto. Não consegui ir ao Le Bernadin quando estive em NY. Esse relato me deu uma vontade imensa de comprar uma passagem e ir conhecer o restaurante.
    Abraços,
    Daniela.

  10. alhos Says:

    Julinho
    Seria muito bom se houvesse consciência dos comensais sobre a relação custo/benefício. Mas creio que isso demorará bastante.

    Ricardo
    Deixo ao Flavio a resposta. Mas lembro que um Magnum, da Kibon, custa R$ 4,50 – o que é um absurdo muito maior do que boas sorveterias cobrarem 6 ou 7.

    Daniela
    Obrigado. Se resolver almoçar lá, me avise para combinarmos (hahaha). Ando com vontade de voltar.

    Abraços gerais!


  11. Obrigado Ricardo pelo seu comentário.
    Acho que o alhos falou bem demais sobre o magnum.
    Se você passear pela cidade, vai ver que dos sorvetes “de grife”, os meus ainda são os mais baratos.
    A qualidade conta muito também e garanto que os meus são honestíssimos.
    Sorvete vagabundo com gordura hidrogenada a R$7.00 a bola tem de monte.
    abs

  12. Julinho Says:

    Aqui em São Paulo nenhum sorvete tem o alto nível do Flavio. Nenhum.
    A comparação com o Magnum é perfeita.
    Se compararmos com os de “grife” é covardia.
    Acho um tremendo custo benefício seis reais uma bola de sorvete da Sódoces.
    Abraço!

  13. Ricardo Reno Says:

    Olá Comilão, tudo bem?

    Também gostaria imensamente que as barras de chocolate da Só Doces fossem mais baratas. Mas quando penso no trabalho que dá e o que é preciso para se manter a qualidade, compro menos e aprecio o mais lentamente possível. Há os que pensam comer e os que pensam alimentar-se.

    Abraço

  14. alhos Says:

    Julinho
    Apesar de não ser barato, concordo que a relação custo-benefício é justa.
    Abraços!

    Ricardo
    Puxa, aqueles chocolates… De fato são bem caros. As carrancas, também. E também deliciosas.
    E as geléias. Ontem, aliás, comprei um pote da de laranja para adaptar uma receita muito simples e muito gostosa do Lá em casa (que, no original, é com cupuaçu – mas ainda não achei, aqui em SP, um doce de cupuaçu que valesse a pena). Vamos ver no que dá.
    Abraços!

  15. Ricardo Oliveira Says:

    Srs.Estão usando os mesmos argumentos que os donos de restaurantes caros usariam, ou seja para falar que é caro tudo bem, mas quando a crítica vem á vocês…

    Julinho, se acha o custo benefício do sorvete do Flávio ótimo,diga o mesmo do Fasano, pois também tem um ótimo custo benefício e não tem comparação com nenhum outro.Já provou o sorvete do grupo?Está no mesmo nível da Sódoces.

    Abs.

  16. Carola Says:

    Alhos,
    Voltando a falar de NY, estou indo no Corpus Christi!
    Aceito sugestões…
    Voltarei no Le Bernadin e no L’ ecole!
    Agradeço desde já pela atenção

  17. alhos Says:

    Ricardo,
    concordo em parte com você.

    Não, claro, nas questões específicas e dirigidas.

    Mas sim quanto ao fato de que o custo-benefício do Fasano, por exemplo, possa ser bom.

    Meu critério – que já expus em comentários anteriores – é o seguinte: fico satisfeito quando vou a um restaurante que cobra pouco e serve bem e fico satisfeito, também, quando vou a um restaurante que cobra muito e serve muito bem. Claro que só vou a esse quando tenho cacife – e lamento não ter sempre e que a maioria das pessoas não tenha nunca.

    Sei que o Julinho discorda nesse ponto, mas não me sinto lesado quando vou ao DOM ou ao Fasano. Ao contrário. Sempre comi muitíssimo bem em ambos, embora conheça pessoas que tenham tido experiências ruins nos dois. Lamento por elas e falo por mim.

