Dos doces

09/11/2009


Carlos Dória falou de doces em seu blog.

Duas vezes em uma semana.

Na primeira, lembrou como as sobremesas de nossos restaurantes apelam, (quase) sempre, para a infantilização do gosto e ficam bem abaixo do nível dos pratos principais.

Na segunda, reagiu contra a pressa e a banalização dos doces. Concluiu com uma aclamação que subscrevo com ênfase: Que tal recusar o lixo da pâtisserie desde já? Digo, os ingredientes como o leite condensado, a nutella, a margarina, o sorvete de creme industrial, o excesso de açúcar…”

Se conseguíssemos a abolição da nutella, do malfadado sorvete de sei-lá-que-creme e da margarina, já daríamos um belo passo. E olhe que esse “lixo” todo está no cardápio de vários restaurantes metidos a gastronômicos.

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28 Respostas to “Dos doces”


  1. Alhos,

    obrigado pela menção. Acho que é mesmo chegada a hora de uma “cruzada do doce”. A maldita Nutella, que foi criada como rebaixamento do chocolate em tempos de guerra; o maldito leite condensado, que contamina o receituário de norte a sul do país, já não têm nada mais a nos acrescentar.
    Abraços,
    Dória

  2. alhos Says:

    Dória,
    torçamos, torçamos para que as coisas mudem.
    Abraços!

  3. Roberta Sudbrack Says:

    Assino embaixo!
    Aliás, o que esse cara diz é pra assinar e reverênciar…Abraços Alhos!

  4. alhos Says:

    Roberta,
    obrigado por seu comentário.
    Sigamos em frente.
    Abraços!

  5. Luiz Says:

    Alhos, muitas vezes desanimo em pedir sobremesas. Mais do mesmo.
    Agora, me permita mencionar as sobremesas do Sinhá. Aquele tiramissú de rapadura e aquele Mousse de chocolate amargo é coisa séria. E sem invencionices.
    Sigamos.

    Abraço !

  6. alhos Says:

    Luiz,
    tudo bem?
    Concordo plenamente. Os doces do Sinhá são muito bons: equilibrados e saborosos. E a preço baixo.
    Porque o preço é também um assunto sério. Na semana passada, almocei num restaurante a que não ia fazia tempo. Pensei em pedir sobremesa. Olhei o menu e quase todos os doces custavam acima de 30. Obviamente, fiquei apenas com o café, paguei a conta e fui embora.
    Abraços!

  7. Adrina Says:

    Aqui em BH cobram 20 reias por um petit gatou com sorvete industrializado…

  8. Camila Hessel Says:

    Antes de ler o comentario do Luiz pensava justamente no Sinha… o cheesecake de abobora é a melhor sobremesa que comi nos ultimos meses – assim como o maravilhoso pain perdu do ICI Bistro.

  9. alhos Says:

    Adrina,
    tudo bem?
    Fuja…
    Na verdade, petit gâteau bom é raro. Por esse preço, o único conselho é fuja…
    Abraços!

    Camila,
    tudo bem?
    Há boas sobremesas em São Paulo, sim. E casas que respeitam a doçaria. As que cita, por exemplo. Com facilidade dá para lembrar de mais algumas (Arturito, AK, Chef Rouge, as casas Fasano, etc.). Mas, infelizmente, elas são minoria. Há muito oportunismo e descaso na área.
    Recentemente comi sobremesas horríveis em três restaurantes muito prestigiados da cidade (Carlota, Kinoshita e Maní). E não foram exceções.
    Creio que o surgimento de boas docerias em São Paulo (Sódoces, Douce France) expôs mais a fragilidade do trabalho com doces nos restaurantes.
    Abraços!


  10. Alhos,
    discordo. NÃO EXISTE PETIGATÔ BOM! Está no DNA da coisa, foi fruto de um erro..rs

  11. alhos Says:

    Carlos,
    ainda vou insistir um pouco. Quem sabe? rs
    Abraços!

  12. kaki Says:

    PETIGATÔ….adorei!
    Se escrevessem asism mesmo quem sabe esse doce e muitos outros não ganhariam alguma personalidade ?

  13. alhos Says:

    Kaki,
    tudo bem?
    Uma boa idéia seria traduzir os nomes de alguns pratos em escrita fonética.
    Já que raras vezes eles aparecem grafados corretamente nos cardápios (já notou, por exemplo, a incrível quantidade de variações de “belle meunière”?), os restaurantes deviam mandar brasa nas traduções. rs
    Abraços!

  14. Adrina Says:

    Eu fujo, certamente. Não acho justo pagar 20 contos naquilo.

  15. alhos Says:

    Adrina,
    tudo bem?
    Acho que é essa a política mesmo: evitar consumir quando a relação de preço não parece justa.
    Abraços!

  16. eduluz Says:

    E por essas e outras que só peço sobremesas em restaurantes quando parecem boas/diferentes demais.
    Quanto aos cardápios, como é bom ir a um restaurante e ver/ler um pouco de História bem escrita e descrita, né?
    Acabei de postar sobre o Brasil a gosto e ele é um bom exemplo desta categoria. Também não decepciona nas sobremesas além daquele sorvete cremoso de máquina que é (afetivamente) muito bom.
    Abs.


  17. Olá Alhos!
    Também acho tudo muito doce sempre. Mas não acredito que abolir o leite condensado, por exemplo, seja a solução – ele está em coisas muito queridas, como o brigadeiro – mas sim ter mais opções para paladares menos adocicados. Não sou muito dadas às sobremesas (desestimulada pelo excesso do “doce” talvez), mas a última que comi e que estava muito boa foi o cheese-cake de tofu do Aizomê, feito sem massa alguma. Uma delicadeza! abraços!

