Prêmio Paladar 2009

26/11/2009

Em setembro foram entregues os prêmios da Veja São Paulo — Comer & Beber. Ontem à noite foram distribuídos os do caderno Paladar.

Prêmios, em qualquer área, são referências. São sistematizações.

Por isso, exigem regras prévias que classificam e generalizam: tornam possível a comparação. Afinal, sob olhar rigoroso, tudo pode resultar, numa perspectiva ou noutra, incomparável. O mesmo vale para listas de “melhores livros”, “melhores discos” ou “melhores restaurantes”.

Daí precisarmos abstrair diferenças. Se não o fizermos, viveremos — tal qual Funes, famoso personagem de Borges — num mundo de individualidades absolutas e de pleno relativismo.

Prêmios também implicam inclusões e exclusões. E são sempre passíveis de críticas e rejeições.

Quando se limita tanto — caso do prêmio Paladar, que determina um conjunto fechado de 50 e poucos pratos, 30 e poucos restaurantes — é possível fazer uma longa lista do que não podia ter ficado de fora e perguntar o motivo de certas escolhas.

Quando se abrange tanto — caso do prêmio da Veja SP, que define um universo amplo de restaurantes: quase tudo que há na cidade — é possível questionar a diversidade de critérios em que os jurados se baseiam e duvidar se todos de fato conhecem todos os lugares.

A concepção dos dois prêmios é diversa. O da Veja supõe a presença constante e regular dos julgadores nos restaurantes: trabalha a longo prazo e fotografa com grande angular. O do Paladar valoriza o aqui e agora e fotografa com zoom.

Pessoalmente gosto de ambos. Porque ambos são o que prêmios são: referências.

Não à toa, a Veja SP Comer & Beber virou o verdadeiro guia gastronômico da cidade e o Paladar virou revista para ser melhor guardado. Não à toa, são respeitados dentro e fora da área.

Mas é óbvio: nem todos concordaremos com seus resultados. Sempre há o desconforto com uma ou outra escolha — ou com todas.

Na Veja, que elege “restaurantes”, suponho que o voto deva considerar tudo: da hora da reserva à saída do restaurante. A comida é fundamental, mas não é o único objeto de avaliação. E isso é bom. Porque comer fora envolve um conjunto grande de movimentos — além, claro, da mastigação. Um mau serviço ou um atendimento displicente pode jogar fora a boa qualidade da comida.

No Paladar, que elege “pratos”, creio que deva se restringir ao que foi comido. E, dadas as características do prêmio, naquele dia e naquele horário. O entorno continua importante e merece ser declarado, mas não pode determinar a escolha.

O primeiro “comentário blogueiro” aos resultados do Paladar 2009 destacou a diversidade da opinião dos eleitores. Acho que a variação de voto — e falo aqui especificamente como jurado dessa edição do prêmio, e não como teórico do assunto — resultou, em muitos casos, da irregularidade de nossos restaurantes. Pelo menos quatro pratos que receberam votos — um deles foi o vitorioso em sua categoria — estavam intragáveis em minhas visitas.

E se prêmios são referências, esta é uma questão séria que mereceria melhor discussão. Pagamos 60, 70 reais por um prato e ele pode chegar à mesa cheio de sabor ou totalmente sem gosto. Temperado na medida exata ou carregadíssimo de sal. Claro que todos podem errar e sempre é possível devolver. Mas onde está o controle de qualidade dessas casas? O próprio crítico do Estado, Luiz Américo, falou recentemente disso em seu blog.

Outra questão que o rali do prêmio Paladar levanta — ou, pelo menos para mim, levantou — vem da má qualidade de muitos dos pratos provados. Havia dias em que eu chegava em casa arrasado. Ok, o dinheiro desperdiçado não era meu. Mas quantas vezes já saí de restaurantes com a sensação de injustiça? E quantas pessoas não são lesadas dia-a-dia?

São Paulo tem restaurantes incríveis. Come-se muito bem por aqui, apesar das altas contas. Mas tem também muita coisa ruim, embalada em decorações modernas e bacaninhas.