    Se amanhã me derem oitocentos reais para eu gastar no restaurante que quiser, é bem provável que vá a um deles. Se eu estiver com dinheiro e com vontade de comer num tremendo japonês, escolho o Jun. E aceito o discurso dele de que o que cobra é o que pode cobrar. Sei que sairei de lá com um sorriso de orelha a orelha, como sempre saí, achando honesta a conta de, digamos, 700 reais. Mas não escolho, por exemplo, o Kinoshita, que pode ser ótimo, mas onde o serviço é arrogante e onde não comi bem nas vezes em que fui. Não escolho, outro exemplo, o Hideki (que já comentei aqui no blog), onde os peixes são variados e fresquíssimos, mas todo o resto não vale os 350 reais para uma refeição (cerca da metade do que pagaria no Jun).

    Por isso digo que concordo com você e que acho que a relação custo-benefício, quando se trata de comida, chega às nuvens da relatividade. Também por isso, não hesito em pagar 5,50 por um Illy ou Nespresso, mas me irrita aquele espressinho aguado que a padaria vizinha de casa serve por 1,50. Fico indignado quando pago 20 reais por uma massa horrorosa, mas não quando pago 50 pela que o Picchi serve. Ou quando gasto cinco numa caixinha de eskibon mini – para voltar aos sorvetes – ou sete/oito reais para comer o sorvete da Cremeria Nestlé.

    Mas o melhor é conseguir conciliar as duas coisas. Daí meu comentário, acima, sobre a necessidade de consciência dos comensais. Não quero que deixem de ir ao Fasano, por exemplo, que tem seu lugar, e com mérito. Quero que deixem de ir àquela casa que não merece sua freqüência, cobre 100 ou 500 reais.

    Sim, acho que muitos chefs têm razão ao dizer que cobram o que dá para cobrar. E outros enganam. Como separar um do outro? Pelo paladar – e ocasionalmente pela sorte.

    Agora, por que o Eric Ripert ou o Gordom Ramsay podem cobrar em NY menos do que alguns restaurantes de SP cobram é um mistério. Talvez haja explicações – burocracia, tributos, custo dos importados, não sei. Não sei também (e talvez haja alguma explicação simples que eu, de fora desse mundo, não alcance) o motivo de pato ser tão caro em nossos restaurantes. Compreendo o preço do foie e da trufa. Mas o pato?

    Melhor seria se houvesse mais restaurantes que valorizam cada real pago, e que a soma desses reais não fosse exagerada. Esse é um dos motivos de muitos de meus elogios no blog.

    Ufa, escrevi demais… Desculpe-me…

    Abraços!

  18. alhos Says:

    Carola,
    que dizer… Aproveite muito, muitíssimo.
    Fora os óbvios, recomendo muito o Prune, da Gabrielle Hamilton.
    Foi, na minha viagem recente, o que mais me surpreendeu.
    Abraços!

  19. Julinho Says:

    Ricardo Oliveira,
    Adivinha de quem é a receita do sorvete do Fasano?
    Pois é.
    Não é bacana tomar um sorvete com a mesma qualidade por seis reais a bola?
    Inclusive fui lá ontem (à Sódoces, não ao Fasano)e provei o novo sabor de café, conhaque e passas. Só de lembrar do sabor me bate uma vontade de voltar à doceria agora!
    Seguindo a linha de raciocínio do Comilão, acho caro pagar 4,50 por um Magnum. Me recuso a pagar seis ou sete reais por um sorvete da Douce France ou da Mil Frutas (eca!).
    Mas pago seis reais pelo sorvete do Flávio tranquilamente. Acho que vale cada centavo.
    E veja que além de técnica ele não usa truques para baratear o produto, como alguns fazem de maneira desonesta.
    Abraços!