  18. jb Says:

    alhos,

    tudo bem?

    muito obrigado a todos pelas citações das minhas sobremesas!

    procuro cobrar um preço compatível com o valor do meu buffet.

    gosto bastante do pudim de leite condensado daqui…rs

    quanto à praga do petigatô, confesso que gosto da versão do marcel, mas é o único.

    e os doces do arturito realmente são divinos…

    abraços!

  19. alhos Says:

    Edu,
    tudo bem?
    Concordo com sua cautela. Meu problema é que, por excesso de formiguice, muitas vezes não resisto e peço…
    Tenho gostado muito do Brasil a gosto. E tem boas sobremesas mesmo.
    Abraços!

    Marina,
    tudo bem?
    Também gosto do cheese-cake de tofu do Aizomê.
    E acho que, mais do que abolir, é importante diversificar e zelar pela qualidade. Trocar a Nutella, por exemplo, por um bom creme de chocolate com avelã.
    Abraços!

    Julio,
    tudo bem?
    Nunca comi o petigatô (a grafia pegou!) do Marcel. Dificilmente resisto ao suflê de cupuaçu…
    Suas sobremesas são muito boas e a preço excelente. Merece as referências elogiosas e os parabéns. A minha preferida é o tiramisù de rapadura.
    Abraços!

  20. manuela Says:

    o petigatô é um bolinho de chocolate com calda dentro, nada mais que isso, eu acho que como trabalhar com chocolate não é facil e petigatô é uma sobremesa com chocolate relativamente facil de fazer muitos restaurantes o adotaram, outros preferem a famosa torta quente de chocolate. Eu acho que são muito poucos os restaurantes que fazem algo realmente interessante com chocolate em sp, um deles é o marcel e seu petigatô.

  21. alhos Says:

    Manuela,
    tudo bem?
    Pois é, preciso experimentar este do Marcel…
    E concordo: são raríssimos os restaurantes paulistano cuja doçaria está no mesmo nível do restante do cardápio.
    Abraços!

  22. Vanessa Says:

    Discordo que exista tanto petit gateau nos restaurantes por ser fácil de se fazer. Acredito mais que nosso paladar não distingue aquilo que é “doce” do que é “sobremesa” e o proprio cliente acaba exigindo um petit gateau por ser um standart do que se vende como “sobremesa”.
    Portanto, não seguimos realmente o nível do resto dos pratos, não somente por uma falta de técnica, assim como o medo de não atingir o ponto de saturaçao do paladar doce. O costume de se querer comer algo que seja tão doce que de até dor de cabeça está entre nós e não será mudado de um dia pro outro (mesmo com a crucificaçao do açucar pela sociedade e pelo perfil estético que buscamos).

  23. alhos Says:

    Vanessa,
    obrigado pro seu comentário.
    Concordo com você: há muita coisa envolvida e determinadas práticas culturais prevalecem.
    Abraços!

  24. manuela Says:

    Vanessa,
    discordo que o açucar seja o vilão da obesidade e dos problemas que vem com ela ( diabetes, colesterol etc.) tudo depende da quantidade, você pode comer um docê muito docê , é só não comer muito.Pesquisa recentes apresentadas no congresso mundial de diabetes em montreal tem mostrado que o grande vilão é a comida industrializada, o sedentalismo e o desequilibrio nas refeições.

    Acho tambem que não necessariamente o docê menos docê é melhor do que o docê mais docê, depende. Nos paises arabes o doce é muito doce e não é consumido na sobremesa, na sobremesa se come fruta. O doce é consumido com café sem açucar e bem depois.

    O que não podemos ter é verdades absolutas, isso é bom ou isso é ruim, depende da maneira que foi feito e podemos ter um docê bom com muito açucar.

  25. alhos Says:

    Manuela,
    tudo bem?
    Creio que a questão central é a qualidade do doce. E a rejeição ao uso indiscriminado de produtos (em geral, industrializados) que simplificam o preparo e sacrificam o sabor e a variedade de opções.
    Abraços!

  26. Vanessa Says:

    Oi manuela, eu nao comentei sobre obesidade ou de o açucar ser o vilão. Falei que existe uma sociedade que crucifica o açucar (assim como a gordura, sal, carboidratos) e por isso se privam de algo(muitas vezes o doce). Se leres novamente falei exatamente o que o alhos comenta acima também, e que o paladar brasileiro já pede algo mais doce, e por isso, pedimos esse doce extra. O que acho mesmo é que esse extra muitas vezes pode deixar de lado o sabor (como por exemplo acontece com o sal quando comemos algo demasiado salgado). O que seria um desperdicio, afinal nos alimentamos pelo sabor também e não somente por recargas energeticas. Também sou nutricionista (pelo o que eu notei tu também) porém trabalho na gastronomia, e vou achar sempre que o equilibrio em tudo é o que levará realmente ao prazer de se alimentar e bem (em qualquer sentido que seja).

  27. alhos Says:

    Vanessa,
    defendamos sempre o sabor!
    Abraços!

  28. manuela Says:

    Voce esta certa vanessa
    só acho que o fato de ser mais doce ou menos doce não significa que seja melhor ou pior
    voce pode alcançar o equilibrio comendo uma quantidade menor se o doce for muito doce


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