Também por isso prêmios são referências. Para que as pessoas normais (ou seja, todas aquelas que não vão a 30 e poucos restaurantes diferentes no prazo de 17 dias) tenham alguma base na hora de escolher onde farão aquele jantar da sexta à noite ou onde comemorarão os dez anos de casamento.

Por isso, guardo a edição anual da Veja SP Comer & Beber. Por isso, guardarei a do Paladar.

No final das contas, entre abstrações, generalizações, inclusões e exclusões, calculo que todos ganhamos com a sistematização de avaliações e as comparações que os prêmios oferecem. Desde que, claro, não acreditemos que o gosto e a experiência alheia possam substituir a nossa.

Dois comentários para encerrar.

Primeiro. Um júri popular elegeu o melhor couvert. Claro que também entrei no site do Paladar e dei meu votinho eletrônico. Dividido entre meus dois couverts preferidos (Picchi e AK), acabei por votar no AK.

Segundo. Não vou reproduzir aqui os comentários sobre 50 e poucos pratos que provei. Todos os textos de todos os jurados estão (ou estarão) na página do Paladar — os elogiosos e os críticos, os que levaram o voto e os que não o levaram. Mas me dou o direito de deixar aqui quatro listas:

— a dos melhores pratos que provei durante a maratona;

— e, triste, a dos piores;

— a dos restaurantes que visitei nessas semanas e, hoje, tenho a impressão de que não consigo viver sem eles;

— a dos restaurantes a que não tenho, hoje, qualquer vontade de voltar.

Alguns discordarão. Claro. E ainda bem. Eu mesmo posso, amanhã, discordar. Ainda bem.

 

Os doze melhores pratos (e até arrisco dizer que estão em ordem de classificação — se é que isso é possível):

1. Raviolini de pato, do Fasano (o melhor de todos; de vez em quando ainda fecho os olhos para pescar, semanas depois, um pouco de seu gosto);

2. Paleta de cabrito, do Gero

3. Moules & frites, do Ici

4. Ravioli de quiabo e frango, do Pomodori

5. Pain perdu, do Ici

6. Porco à moda caipira, do Pomodori

7. Paleta de cordeiro, do Maní

8. Robalo com caruru, do Tordesilhas

9. Ovo mollet empanado com purê de pupunha e molho de cogumelo, do Così

10. Tutano, do Ici

11. Arroz Maria Isabel, do D.O.M.

12. Spaghetti ao vôngole, do Marina de Vietri

 

Os dez piores pratos (em ordem alfabética; em alguns deles, erros graves de execução):

— Barriga de porco, do Vito

— Cassoulet, do Freddy

— Costeleta de cordeiro com batata gratinada, do Due Cuochi

— Explosão de chocolate, do Carlota

— Feijoada com carpaccio de pé de porco, do Maní

— Filé au poivre, do La Casserole

— Lasagna alla bolognesa, do Aguzzo

— Moti recheado com chocolate, do Kinoshita

— Rosbife em crosta de lapsang souchong, do Maní

— Tartare de vieira com cítricos, do Eñe.

 

Os quatro restaurantes a que quero voltar logo — até porque o serviço está à altura da maravilhosa comida:

— Fasano

— Ici

— Gero

­— Pomodori

 

Os quatro restaurantes a que talvez demore a voltar — até porque, nos três primeiros casos, a comida, mesmo quando boa, foi azedada pelos erros graves de serviço:

— Due Cuochi

— Le Marais

— Emiliano

— Carlota

 

Comentários de outros blogueiros-eleitores:

Que bicho

Neide Rigo

 


Anúncios

29 Respostas to “Prêmio Paladar 2009”

  1. Ricardo Oliveira Says:

    Alhos,

    Ótima a sua descrição da vejinha e paladar, mas o que mais me deixou feliz é saber que irá voltar ao ‘Gero e Pomodori, duas das melhores casas….Como pode o Due Cuochi ganhar melhor italiano na vejinha?!?!?!Teve até voto para o Tappo,são ótimas casas, mas não estão no mesmo nível das duas citadas acima.