  20. Ricardo Oliveira Says:

    Comilão,

    Em nenhum momento disse que o sorvete da Sódoces tem um custo/benefício ruim.O que fiz em meu comentário, é alertar o Sr. Flávio que ele tem um estabelecimento que esta entre os mais caros no seu setor e quando ele critica os altos preços dos restaurantes no Brasil, ele inclua a Sódoces.

    Julinho.

    A excelente Soupe Aux Truffes Noires de Paul Bocuse, as maravilhosas Vieiras de Alain Ducasse, a curiosa salada caprese em forma de gelatina de Ferrán Adria ou o estupendo Mil Folhas Caramelado de Pierre Hermmè.Adivinhe de quem são estas receitas????Acertou garotão!!!Farei para você por 1/3 do preço.

    Abraço.

  21. alhos Says:

    Ricardo
    Entendi.
    Voltamos, assim, à questão inicial, que continua sem resposta: por que as coisas custam tão caro por aqui – independentemente de valerem?
    Abraços!

  22. Julinho Says:

    Ricardo, não entendi sua colocação. Mesmo.
    O que eu quis dizer foi que as receitas de sorvete do Fasano, que são vendidas a inacreditáveis 25 reais a bola, foram elaboradas pelo Flavio, e podem ser saboreadas em sua loja, a Sódoces, por muito menos. Pra nossa sorte.

    Comilão,
    As coisas são tão caras por aqui porque ainda tem quem pague.
    Esperemos por uma mudança de cenário…

    Abraços!

  23. Ricardo Oliveira Says:

    Comilão,

    Vamos listar alguns dados:Impostos trabalhistas e outros, onde o retorno por parte do Governo é zero, logo temos que gastar novamente com plano de saúde privado,vale alimentação e segurança.Falando de Alta-gastronomia, você que já jantou no D.O.M., deve ter percebido a lapidação dos ingredientes, o Cupim, vem um cubo certinho, e as aparas?O maravilhoso quindim da Sódoces, feito durante horas á baixa temperatura(Que por sinal não o vi mais na vitrine), a quantidade de energia que se gasta para produzí-lo enfim, posso dar um monte de exemplos que encarece a matéria prima, mas o mais importante fator, acho que é o problema cultural do povo Brasileiro, que não come comida e sim Status, querem ver e serem vistos nestes lugares, acham bonito gastar muito, comprar vinhos caríssimos, beber espumantes de R$2.500,00 é essa gente que inflaciona os restaurantes.Você já reparou a quantidade de carros 0 KM que circulam pelas ruas???Nunca ví isso em país nenhum!!!carros são trocados de ano em ano!!!

  24. Ricardo Reno Says:

    Comilão,

    Muito pertinente seu comentário.

    Ricardo,

    Agora fiquei curioso de saber de quem são as receitas!

    Julinho,

    Acho que é uma questão de estrutura e bom senso. O custo fixo do Fasano está a anos luz do Flávio, portanto o sorvete tem que custar mais caro mesmo. Todo mundo que abre um negócio procura maximizar o lucro, não há nenhum mal nisto.

    Abraço

  25. tadzio Says:

    Sem falar que o Ripert não deixa um velho camarada rodado. Por alguns industriais (pints de margaritas do les halles) ele trocou sua linda cozinha para dar uma força ao velho anthony bordain quando ele foi fazr um turno duplo no velho restaurante que ele comandava.
    Muito engraçado é como os cozinheiros por mais refinada que seja sua cozinha tenham a boca muito suja.
    Abs tádzio

  26. fernanda Says:

    tem a questão da seletividade, os restaurantes colocam esse preço para selecionar clientes, que gostam disso e pagam por isso…

  27. alhos Says:

    Ricardo Oliveira
    Imagino, sem dúvida, todo o custo de execução – fora, claro, o dos ingredientes.
    E todos os impostos e a burocracia.
    Em SP, especialmente, a ânsia de status é patente.
    Mas puxa…
    Abraços!

