SPRW: Porto Rubaiyat

04/09/2009

 

Alguém aqui não está entendendo direito o espírito da RW, e acho que sou eu.

Basta ver que me empolguei quando li a presença do Porto Rubaiyat na lista de restaurantes que participariam do evento, e com a proposta de oferecer seu bufê.

Liguei correndo e reservei: para as 19 de ontem.

No decorrer da semana, conversei com algumas pessoas e elogiei a idéia: me parecia uma valorização da semana e uma tremenda jogada de marketing. Diminuir a margem de lucro para conquistar maior público para seus pescados de primeira. Mostrar que a menor das casas Rubaiyat é um lugar agradável e que pode ser acessível.

A coisa começou a azedar quando estacionei o carro na porta, às 18h53, sete minutos antes do horário da reserva, debaixo de chuva e com a calçada parcialmente alagada. A casa já estava aberta, o porteiro confirmou. Mas não havia manobrista. Nem guarda-chuva. Nem boa vontade do porteiro de abrir a porta para minha mulher e minha filha descerem.

Esperamos cinco minutos no carro e ninguém apareceu. Manobrei, subi parcialmente na calçada para que elas descessem sem ter que pisar no aguaceiro (o porteiro prosseguia imóvel).

Minha mulher desceu, abriu a porta para minha filha (o porteiro, homem prudente, evidentemente não podia se molhar) e as duas entraram na casa.

Dei ré, engatei a primeira e segui em frente, em busca de lugar para estacionar. Vi um estacionamento e entrei. O rapaz me disse que não aceitava carros do restaurante e me orientou a deixar com o manobrista. Expliquei que não havia manobrista na porta. Ele então recomendou que eu fosse até o estacionamento do restaurante e deixasse o carro lá. Fui e estacionei no terreno amplo, onde não havia viv’alma. Junto com mais dois casais, contornei a rua, na chuva, até a porta da casa.

Quando cheguei, tentei explicar ao porteiro que havia deixado o carro no estacionamento. Ele se dirigiu ao manobrista, que chegava calmamente, e contou.

Então, meus caros, vi uma cena que nunca supus que veria nas casas de Don Belarmino. O manobrista abriu os braços e retrucou, irritado: “mas faltavam três para as 7, eu só começo a trabalhar às 7.”

O que você faria?

Na dúvida entre chorar ou brigar, preferi entrar no restaurante, relatar o ocorrido à recepcionista e reencontrar minha mulher e minha filha. Pedimos um Riesling e olhamos os peixes, bonitos, do aquário. Foi minha filha que me fez voltar a rir – como sempre faz.

Minutos depois, na mesa, e mais relaxado (após várias promessas e auto-promessas de que não estragaria mais uma refeição no dia), começamos a jantar.

A decepção, daí, foi ver que o bufê não era o que esperávamos, não era o que o Porto serve para seus clientes habituais (um deles, eu).

A mesa de frios era reduzida, mas oferecia alternativas. Não havia grelhados e a seção de pratos quentes era de chorar. Obviamente, nada de camarão ou similares. Uma paella (que já não é o forte da casa) claramente desfalcada de bichos. Um peixe (pescada?) num molho incerto (não arrisquei), umas lulinhas desamparadas (macias e insossas).

E não adiantava se guardar para a mesa de sobremesas porque esta também havia sido reduzida drasticamente. Algumas frutas, quindins (muito doces), brownie (ressecadas) e um crocante mil-folhas de doce de leite que foi a salvação da lavoura.

Saímos de lá levando, de lembrança, o sabor do vinho e a gentileza da recepcionista – que voltou a nos procurar durante a refeição e, ao final, insistiu que formalizássemos a reclamação.

Foi nossa terceira visita nesta RW.

Jacquin não foi Jacquin, mas serviu um peixe correto a preço correto. Antiquarius valeu pelo público e para nos lembrar que a casa gosta mesmo, e tão somente, de seus clientes cotidianos (a ex-prefeita, a apresentadora de TV & cia.).

O Porto Rubaiyat nos mostrou que estávamos entendendo erradamente o espírito da semana. O objetivo, ao que tudo indica, é aumentar o público, ampliar os lucros, mandar o padrão às favas (quem dera tivesse favas!) e corroer a própria imagem.

Acontece que sou um sujeito teimoso e irreversivelmente otimista. Irei a mais três restaurantes, antes do encerramento do evento. Ainda aposto na idéia. Apenas acho que escolhi errado. E o consolo é que os três que faltam são casas que estão na listinha dos meus dez restaurantes favoritos.

Como dizia uma antiga (e ufanista) campanha publicitária: tem que dar certo!

Porto Rubaiyat

Rua Leopoldo Couto Magalhães, 18, Itaim, SP

Tel.  11  3077 1111

Como chegar lá (Guia 4 Cantos): Porto Rubaiyat


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15 Respostas to “SPRW: Porto Rubaiyat”

  1. Leo Levorin Says:

    Olá
    As casas do Belarmino estão meio que jogada as traças. Tive um tratamento semelhante no Rubayat da Faria Lima (Fora do RW). Descaso, desatenção, higiene, etc. Uma pena era uma referencia em São Paulo.

  2. manuela Says:

    o bobó de camarão do capim santo vale a pena, o nhoque de banana tambem
    no boa eu comi melhor do que quando não tem sprw, valeu a pena
    o marcel tambem valeu
    acho que dei sorte

  3. alhos Says:

    Leo,
    tudo bem?
    Não freqüento o BBR da Faria Lima, mas minha experiência nas casas Rubayat tem sido oscilante.
    No geral, sucesso na Figueira e insucesso no BBR da Santos.
    Abraços!

    Manuela,
    tudo bem?
    Obrigado pelas notícias!
    Bom saber boas novas do Capim Santo. Gostava muito (mais do lugar do que da comida, por sinal) quando era em Pinheiros e tive experiências ruins no novo endereço.
    Fui ao Boa na última RW e também estava bom. Parece que acharam o tom.
    E Marcel é dos meus restaurantes favoritos. Acho que não irei lá desta vez, mas é sempre confiável.
    Abraços!

  4. Daniela Says:

    Almocei hoje no Marcel e foi impecável. O Raphael realmente entendeu o espírito da coisa. Os garçons estavam felizes com o movimento e foi bem bacana ver o restaurante lotado. Os pratos estavam deliciosos e com a rã de entrada e duas taças de vinho a conta foi mais barata que no Jacquin.
    Hoje à noite irei ao Picchi e ao Julia semana que vem.
    Abs,

  5. alhos Says:

    Daniela,
    tudo bem?
    Estou arrependido de não ir ao Marcel desta vez… O Marcel é o Marcel e o Raphael é muito bom.
    Depois conte do Picchi e do Julia.
    Beijos!

  6. Cristina Gu Says:

    Interessante o seu comentário sobre o buffet, porque fui hj lá na hora do almoço e foi EXATAMENTE a impressão que tive: eu mesma que nunca tinha ido à essa casa Rubayat percebi de cara a mudança para adaptação ao RW. Liguei para o lugar avisando que ia atrasar 15 minutos devido ao trânsito e a gentil moça me respondeu estupidamente que não iria guardar lugar e que a casa estava impossível. (impossível seria a grosseria dela)
    Mesmo assim não desisti da idéia, cheguei no lugar e sentei em menos de 10 minutos. No mínimo bizarro, para uma situação “impossível”, como ela havia descrito.
    A comida estava ok, mas nada além disso…. Acho que até valeu a experiência, mas acho que o evento está sendo essencial pra mostrar que mesmo esses lugares bons precisam de melhor treinamento dos funcionários.
    Abraços!

  7. alhos Says:

    Cristina,
    obrigado por seu comentário.
    O Porto é muito diferente em épocas “normais”. Normalmente vale a pena ir lá.
    Mas faltou, mesmo, adaptação adequada ao evento. E daí, em vez de adquirir novos clientes, perdem-se muitos.
    Abraços!

  8. paolanp27 Says:

    Olá Alhos!
    Poxa… não leio um comentário positivo do Porto na semana do RW! Q pena!
    Mesmo que a casa ofereça bons pratos fora do RW, não gasto meu dinheiro em lugares que não atendem bem o cliente.
    Ontem estive no Thai Gardens e passei nervoso… atendimento péssimo e pratos mal executados… rs
    Abraços!

  9. alhos Says:

    Paola,
    tudo bem?
    Apenas uma pessoa, que foi logo no início, elogiou o Porto na RW.
    No conjunto do evento, parece que eles não acertaram o tom, o que é uma pena.
    Outra coisa a lamentar é o atendimento que relata no Thai Gardens.
    Felizmente temos exemplos positivos, que mostram que o evento vale a pena.
    Abraços!

  10. José Luiz Says:

    Depois desta RW, o Porto vai falir. Aposto nisso desde o início da casa.

  11. alhos Says:

    José Luiz,
    tudo bem?
    Acho que não. E torço para que não.
    É um lugar que tem ótimos pescados – fora da RW.
    Gostaria, na verdade, que eles avaliassem a forma como participaram da Semana e, se voltarem a participar, que mudassem a proposta.
    Abraços!

  12. João Says:

    Oi,Alhos,

    é a primeira vez que comento e acho que o Porto tem algum problema, mesmo. Creio que é a desatenção da brigada. Fui lá na semana passada e me arrependi, pois gastei um dinheirão e o almoço não foi lá essas coisas. O sistema de buffet está matando a casa. A impressão que tive é que todo mundo prefere comer comida requentada a pedir o à la carte, o que tem tirado o timming da cozinha (meu prato demorou quase 50 minutos e nem era RW). Enfim, é uma pena, pois na primeira vez que fui, fiquei bem impressionado com a refeição. Espero que eles melhorem!
    Um abraço!!

  13. alhos Says:

    João,
    tudo bem?
    Uma pena mesmo.
    Sempre gostei muito do Porto: a menor e mais tranqüila das casas Rubaiyat, com peixes excelentes.
    Mas a última fez que comi verdadeiramente bem lá foi na metade de 2008. Depois (e descontado o desleixo da RW), sempre havia algo fora do prumo.
    Torçamos para que consigam se recuperar.
    Abraços!


  14. esse texto é a descrição da RW do Rio…

  15. alhos Says:

    Eugenia,
    tudo bem?
    Nunca acompanhei a RW do Rio.
    Resta a torcida para que os restaurantes se deem contam o mais rápido possível, da oportunidade que estão perdendo.
    Abraços!


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