    Abs.

  2. alhos Says:

    Ricardo,
    obrigado por seu comentário.
    Acho que os votos revelam experiências diferentes. É difícil avaliar de fora.
    Acho que temos alguns bons restaurantes italianos em SP – e incluo a Tappo e o pouquíssimo citado Picchi nesta lista. Até recentemente nunca havia feito uma boa refeição no Pomodori. Creio que muita coisa mudou por lá, e melhorou muito.
    Due Cuochi, para mim, ainda é um enigma. Nunca fiz uma refeição maravilhosa por lá. Fiz algumas boas e outras ruins. Ao contrário do que sempre se fala de lá, acho bastante irregular. Mas não acho que tantos possam estar errados. Prefiro acreditar que dei azar e torcer por melhor sorte nas próximas vezes.
    Abraços!

  3. manuela Says:

    Oxala todos jurados de tantos guias ( veja, prazeres da mesa, guia 4 rodas etc) fossem sérios e criteriosos como vocês são.

    Em uma sociedade dominada pela midia um voto a favor ou contra tem uma influencia determinante na vida de quem trabalha nos restaurantes.

    Guias mal feitos e jurados despreparados não fazem só um dessereviço a quem lê mas podem acabar com carreiras promissoras de um lado e criar mitos de outro.

    Por isso parabens ao paladar por ter jurados realmente preparados com vocês alhos e o luiz americo.

  4. alhos Says:

    Manuela,
    obrigado.
    Saí com impressão muito boa da convivência, mesmo pequena, que tive com os demais jurados do Paladar.
    Em qualquer área, uma dose de bom senso, outra de cautela e umas três ou quatro de respeito fazem muito bem. Quando envolve divulgação midiática – caso desses prêmios – o cuidado tem que ser ainda maior.
    Abraços!

  5. Fernando Says:

    Parabéns pelo texto, pela participação e pelo equilíbrio nas avaliações. Concordo com muita coisa do que esta escrito, mas tenho uma dúvida: o que aconteceu de ruim no Le Marais? Tenho ido muito a casa e sempre com boas experiências. E um adendo: o blog do Dória já esta com um texto sensacional sobre prêmio. Must read. Abraço.

  6. manuela Says:

    Fernando
    Eu quase nunca consegui achar o texto do Dória bom, muito menos sensacional,esse mesmo achei bobo
    O Dória é prolixo e seus argumentos são quase sempre falhos
    Não entendo porque prestar atenção nele
    Diria que é o Belluzo da gastronomia, a mascara do Belluzo caiu, daqui a pouco cai a do Dória

  7. alhos Says:

    Fernando,
    obrigado. Li o texto do Dória e coloquei um link para ele, neste texto.
    O caso do Marais foi um dos “Relatos edificantes”, post de umas semanas atrás: https://alhosepassas.wordpress.com/2009/11/03/relatos-edificantes/
    A comida estava boa (fora a sobremesa), mas nos incomodou a acintosa displicência do maître. Ele poderia simplesmente ter recusado nosso pedido. Aceitou-o e o ignorou.
    Abraços!

    Manuela,
    gosto do trabalho do Dória e o respeito muitíssimo. Ele é mestre.
    Abraços!

  8. Pepino! Says:

    Ótima votação!
    Também guardo todas edições da Veja SP Comer & Beber e a uso como norteadora de várias de minhas refeições.
    Adorei o trabalho de vocês e fiquei com vontade de conhecer muitos lugares que não conhecia.
    Agora também guardarei o Paladar para me ajudar nas minhas aventuras gastronômicas!
    Parabéns!
    Pepino!