    Ricardo Reno
    Obrigado, abraços!

    Tadzio
    Vi na semana passada esse programa do Bourdain com o Ripert na cozinha do Les Halles. Muito divertido mesmo.
    Abraços!

    Fernanda
    Mas vale a pena selecionar?
    Talvez por ingenuidade ou ignorância do funcionamento desse mercado, pergunto: não valeria mais a pena ampliar o público?
    Abraços!

  28. Julinho Says:

    Ricardo Oliveira,
    Chegamos a um consenso. Concordo com absolutamente todas as colocações em seu último comentário.

    Comilão,
    Imagine como é difícil ter uma doceria! O cara entra, come um macaron, bebe um café e permanece na loja por uma hora e meia!
    Já tive um café e sei bem o que é isso. Custo fixo lá em cima e ticket médio muito baixo.

    Mas já escrevi demais sobre isso. Estou parecendo advogado do Flavio (que, aliás, é advogado).

    Abraços a todos!

  29. fernanda Says:

    depende do público que vc quer atingir. Por exemplo já vi pessoas dizerem que não participam da restaurante week pq não tem interesse no público…não sei se é bom ou ruim, mas como o julinho falou, tem sempre quem pague certos preços.
    bjs

  30. alhos Says:

    Fernanda & Julinho
    Em bom português, é um tremendo enrosco…
    Abraços!

  31. Ricardo Reno Says:

    Comilão,

    Sabemos das dificuldades que os bons chefs tem para conseguir fornecedores de qualidade, principalmente no quesito constância. Tenho um respeito enorme dos restaurantes que conseguem manter o padrão da comida que servem. Se formos falar de um aumento de público teremos que abrir mão de algumas coisas que nós mesmos, talvez, não estejamos preparados a aceitar. Não dá para ter tudo.

    Abraço

  32. Fernanda Says:

    alhos, veja esse enrosco:
    recebi a ficha de inscrição da sprw de inverno. O preço para se inscrever aumentou 50%. Era 600…beeeeeeem caro. O preço dos pratos não aumentou, nem a inflação foi desse tamanho. Perguntei para a organização o motivo do aumento. Disseram que a estrutura cresceu, mas o mais interessante é parte da explicação que diz que um dos motivos do preço ter aumentado é para trabalhar com um nível de restaurantes qualificados. Veja como isso tem tudo a ver com o que eu falei de seleção. Acho que não vou participar no próximo, uma pena, pois acredito muito na causa.
    bjs

  33. alhos Says:

    Ricardo
    O ideal seria achar um caminho que não implicasse perda de qualidade e permitisse agregar público. Daí – sempre me pareceu – a proposta da Restaurant Week. No entanto, como vemos pela informação da Fernanda, talvez a própria organização tenha outro conceito sobre o evento.
    Abraços!

    Fernanda
    Vai entender…
    Também acho que a causa é boa – para todos os lados.
    Lembro da primeira vez que freqüentei uma semana dessas: não era a Restaurant Week ainda. Foi em 98, ano da Copa da França e os restaurantes serviam o menu por 19,98, em alusão à data. Fui a vários que não conhecia e, de parte desses (a parte boa, é claro), me tornei, depois, freqüentador regular.
    Não é essa a idéia?
    Beijos!

  34. Ricardo Reno Says:

    Comilão,

    Creio que nunca chagaremos a um consenso sobre o assunto. Acho difícil os restaurantes aliarem preços baixos com qualidade alta. Principalmente pela técnica empregada nos pratos. Não vemos ninguém no Mcdonalds experimentando hamgurger toda hora para saber o ponto da “carne”. Discutir um prato somente pelo valor dos ingredientes empregados é simplista demais.

    Abraços

  35. alhos Says:

    Ricardo
    Você tem razão.

