Kidoairaku

25/09/2009

 

O Kidoairaku ainda não nos arrebatou, como fez com tantos e tão confiáveis amigos. Mas reconheço: apesar de um ou outro percalço, caminha para isso.

Reservamos para as 20h30 de uma sexta e chegamos dez minutos antes. Tudo tranqüilo: a reserva era desnecessária. Obviamente éramos os únicos a falar português por lá. Cumprimentamos niponicamente o pessoal e sentamos.

De saída, pedimos duas porções de komoti shishamo, peixinho cheio de ovas que impressionou o Luiz Horta. Desde que lemos sobre o komoti, minha filha não falava de outra coisa. Dos quatro que vieram à mesa, ela deu cabo de dois: cabeça, tronco e rabo. Gostosos, mas não chegaram a empolgar.

A anchova estava no ponto preciso e muito saborosa, mas o pedaço era pequeno e oferecia pouca carne. O otoro também decepcionou, rijo e em cortes irregulares. A terceira decepção ficou por conta do karasumi, salgadíssimo e ressecado.

O serviço, claro, foi péssimo: o garoto nos atendeu com uma mão enquanto segurava o celular com a outra. De vez em quando (bem de vez em quando, porque era raro ele passar perto da mesa e ainda mais raro nos ouvir) éramos forçados a pedir sua atenção e lastimávamos atrapalhar suas ligações. Mas, bem humorados, colocamos o episódio na conta do folclore.

Agora, problemas a parte, o uni e o peixe prego… Meus caros! Provavelmente o melhor uni que já comi em São Paulo: fresco, farto, delicioso. Todo mar. E o peixe prego chegou macio, untuoso e intenso no sabor. Foram as duas delícias da noite, que nos aproximaram mais desse endereço meio escondido e que está sendo cada vez mais revelado.

No final, com uma cerveja e águas, a conta ficou em 152 reais – que não é caro, nem barato.

Voltaremos, voltaremos. Quem sabe na próxima não consigamos mais sair de lá?

Kidoairaku

Rua São Joaquim, 394, Liberdade, São Paulo, SP

Tel.  11  3207 8569

Como chegar lá (Guia 4 Cantos): Kidoairaku


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19 Respostas to “Kidoairaku”

  1. Gourmet Blasé Says:

    Grande Alhos!
    Apesar do grande lobby via blogs e twitter, nunca pensei que você visitaria, e ainda mais, que fizesse um post sobre o Kido!
    O Kido e outros restôs da Liberdade possuem seu lado folclórico e pitoresco, o que completa o programa. O importante é a comida ser boa e não passarmos mal depois.
    Acho que cada um tem sua especialidade.
    Explore a Liberdade, vale a pena. A melhor Anchova/Espetinhos é sem dúvida no Kaburá, o melhor Gohan/Toro/Teishoku do Kido, o melhor Guioza/Lamen no Aska e o melhor Taksu no Katsuzen.
    Preciso pegar mais dicas com o JB, ele é O CARA quando se trata de Liberdade.
    Abs!

  2. Bronza Says:

    Alhos,

    Você sabe que de tanto ir ao Kidoairaku e recomendá-lo aos amigos chegaram a me perguntar se eu não era sócio do restaurante. Considerando o que já gastei por lá, talvez seja mesmo (sócio capitalista).

    O peixe-prego (“prego no missô zukeyaki”, como está escrito nas plaquinhas fixadas na parede do restaurante), delicioso, é o meu preferido. Sempre o indico quando me perguntam o que pedir no Kidoairaku. A combinação do peixe-prego com o nabo ralado banhado por shoyu e o ótimo Gohan servido lá é das melhores que comi este ano.

    Mas o peixe-prego está ali, ali com o atum no sumissô, a berinjela (cortada no sentido do comprimento e assada com uma fina camada de missô e sementes de gergelim por cima), a rabada, o tyutoro e as ovas de ouriço do mar.

    O ambiente é simples e o serviço não é profissional (com suas vantagens e desvantagens). Porém, quando Kaku-san tem à disposição bons ingredientes, a comida do Kidoairaku não fica devendo a nenhum dos badalados japoneses de São Paulo.

    Vale insistir, é mesmo uma comida arrebatodora.

    Abraços!


  3. Acho que você foi a primeira pessoa a reservar uma mesa no Kido. 🙂

    Volte sim. E experimente o gohan e o missoshiru de gente grande.

    Abração.

  4. alhos Says:

    Gourmet,
    tudo bem?
    Vou a todos os lugares. Vou e volto mais vezes.
    Freqüentei muito a Liberdade nos idos dos 80 e dos 90 – e o Kabura era um dos destinos habituais. Utimamente vou pouco lá. Preciso, sim, retomar os vínculos.
    Abraços!

    Bronza,
    pois é, você se tornou uma espécie de embaixador do Kido, no bom sentido, e respeito seus vínculos comerciais com a casa (brincadeira, brincadeira…). Seus comentários pelo twitter foram decisivos para que eu voltasse lá.
    Percebi a informalidade do serviço e, por isso, levei na brincadeira o apreço do rapaz pelo celular.
    O prego é muito bom mesmo e certamente irei outras vezes.
    Abraços!

    Demian,
    tudo bem?
    Não precisava mesmo reservar. Mas restaurante e reserva são coisas indissociáveis para mim…
    Não comentei no post, mas gostei bastante do gohan e – ainda que não seja minha especialidade, nem esteja na lista das minhas cinqüenta preferências – tomei o missoshiro.
    Abraços!

  5. luiz horta Says:

    estive lá 5a e voltarei hoje. comi as coisas habituais e conheci uma lula inteira no sal, mais o pepino com misso caseiro e, pimba, sucumbi de novo.

  6. jb Says:

    alhos,

    tudo bem?

    falando em liberdade,

    você já comeu o joelho de porco do deigo?

    peça um dia junto com uma porção de gohan (tão bom quanto o do kidoairaku) pra acompanhar.

    e tem uma gelatina de laranja como sobremesa que é um negócio!

    abração!

  7. alhos Says:

    Luiz,
    uma lula inteira no sal? Uau! Preciso absolutamente prová-la!
    No Kido, sigo as trilhas do Demian, suas e do Bronza…
    Abraços!

    Julinho,
    tudo bem?
    Nunca comi o joelho ou a gelatina de laranja do Deigo. Já li sobre eles em se blog e fiquei com muita vontade de provar.
    Espero compensar essa falha em breve… rs
    Abraços!

  8. Fábio Says:

    Alhos,

    Acabo de voltar do Kidoairaku. Comemos a anchova e o tonkatsu, ambos no “formato teishoku”, com os acompanhamentos. A anchova não era das mais altas, mas estava muito saborosa e no ponto exato (bem úmida). O tonkatsu também estava ótimo. Descobri lá um tempero delicioso, a base de óleo de gergelim, pimenta e especiarias.
    O atendimento, bastante informal, foi atencioso.
    Voltarei com certeza.
    Abraços,

  9. alhos Says:

    Fábio,
    tudo bem?
    Obrigado pelo relato.
    O Kidoairaku merece muitas voltas…
    Abraços!

  10. eduluz Says:

    Alhos, por que será que a onda é descobrir lugares “escondidos” com atendimento ” folclórico” e depois, dizer por aí que em tal lugar é que se come bem?
    Continuo com a minha teoria: só eu sei o lugar que comerei bem!! Gosto de pistas, dicas e outras coisas, mas levar a sério uma pessoa que não tem o meu gosto??rs
    E tem mais. Não suporto comida japonesa e não faço a mínima questão de me aprofundar no tema.
    Agora, duvido que você iria em qualquer restaurante decente e acharia “legal” o garçon ( ou seja lá o que for) estar telefonando enquanto te atende?
    Kido, pra mim, só o Nacional !! rs
    Abs.

  11. alhos Says:

    Edu,
    tudo bem?
    Não achei legal o garoto servir falando ao telefone. Achei horrível, absurdo. Disse que coloquei “na conta do folclore” em função da peculiaridade do local (logo na entrada tem uma cama, etc.). Mas vale a pena conhecer a casa. Por isso dicas são boas: jamais chegaria ao Kido se não fossem as dicas do Bicho, do Horta e do Bronza. A partir da dica, vou lá e testo se minha opinião coincide ou não com a de outras pessoas, e por quê. No caso, coincidiu parcialmente. O uni e o prego são de fato memoráveis.
    Da, também, essa disposição de encontrar lugares novos ou não mencionados na mídia especializada. Junto com isso, a curiosidade e a peripécia de procurar restaurantes que cobrem preços justos pelo que servem.
    Finalmente: acho que o problema da comida japonesa em São Paulo é que os bons restaurantes são raríssimos e caros. A maioria dos japoneses é muito ruim e, a bem da verdade, não tem nada de japonês. É difícil imaginar algo mais estranho à alimentação oriental do que, por exemplo, o malfadado rodízio de sushi.
    Abraços!

  12. paolanp27 Says:

    Olá Alhos
    Bom, ainda não fui ao Kidoairaku, mas definitivamente atendimento bom não é a grande qualidade dos restaurantes da Liberdade.
    Ah! E odeio o Aska q todo mundo gosta…
    Me senti em um filme do Tarantino pelo ambiente… ehehehe
    Boas explorações pelo bairro!

    http://localdagula.wordpress.com

  13. alhos Says:

    Paola,
    hahaha, nem de longe…
    É verdade: a ficção policial americana à la Raymond Chandler e Dashiell Hammett e sua recuperação posterior pelo cinema determinaram em definitivo nossa visão de alguns restaurantes japoneses e chineses.
    Também não sou fã do Aska, mas porque (confesso, confesso) lamen não está entre os meus cem pratos favoritos. Vou lá de vez em quando porque minha filha e mulher adoram.
    Abraços!

  14. Carola Says:

    Oi Alhos,

    Sou um pouco fiel ao Shin Zushi, mas a ultima conta eu quase cai !
    Fui no Makoto Sushi na Liberdade, o Makoto é sobrinho do dono do Shin Zushi e o Samuel foi sushiman anos de lá tb!
    Recomendo, fica dentro do hotel Nikkey!

  15. alhos Says:

    Carola,
    tudo bem?
    Ainda preciso ir ao Makoto.
    E é verdade: o Shin-Zushi está cada vez mais caro. Se não controlarmos os pedidos, as coisas ficam feias.
    Abraços!

  16. Jefferson Says:

    Comilão, (acho estranho escrever “Alhos”, plural, pensando se tratar de uma pessoa só)

    Moro perto do Kidoairaku, mas a fachada antes pouco convidativa (toda pichada e tal) me fez desistir da idéia de visitar o lugar…uma pena! Só muito tempo depois resolvi visita-lo e me dei conta do tempo perdido. Isso me fez lembrar de uma amiga, japonesa, que dizia confiar mais nos japas feiosos, que nos arrumadinhos..
    Das vezes em que fui lá, a comida esteve sempre muito boa, e acho que vale conhecer cada prato, e perceber que a comida japonesa vai muito além de lamen e sushi. O serviço realmente fica devendo em agilidade, mas nem me incomoda. Pra mim, até que faz setido com o ambiente (atendimento familiar, salão pequeno e recortado, pôsteres, uma cama!).
    Enfim, tudo isso pra dizer que depois dessa experiência, fiquei pensando: como saber (sem indicações) que um restaurante vai agradar, corresponder às expectativas? Alguns sinais podem dar dicas, mas acredito que não haja uma regra. O que torna o ato de ir a um restaurantes desconhecidos uma espécie de aventura (às vezes, aventura MESMO).

    Abraços

  17. alhos Says:

    Jefferson,
    tudo bem?

    Há coisas bem interessantes no Kidoairaku e outras que atrapalham muito. No nosso caso, dividir a atenção do rapaz com o telefone atrapalhou bastante, junto com o tamanho reduzidíssimo das porções (no caso da anchova, foi incrível). Tomara seja melhor nas próximas vezes.

    Há muito de aventura mesmo na descoberta de alguns lugares. E de decepção, em outros. Hoje proliferam em São Paulo casas novas, arrumadinhas, bonitinhas, moderninhas. Mas com péssima comida. E, quase sempre, caras.

    Acho que nunca se comeu tão bem em São Paulo e, ao mesmo tempo, nunca se comeu tão mal em São Paulo. Dicas são importantes para descobrir onde se consegue comer bem e de onde se deve passar longe. Mas nada garante – fora, claro, o próprio paladar.

    Abraços!

  18. YumiNaMesa Says:

    Oh, não! Pessoas como você, que não se apaixonam pelo Kidoairaku, existem???

    Levei meu avô, que disse que a comida de lá é “mais ou menos”. Creditei esse comentário mal agradecido à velhice dele.

    Eu sempre fui bem atendida lá, mas eu sei quem é esse rapaz do celular… Foi um que, ao perguntarmos se ele falava português, nos respondeu com um sonoro “Hai!” (sim, em japonês). Hahaha!

    Mais engraçado que isso, só o Doraemon que fica bem na porta!

  19. alhos Says:

    Yumi,
    tudo bem?
    Pois é, existem… rs
    Não desgostei, mas tampouco me empolguei. Voltei lá depois da visita comentada no blog e comi melhor.
    Mas (e agora creio que vou chocá-la definitivamente) ainda não entra na minha lista dos top(digamos)fifty.
    Abraços!


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