  9. alhos Says:

    Pepino,
    obrigado por seu comentário.
    Há muita coisa boa a ser explorada – dentro e fora das listas de “melhores do ano” e de “vencedores”.
    Para usar um exemplo simples: o spaghetti ao vongole, do Marina di Vietri, uma cantina simples de bairro, foi um dos melhores pratos que comi durante as avaliações.
    Por isso, é bom guardar a Comer & Beber e o Paladar. Ao longo do tempo, é interessante comparar. Gosto muito, por exemplo, de repassar os “chefes-revelação” da Vejinha e ver quem ficou e quem sumiu.
    Abraços!

  10. Alfredo Eb Says:

    Alhos, saudações !
    Sou carioca, vivo no Rio e acompanho entusiamado o dinamismo da vida gastronômica de vocês, felizardos.
    Desculpe a impertinência, mas fiquei encanado com a classificação que você deu aqui ao prato de rosbife do Mani.
    Na premiação do Paladar o restante do juri foi tão enfático destacando a técnica e as qualidades do mesmo que apenas a irregularidade da cozinha soa como um argumento meio fraco para justificar avaliações tão opostas.
    Houve um erro tão crasso na concepção ou no preparo? Ou teriam o humor do dia ou mesmo o gosto pessoal uma influência maior nessa impressão ? Diz aí, vai.

    Abraço.

  11. manuela Says:

    Alhos
    Para mim esse “concurso” do paladar foi o que reuniu o maior numero de jurados idoneos e preparados de todos “concursos” já realizados em sp.

    E a conclusão que eu chego analisando o resultado e os comentarios dos jurados é que a rede Fasano é de longe a que melhor representa SP em restaurante e gastronomia.

    Vejo tambem que os 4 restaurante que meu jurado favorito ( os alhos )escolheram para voltar tem pouca ou nenhuma influencia de:tecnicas da cozinha espanhola contemporanea, apelo a ingredientes de belem do para,apelo a “brasilidade”

    Acho que esse pode ser um marco da volta da gastronomia paulistana para o que é São Paulo , uma cidade de imigrantes e migrantes e cosmopolita em sua a natureza.

    O proximo passo seria passar a referenciar Salvatore Loi como o grande chef de São Paulo e referencia a ser seguida.

    Assim como os grandes chefs de NYC não são necessariamente americanos ( Jean George, Daniel etc) não vejo problema em nossa grande referencia ser Sardo.

    O Fasano é uma instituição paulistana , e representa muito mais o meu Brasil do que o Dom por exemplo.Alias, em que outra cidade do mundo que não fosse São Paulo poderia existir um Fasano ?

  12. alhos Says:

    Alfredo,
    tudo bem?

    Não quis entrar em detalhes em meu post, pois os comentários de cada prato serão publicados na página do Paladar.

    Mas adianto aqui o que me incomodou no prato do Maní.

    Creio que não foi questão de gosto. Respeito e admiro a cozinha de Helena Rizzo, e lá provei um dos meus “top ten” do prêmio, a paleta de cordeiro.

    Em primeiro lugar, não consegui entender – e talvez seja limitação minha – o conceito por trás do prato. Especificamente do acompanhamento, uma salada de batata com ovos ralados por cima. A batata e o ovo, bastante secos, traziam tempero discreto e sabor insosso. Não havia integração entre eles (como há numa salada de batata com ovo comum). Tampouco dialogavam com a carne – nem por semelhança nem por contraste: eram dois elementos à parte no prato. A explicação, dada pela garçonete, de que era “releitura e desconstrução do churrasco” não ajudou. Esse vocabulário carregado cheio à gastronomia após ter sido testado e utilizado largamente na crítica literária e na filosofia. Nos dois campos, porém, implicou esforços e volteios conceituais consideráveis, que chegaram ao auge na década de 1960, talvez 70. Depois, viraram palavras ocas e muitas vezes banalizadas. Nada impede que sejam novamente recheadas de conteúdo. Muitas vezes são, inclusive na gastronomia. Mas isso não ocorreu neste caso. Ao perguntar o que significavam as expressões, ela apenas repetiu: “ah, releitura e desconstrução”. Fiquei mesmo sem entender.

    Em segundo lugar, a carne não tinha gosto algum. Nada, nada. E esse problema (do ingrediente? do preparo?) foi notado por outros jurados. Creio que os comentários destes colegas de júri, quando publicados na página do suplemento, indicarão a mesma coisa.

    A boa idéia do prato, a meu ver, é a crosta de chá em torno do rosbife. Creio que ela deveria ter a função de somar e variar aromas e sabores, contribuindo com algum tostado. No que comi, isso não acontecia. O chá não se fazia notar, embora visualmente resultasse bastante bonito e simulasse a marca do fogo na carne.

    Em resumo: 1) não compreendi a concepção e a casa, por meio de sua porta-voz circunstancial, não pôde me esclarecer; 2) o prato não tinha gosto.

    Por isso falei em irregularidade. Ao ler os comentários de alguns colegas – creio que a maioria – percebi que o que lhes foi oferecido diferia do que eu e alguns outros jurados havíamos comido. Pode ser irregularidade da cozinha ou dos ingredientes de que ela se vale.

    Abraços!

  13. alhos Says:

    Manuela,
    obrigado por seu comentário e por me chamar de “jurado favorito” (uau!)

    Em parte discordo, em parte concordo e em parte me surpreendo.

    No que discordo: creio que era o menos preparado dentre todos os jurados. Meus colegas tinham mais experiência e conhecimento – e lhe garanto que isso não é modéstia, falsa ou verdadeira. Sou sujeito de outra área, de outro mundo, de outros saberes. Minha voz no júri era a voz de cliente, mais do que de especialista.

    No que concordo: Fasano e Salvatore Loi são hors-concours. Não tenho qualquer dúvida de que em nenhum lugar da cidade se come tão bem quanto lá e que a precisão de Loi é incomparável. Ela é notável mesmo no Gero e no Parigi, casas que têm seus próprios chefs, bastante competentes. Há um problema, no entanto, e todos sabemos qual é, o preço.

    No que me surpreendo: de sua percepção (que eu não tivera) de minha preferência por restaurantes, digamos, mais tradicionais. Sim: Fasano, Gero, Ici e Pomodori podem ser considerados dessa forma no atual panorama. Mas creio que o que está em jogo em todos eles, mais do que a tradição, é a capacidade de estabelecer diálogos entre tempos. Há obviamente inovações em quase todos os pratos citados. Mesmo nas tradicionalíssimas moules do Ici. Evidentemente no recheio de quiabo da excelente massa do Pomodori ou na transformação do pato com laranja em raviolini. O único que é absolutamente tradicional é o cabrito do Gero. Mas, em SP, ele traz o incomum de oferecer… cabrito, e não carneiro fantasiado.

    Brincadeiras à parte, poderíamos ultrapassar a antiga dicotomia do arcaico e do moderno e perceber que essas posições não fixas nem exclusivas. Os trabalhos de Loi, de Novak e de Rueda (para ficar nos nomes em jogo) têm mostrado isso e é bom.

    Agora, do que gosto mesmo? De variar. E essa foi a grande coisa de ter ido a tantas casas em tão pouco tempo.

    Abraços!

  14. manuela Says:

    Alhos
    Especialistas ou não , do que eu leio vocês e o Luiz Americo são os melhores.

    Em nenhum momento eu achei que vocês preferem restaurantes tradicionais. O Ferran Adrian é o chef mais reverenciado do mundo, disso não tenho duvida, mas para ser moderno você não precisa copiar o que ele faz.

    Como você mesmo disse o Loi , o Novac e o Rueda são modernos e nem por isso são discipulos da cozinha moderna espanhola.

    O marco que eu me referi é que nós estavamos vivendo na ditadura de tres carcteristicas para ser considerado moderno e até brasileiro : usar ingredientes do norte , usar tecnicas e termos da nova cozinha espanhola e usar de uma “brasilidade” a la poliquatro quaresma.

    São Paulo é uma cidade que poderia ter muitos restaurantes “fusion” , mas “fusion” virou sinonimo de cafona e copiar o Ferran Adrian usando ingredientes do Para é legal.
    O Ferran Adrian , como eu disse é reverenciado no mundo inteiro, só que em São Paulo chegou em um nivel só comparado com a Espanha.
    São Paulo com seu cosmopolismo combina muito mais com o Jean George por exemplo, mas aqui ele seria considerado cafona com sua cozinha “fusion”

  15. alhos Says:

    Manuela,

    eu queria, sim, menos idolatria e mais diálogo. Diálogo ocorre lado-a-lado; idolatria é de baixo para cima.

    Só não tirem meu cupuaçu!

    Abraços!

  16. manuela Says:

    Alhos
    não entendi o que você quis dizer

  17. alhos Says:

    Manuela,
    é, ficou vago mesmo.
    Frase completa: eu queria menos idolatria diante da cozinha “adriàtrica” e mais diálogo com todas as cozinhas possíveis.
    Abraços!

  18. manuela Says:

    Alhos
    Você dialoga com um artista , o Ferran Adrian é muito mais quimico do que artista

    Assim como nossos chefs são muito mais artesões do que artistas

    Do jeito que você coloca parece que o ravioli do rueda ou o mexilhão com batata do ici são obras de arte, eu acho que não são

    Um bom chef antes de “dialogar ” com Adrian tem que ser criterioso para servir produstos frescos, bem combinados e no ponto

    Frequentando os restaurantes votados no paladar eu percebo que nem sempre isso acontece,mas os blogs e os criticos pouco reparam nisso

    Vocês não acham que existe uma glamorização excessiva em relação a chefs de cozinha ?

    Em outras palavras : Ferran Adrian não é Duchamp e Jeferson Rueda muito menos é uma Adriana Varejão

    Para terminar

    o que eu vejo são chefs que são bons profissionais, mas não são artista, ou são no maximo artistas razoaveis, sendo tratado como grandes artistas por uma critica que tambem não tem nivel para ser critica de arte

    Gostaria muito de saber o que vocês acham disso

  19. alhos Says:

    Manuela,

    acho que já respondi aqui a pergunta semelhante – sua mesmo, se não me engano.

    Não acho que gastronomia seja arte, nem ciência, embora possa (e deva) procurar referências de ambas.

    Não importa que Adrià tenha sido convidado para a Documenta: não foi sua presença lá que alterou o estatuto de seu trabalho ou que redefiniu o conceito de arte.

    Mas é exatamente nesse ponto que empacamos: o que é arte depois das (vamos lá, vamos lá) desconstruções operadas pela pop art & Cia. Ltda? Não sei responder. E acho que a crítica de arte, no Brasil, tampouco sabe ou quer definir seu domínio estrito de ação. Até porque ela não é tão melhor do que a gastronômica – e isso não é um elogio à crítica gastronômica.

    Abraços!

  20. manuela Says:

    Alhos
    Depois do Duchamp realmente fica dificil afirmar o que é arte e o que não é

    Gosto tambem é algo dificil de discutir
    Mas se o ravioli do Rueda fosse uma tela, Quanto você pagaria por ela ?

    Agora Alhos, com todo respeito que eu tenho pela critica gastronomica, não da para comparar :

    Antonio Gonçalves com Luiz Americo
    Ferreira Gullar com Josimar Melo
    Agnaldo Faria com Ricardo Castanho
    Rodrigo Naves com Alexandra Forbes

    Mas tanto Luiz Americo, Josimar Melo , Ricardo Castanho e Alexandra Forbes tratam os chefs como se fossem grandes artistas

    Eu não quero discutir o que é arte, mas sim o porque existe tento gramour em relação a chefs de cozinha, porque bom profissionais, artesãos de seu oficio são tratados com grandes artistas

  21. alhos Says:

    Manuela,

    adorei as correlações e fiquei muito curioso de saber em que área você trabalha.

    Acho que o glamour que cerca as representações da gastronomia tem a ver com moda. Ponto. Passará. E voltaremos a chamá-los de bons (ou maus) cozinheiros.