    Mas quando falo em “achar um caminho”, penso em restaurantes que cobram preços que me parecem adequados.

    Dando nome aos bois: o Così, de que já se falou bastante aqui (para rimar). O Sal, que representa o sentido do bistronomique: serve comida muito boa a preços honestos. A Tappo, o Maní, o Picchi ou o Marcel – não são baratos, mas valem cada um dos reais lá gastos e você percebe a qualidade dos ingredientes, a técnica, a execução, o controle da qualidade e o serviço. Estou citando apenas restaurantes à la carte, freqüentados por um público que pode pagar em torno de 100-150 reais/pessoa (sem vinho).

    Se baixarmos a faixa de preço, há os exemplos do Sinhá (e não é porque o Julinho escreve aqui que o cito: vou ao Sinhá quase desde a abertura), do Osório, do Pitanga.

    Cito os que me vieram à cabeça rapidamente. Para dizer que é possível ir em busca desse padrão 100 reais/pessoa e sair satisfeito.

    Abraços!

  36. Ricardo Reno Says:

    Comilão,

    O Sinhá e Pitanga são buffet e creio que os custos são completamente diferentes dos restaurantes a la carte, embora a comida seja de primeira qualidade. Se uma refeição vale cada centavo ela é honesta, independente se podemos pagar ou não. Quem já tentou fazer um “simples” ovo poché uma vez, sabe das dificuldades e dos aprimoramentos que são necessários para se cozinhar todos os dias com o mesmo padrão e dedicação.

  37. Julinho Says:

    Muito obrigado pela citação. Mesmo. Após 3 anos de árduo trabalho o Sinhá começa a ser reconhecido, e isso é muito gratificante.
    Mas falando também em Tappo, você já provou o pato de lá? Ontem jantei isso e passei muito bem!
    Abraço!

  38. alhos Says:

    Ricardo
    Claro, por isso separei os que trabalham com bufê (o Osório, também).
    E como andam sua busca do Graal-pochê?
    Abraços!

    Julinho
    Merecido.
    Nunca comi o pato da Tappo (“pato da Tappo” parece trocadilho). Na próxima vez, experimento.
    Abraços!

  39. Ricardo Reno Says:

    Comilão,

    Tenho evoluído, o aspecto não tem ficado tão ruim, e o ponto mais constante.Por enquanto dei folga para meu colesterol e galinhas. Posso não conseguir o ovo perfeito mas o acento não erro mais…rsrs.

    Abraços

  40. mdv Says:

    Por acaso entrei há pouco num post do blog do Boni (ex-Globo), e ele dizia que o restaurante citado é o melhor do mundo para quem gosta de peixes. Boni é amigo dos dois sócios (Maguy Le Cozze e Eric Rippert); abs atrasados M

  41. alhos Says:

    Mdv,
    tudo bem?
    O Bernardin é mesmo incrível. E Ripert está por lá continuamente, entre a cozinha e o salão. Não “no laboratório” ou na propaganda de batatinha industrializada.
    Abraços!

  42. tadzio Says:

    mas de vez enquando ele faz uma ponta no programa do anthony bourdain😀
    e sempre esbanja simpatia sem afetação.
    A ultima aparição foi no especial sobre food porn, muito bom. Ele fez um capellini com alguma coisa tentadora e muito caviar.
    Abs. Tádzio

  43. alhos Says:

    Tadzio,
    tudo bem?
    Ripert ocasionalmente participa do júri do Top Chef também.
    Abraços!

  44. Fabio T. Says:

    Oi alhos,

    ainda nao havia lido esse post seu. Adoramos nossa ida lah em abril tambem!
    Se tiver tempo, escrevi sobre o que comemos em
    http://chowhound.chow.com/topics/704181?tag=boards;topic-704181
    Abracos,
    Fabio

  45. alhos Says:

    Fabio,
    tudo bem?
    Obrigado pelo link. Gostei.
    O Bernardin é um exemplo de elegância sem esnobismo, de busca da perfeição sem que a empreitada pareça acintosa. Sobretudo, come-se maravilhosamente lá.
    Abraços!

  46. Fábio Says:

    Alhos,
    estou indo para NY em breve e gostaria que você me fizesse um imenso favor: selecionar 3 dos restaurantes da lista a seguir que mais te fazem salivar!
    Restaurantes da minha lista: le bernardin, per se, daniel, gordon ramsay, marea, aquavit, jean georges, bouley, prune, babbo, adour, blue hill.
    Queria visitar todos (sério??), mas nesse caso, teria que vender meu rim..ou meu pulmão.
    Obrigado de antemão!
    Abs.

  47. alhos Says:

    Fábio,
    tudo bem?
    Resposta difícil…
    Não conheço alguns dos restaurantes que menciona.
    Dentre os que conheço, não teria qualquer dúvida em colocar Le Bernardin na lista dos obrigatórios. E deixaria o Daniel – que para mim foi uma decepção – de fora.
    As outras duas vagas teriam disputa.
    Nunca fui ao Gordon Ramsay nem ao Per Se e acho que tenderia a elegê-los. Creio, porém, que você possa ter problema para conseguir reserva nos dois. Ambos exigem uma antecedência grande. Foi por esse motivo, inclusive, que nunca fui a eles.
    Se for impossível o Ramsay e o Per Se, recomendo muito o Aquavit e o Prune – o Prune, inclusive, é relativamente barato. Dá tranquilamente para ir sem sacrificar algum órgão vital… rs
    Abraços e boa viagem. Depois conte como foi!

  48. Fabio T Says:

    Estive no Le Bernardin semana passada; continua delicioso. Estive tambem no Jean-Geoges, adorei. Se o Fabio acima ainda nao tiver ido, recomendo o almoco no Jean-Geoges que custa 32 dolares para 2 pratos e 16 dolares para cada prato a mais.
    Abcs.

  49. alhos Says:

    Fabio,
    tudo bem?
    Obrigado: bom saber.
    Preciso voltar logo a NY…
    Abraços!

  50. Fábio Says:

    Olá Alhos,

    Obrigado pelas dicas sobre NY!
    Tive um excelente jantar no Le Bernardin..tudo impecável do começo ao fim, do couvert aos petit fours. E, felizmente, ao contrário da sua experiência, jantei muitíssimo bem no daniel e nos outros restaurantes do boulud. Cada um com a sua própria identidade, focado para o seu público. Óbvio que não dá para fazer uma comparação entre eles, mas o que eu menos gostei foi o db bistro moderne..
    Alhos, se você voltar a NY em breve, não deixe de planejar com antecedência uma reserva no Per Se. Estive lá em duas ocasiões durante a minha viagem, e com certeza lembrarei pelo esto da minha vida. A comida e o serviço são excepcionais..me arrisco a dizer que foi a melhor experiência gastronômica da minha vida, melhor do que a que eu tive no french laundry, do mesmo thomas keller. E isso em duas noites. Acho que não foi sorte.
    A minha outra dica é a degustação do Momofuku Ko, que parece mais um show, uma apresentação dos chefs a menos de 1 metro dos clientes.
    Bom, é isso. Só escrevi para compartilhar esses momentos de puro deleite gastronômico com você, já que só um apaixonado por comida conseguiria entender e captar o quão prazeroso pode ser um simples jantar para um mero comensal.

    Continue com seus textos, que com certeza há muitas pessoas que se identificam com eles! (myself included)

  51. alhos Says:

    Fábio,
    tudo bem?
    Obrigado por seu comentário.
    Que bom que tudo correu bem e que aproveitou muito.
    Não tenha dúvida: o Per Se não escapa da minha próxima visita à NY. Obrigado pela dica.
    Abraços!


Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: