Sob o olhar de San Gennaro

21/02/2010

 

O nome do chef não poderia ser mais simbólico: Gennaro del Vino.

Gennaro, santo protetor de Napoli.

Vino, santo de toda parte.

Gennaro del Vino é chef da Cantina del Sole, no centro histórico da mais caótica cidade que já visitei.

Fomos lá duas vezes. Na primeira, optamos pelos menus-degustação de terra e de mar: saladinha verde, entrada, prato principal & sobremesa.

Minha filha e minha mulher preferiram o mar de Napoli; eu me mantive aterrado ao solo vizinho do Vesúvio.

O menu de mar iniciava com pasta ai frutti di mare, com uma quantidade incrível de vongoli fresquíssimos. Arrebatador.

Prosseguia com uma dorata grigliata simples, boa, precisa: mar sólido deslizando pela boca.

Meu menu da terra abria com um gnocchiete de abóbora e provola: daquelas massas que, haja o que houver, você não esquece.

E o prato principal, ah, o principal, era composto de uma lingüiça rústica, caseira, acompanhada de mil-folhas de berinjela e molho de tomate ácido no início,  adocicado ao final. Tomate a ser celebrado em prosa e verso. Lingüiça fabulosa, paradoxalmente carnuda e delicada.

Os doces foram torta caprese com chocolate amargo e amêndoas e pannacotta com frutas vermelhas. Boas? Não, ótimas. A delicadeza da pannacotta devia ser ensinada via satélite a todos que a servem mundo afora.

Nesse dia, tomamos um Irpinia Aglianico de Vila Raiano 2003 que fez bonito sem inflar a conta. Na sobremesa, Donnafugata Moscato di Pantelleria Kabir, que era pêssego, pêssego e pêssego.

Claro que voltamos, dias depois, quando tínhamos que nos despedir de Napoli.

Dessa vez, fomos pelo cardápio, mas mantivemos o vinho, só variando o produtor: Irpinia Aglianico Tauri 2006, de Antonio Caggiano. Não empolgou como o anterior, mas não fez feio.

Comemos um pouco de tudo.

De entrada, um delicioso robalo defumado com finnochieto. Depois, repetimos a incrível pasta con frutti di mare.

Pedi uma vitela na grelha, perfeita, que tinha a simplicidade a que só se arrisca o chef que tem consciência da qualidade de seus ingredientes.

Mas o astro da noite foi o linguini ao Vesúvio, com camarões, vongoli, pinoli, abobrinha e passas. Decisivo.

Fechamos com uma quase overdose de pannacotta com frutas vermelhas, acompanhada de moscato di Pantelleria da Vinícola Miceli-Tanit.

Napoli pode até ser um caos ininterrupto. Mas, sob a proteção de San Gennaro e com a cozinha de Gennaro del Vino, bem que vale a pena.

Cantina del Sole

Via Giovanni Paladino 3, Napoli


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2 Respostas to “Sob o olhar de San Gennaro”

  1. José Luiz Says:

    Se passarem por Amalfi, não deixei de conhecer o Zaccharia, o restaurante que fica no lugar mais improvável do mundo e que, para os que tem a sorte de conhece-lo, faz a melhor cozinha da região. Vá no menu, diga que foi indicado pelo Miguel Reale Jr., e escolha entre branco ou tinto. Se não for o melhor jantar/almoço da viagem, eu pago a conta…. Passando o Luna Hotel, ao lado do tunel… (Da Zaccaria also piqued my interest when I saw it mentioned on MArio Batali’s site. It is next to the tunnel connecting Amalfi with Atrani). http://www.mariobatali.com/exploreitaly_campania.cfm

  2. alhos Says:

    José Luiz,
    obrigado pela dica.
    Desta vez, já voltei; na próxima, a aproveitarei.
    Abraços!


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