    E não sei cotar as telas-pratos. Mas o ravioli do Pomodori e o do Fasano valem exatamente o que custam. E isso é um elogio, considerando que poucos pratos em SP valem de fato o que custam.

    Abraços!

  22. Semiramis Says:

    Olá Alhos,

    Descobri o seu blog pelo site do Estadão, pelo Prêmio Paladar, e adorei! Parabéns pelos textos super detalhados.

    bjs

  23. alhos Says:

    Semiramis,
    obrigado!
    Abraços!

  24. Cássio Says:

    Critica a Criticos !!!!!

    Ola alhos…. td bem ??

    Bom sou um viciado em sushis e restaurante japones. Fui em todos os indicados ao premio e fiz a minha propria eleiçao, e depois comparei com os da paladar,vi tbm os comentarios de todos os criticos. Achei o de vcs o mais convincente parabens pelo paladar apurado e a percepçao em saber e sentir a linha de trabalho de cada restaurante ( hoje em dia muito importante ).
    Falhas de criticas:
    Shin zushi Caro ????? e o jun é barato ?????
    quase todos comentaram o preço do shin zushi, por q nao comentaram o preço do Jun ???
    Do Huto falaram que o arroz nao era bom mas os peixes frescos e VICE- VERSA. Fiquei assim ????????????????????????
    Hamatyo tamanho do sushi q sao grandes e tal… e do jun que diminuiu BEM….
    DIficil entender criticos !!!!

    Abraços !!!!

  25. Luis Says:

    Alhos
    vi que você gostou do Ovo Mollet do Cosí. E por acaso me chegou o link com o vídeo da receita do Ovo Mollet do Cantaloup. http://www.youtube.com/watch?v=Z83pEfjedno
    Espero que aprecie.
    Abraços!

  26. alhos Says:

    Cássio,
    obrigado pelo comentário.

    As regras do prêmio estabeleciam que comêssemos quatro pares de sushis de peixes equivalentes em todas as casas. A diferença de preços entre o Shin Zushi e os demais foi bastante grande.

    No Shin Zushi, os preços das unidades variavam de 15 a 23 reais. Sim: cada unidade de sushi de toro (mais fibroso do que um toro deve ser) custou 23 reais. No total, os quatro pares deram pouco mais de 140 reais (sem 10% ou bebidas). No Jun, as unidades custaram entre 6,50 e 18 e os quatro pares, juntos, somaram pouco mais de 80 reais (também sem 10% e bebidas). Preço equivalente ao do Hamatyo e só um pouco inferior ao do Kinoshita e do Huto (perto de 90). Ou seja, o Shin Zushi foi mesmo muito mais caro que os demais. O Jun, na verdade, foi o mais barato dentre todos – e isso não é uma surpresa. Claro que a degustação de lá é cara, mas comer sushis na mesa pode sair mais barato do que em muitos restaurantes japoneses menos badalados.

    Cada jurado foi num dia diferente. No caso de peixes, isso pode significar diferenças muito grandes. O arroz, por outro lado, não devia sofrer grandes variações. Os peixes do Huto de fato estavam sem gosto no dia em que fui. Outros tiveram mais sorte.

    Abraços!

  27. alhos Says:

    Obrigado, Luis!
    Abraços!

  28. Ju Tedesco Says:

    Alhos!

    Fui ontem no Adega Santiago e…que polvo!!! Adorei!!! Já estava com vontade de conhecer o lugar por causa dos comentários do Bicho (aliás, incríveis os churros), e depois que vi seu voto me animei ainda mais.
    Minha meta agora é ir ao Ici, que ainda não conheço…!

    abraço!

  29. alhos Says:

    Ju,
    delícia, não é?
    Polvo tão bom quanto o da Adega Santiago só no Arturito e no Sal.
    Vá ao Ici. Vá mesmo.
    Acho que hoje (e, claro, depois do Fasano, que é hours-concours) é o melhor restaurante de SP.
    Abraços!


Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: