De volta ao Arturito

07/05/2010

 

Há restaurantes que se estabelecem rápido e depois definham. Há aqueles que duram o tempo de um abrir e fechar de olhos. E há os que param no tempo, como se suspensos no ar.

Outros, porém, ganham corpo, solidez e sua comida vai se tornando uma necessidade para comensais comilões. É o caso do Arturito.

Voltamos lá há cerca de duas semanas e, passado o choque de saber que o magret defumado de pato saíra do cardápio (por quê? Por quê?), pedimos duas entradas que nunca tínhamos comido: minha mulher escolheu o pupunha chapeado com migalhas de pão italiano; eu fiquei com as molejas assadas na lenha, acompanhadas de gremolata e echalotas em conserva.

O pupunha tinha o adocicado gentil que certos palmitos atingem quando bem tratados; a untuosidade das molejas contrastava com a suavidade das echalotas, cuja delicadeza se contrapunha ao alho candente da gremolata. Porções grandes, e minha mulher brincou que já podíamos ir pedindo a conta: depois do bom couvert (que pães, que pães!) e daquelas entradas, a fome já estava saciada.

Não queríamos, porém, só comer; queríamos diversão e prazer. Daí pedirmos o polvo e o nhoque de ricota de búfala como pratos principais.

O polvo era exato: farto e chapeado, vem com batatas e aïoli. Macio, bem temperado, sabor intenso do bicho e da chapa. Uma delícia.

O nhoque decepcionou um pouco. As bolinhas de ricota, embora agradáveis, ficavam abafadas pela boa e forte linguiça da casa. Prato gostoso, mas ligeiramente desequilibrado.

Já estava bom, não estava? Na teoria, sim, mas não dá para perder uma chance de aproveitar a ótima pâtisserie da casa. Então, dividimos o mastodôntico e extraordinário mil folhas.

Refeição perfeita? Quase. A comida se firma, cada vez mais, como uma das melhores de São Paulo. Mas um restaurante não se limita aos pratos que serve e o Arturito ainda tem muito para ajustar no serviço, que prossegue desatento, e na acústica: com a casa cheia, o barulho é ensurdecedor.

A conta também sai inflada: nosso jantar, acompanhado só de água, beirou os 200 reais por pessoa. Acima da média, mesmo numa cidade cuja restauração se habituou a praticar preços estapafúrdios.

Tomara ajustem logo esses desequilíbrios (e aproveitem para colocar maiúscula no nome da rua, erradamente grafado no site) porque a comida, ah, meu amigo, a comida…

Arturito

Rua Artur de Azevedo, 542, Pinheiros, SP

tel.  11  3063 4951

Como chegar lá (Guia 4 Cantos): Arturito


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27 Respostas to “De volta ao Arturito”


  1. […] https://alhosepassas.wordpress.com/2010/05/07/de-volta-ao-arturito/A comida se firma, cada vez mais, como uma das melhores de São Paulo. Mas um restaurante não se […]

  2. Eduardo Luz Says:

    Alhos, a Sra Passas parece a minha mulher,a Dé. Depois das entradas, quer ir embora do restaurante.rs
    Fomos ao Arturito logo após a inauguração. Achei caro, escuro e barulhento.
    Fizemos um curso na Spicy com a Paola há uns 2 meses e ele disse que estava mais claro e menos barulhento. Falei que íamos lá novamente, mas ainda não aparecemos.
    Você tá dizendo que tá caro e barulhento. Continua escuro?
    Abs.

  3. Joaquim Says:

    Alhos ,considero o Arturito o melhor restaurante de SP,a última vez que lá estive comi um menu parecido com o seu ,as molejas estavam divinas ,as linguiças idem ,o pato defumado também,mas o polvo foi uma grande decepção,duro e ao mesmo tempo chicletudo.Eu enviei o polvo de volta para a cozinha , a sub ,que no dia estava como responsável pela cozinha já que Paola estava de folga jantando com o namorado no salão,desceu ,concordou com a observação e gentilmente se retirou sem oferecer nada em troca,eu então pedi uma sobremesa estupenda.O polvo devolvido ,voltou galhardamente na conta ,como se nada tivesse acontecido .Enquanto isso ,há dois atrás vou ao OLympe no Rio,o peixe pedido passou do ponto ,Troisgros vendo o problema ,pessoalmente foi para a beira do fogão refazer o pedido ,veio no ponto e delicioso.Moral da história 😮 diabo mora nos detalhes.

  4. alhos Says:

    Edu,
    tudo bem?
    Continua muito caro e muito barulhento. A luz felizmente aumentou e a comida melhora cada vez mais.
    Abraços!

  5. Joaquim Says:

    Alhos ,acho caro ,mas não barulhento.Considero o Arturito ,o melhor de SP,apesar de alguns desencontros do restaurante ,como cobrar por comida devolvida.A comida de Paola é inusitada e profundamente gostosa,poucos restaurantes conseguem alcançar o seu nível,mas o último polvo que lá comi ,era uma sola de sapato ,apesar da sub considerar que houve erro na execução ,cobrou pelo prato devolvido.Como não sou barraqueiro paguei a conta ,mas não esqueci a ofensa.

  6. mdv Says:

    Deu pra entender que foi uma entrada e um prato (além de uma ou duas águas) para cada um, e a conta chegou a quase 200 mangos per capta. Decontando o serviço, não dá para pensar num prato por menos de 110 reais e uma entrada de uns 35, seria isso?? Caro pacas, tem que ser muito bom mesmo, mas parece que nem é tanto… Melhor o Tatini! abraço

  7. alhos Says:

    Joaquim,
    tudo bem?
    Não sei por quê, sua mensagem foi parar nos spams; só a vi agora e recuperei. Desculpe-me, por isso, a demora na resposta.
    Li seu relato sobre a história do polvo no blog do Julio Bernardo. Lamentável. Daquelas bobagens que algumas casas cometem e não podem acontecer. Nessa semana vivi algo relativamente parecido com isso no DOM, mas conto depois. Os nomes que diferenciam este tipo de atitude da do Troisgros são respeito e profissionalismo.
    Acho que então não dei sorte. Em todas as minhas visitas à casa, o barulho era grande.
    Dessa vez, chegamos lá cedo, casa quase vazia, música altíssima. Aos poucos, foi enchendo, abaixaram a música, mas o ruído das conversas se misturava e ressoava, tornando quase impossível conversarmos.
    No que se refere à comida, acho que o Arturito é, digamos, um dos top five da cidade. No conjunto “restaurante”, que inclui custo x benefício, ambiente, atendimento e tudo mais, ainda não entrou nos meus top ten.
    Abraços!

    MDV,
    tudo bem?
    Os pratos são caros, sim, inclusive as entradas. Mas não chegam a cem reais.
    Para chegar aonde chegou, além do que elencou, essa conta incluiu ainda couvert e sobremesa. As sobremesas do Arturito estão entre as melhores, maiores e mais caras da cidade.
    Abraços!

  8. Joaquim Says:

    Alhos,desculpe também pela repetição ,meu computador não acusou que o outro comentário tinha já sido enviado.Eu creio que muitas vezes nós confundimos barulho com alegria ,descontração ou vida .No caso do Arturito eu gosto daquela agitação ,mostra que as pessoas se divertem no ambiente.Recentemente foi inaugurado o Astor no Rio ,casa lotadíssima ,agitação a mil ,mas notava-se que o barulho era saudável ,era de gente feliz .Ao contrário ,vivi em Lisboa uma situação diferente ,na tradicional Cervejaria Ramiro ,o barulho era ensurdescedor ,garçons jogando pratos no balcão ,bandeijas sendo batidas com força ,mesas sendo empurradas e limpas com pressa .Em suma ,saí de lá com dor de cabeça .No entanto ,reafirmo o que eu disse anteriormente ,o Arturito,mesmo com todos os problemas ,é o melhor restaurante de S.P.

  9. alhos Says:

    Joaquim,
    nenhum problema, não se preocupe.
    Achei bonita sua diferenciação de barulhos e tendo a concordar com ela. Mas quando é excessivo, mesmo se alegre, me incomoda. rs
    Abraços!

  10. jb Says:

    seo alhos e seo joaquim,

    sobre barulho…

    independente do incômodo causado, acho que a casa tem que ter um som coerente.

    pastelaria tem que ter barulho (e cheiro) de pastelaria, restaurante chique tem que ser mais silencioso e por aí vai…

    o arturito é um lugar badalado, com meia luz e tem que ter aquele barulho mesmo (que eu também não gosto rs)

    inclusive era mais barulhento, e a paola já melhorou bastante o ambiente.

    mas, na verdade, o que me motivou a comentar nesse post é a oportunidade de elogiar mais uma vez a comida de paola carosella.

    como é bom o arturito!

    essas noites mais frias me dão uma puta vontade de comer aquela rabada maravilhosa de lá.

    e estou na expectativa da volta do magret, do coelho e do ceviche de ostra.

    mas é imprescindível citar que paola não tira simplesmente produtos do cardápio.

    ela troca por outras coisas tão gostosas quanto. vocês que comeram as mollejas (recém colocadas no menu) sabem do que falo!

    abraços a todos e longa vida à diva paola carosella e seu trabalho esplendoroso!

  11. alhos Says:

    Julio,
    tudo bem?
    O gozado é que, nessa última visita, a maioria do público tinha mais ou menos a minha idade – já às portas dos 50.
    A comida do Arturito está mesmo muito boa e as molejas foram deliciosas.
    Abraços!

  12. jb Says:

    alhos,

    comigo tá tudo bem sim.

    e a talitha tem feito arroz de pato quase todo domingo.

    mas sabe que em minhas visitas ao arturito, os clientes tinham a minha faixa de idade, ou seja, em torno de 21, 22 anos!

    abração!

  13. alhos Says:

    Julio,
    preciso voltar aí logo para comer o arroz de pato. Gosto muito dele.
    Abraços!

  14. Paola Carosella Says:

    Caro Joaquim
    Bom dia.
    SIceramente, fiquei horrorizada com a sua historia do polvo, nao por que ele estivesse duro, o que pode, as vezes acontecer com um polvo, mesmo apos todos os cuidados que nos temos na cozinha, mas com o fato de que o mesmo tenha sido cobrado.
    Fiquei horrorizada por que a minha politica, politica que foi passada mais de uma vez para o VIni, meu gerente, é a de FORMA ALGUMA cobrar pratos que presentem defeitos ou que o cliente nao coma por algum motivo.
    Estou muito brava agora com os meus funcionarios, ja que eles NUNCA foram treinados para responder de esa forma, e peço infinitas desculpas, e tenha certeza que os responsaveis serao punidos e que coisas assim nao aconteceram nunca mais no Arturito, esteja eu na sala, na cozinha, ou na feira.
    Peço, mais uma vez, as minhas mais sinceras desculpas.
    Paola Carosella

  15. alhos Says:

    Paola,
    embora tenha se dirigido exclusivamente ao Joaquim, interfiro e agradeço seu esclarecimento.
    Abraços!

  16. Paola Carosella Says:

    Obrigada Alhos pelo seu comentario sobre o Arturito,
    !
    Joaquim, aqui está o meu email pessoal
    paola.carosella@gmail.com
    si puder me escreve, queria conversar com voce !
    Muito Obrigada Alhos pela oportunidade .
    Bom dia !
    Paola Carosella

  17. alhos Says:

    Obrigado, Paola.
    Abraços!


  18. Discussão adulta e atitude exemplar da Paola. Fico feliz de ver uma conversa dessas na internet. Viva a liberdade de opinião e o direito de resposta.

    Abs

  19. alhos Says:

    Obrigado, Rafael.
    Abraços!

  20. Adrina Says:

    Que educação e profissinalismo da chef Paola. Certamente merce todos os elogios dispensados à comida do seu restaurante.
    Há um tempo atrás, me lembro de ter lido que o pessoal do “Que Bicho” teve uma experiência negativa no restaurante dela; escreveram sobre tal, a chef leu, respondeu e os convidou a voltar à casa, conhecer a cozinha e jantar novamente.
    Esse tipo de atitude deveria ser adotado por todas as casas, grandes e pequenas, com contas de 30 ou 200 reais por cabeça. Vida longa ao Arturito!

  21. alhos Says:

    Adrina,
    tudo bem?
    Os relatos do Bicho sobre as duas visitas estão lá no blog: http://quebichomemordeu.wordpress.com/tag/arturito/ São bem interessantes.
    Tomara que Paola Carosella consiga transmitir essa atitude à sua equipe e o Arturito se torne ainda melhor.
    Abraços!

  22. Sergio S. Says:

    alhos,
    ótimo o seu blog, parabéns!
    Minha noiva me mandou o link agora após o almoço e eu já devorei uma série de posts, como se não tivesse almoçado, hehe.
    Também moro nos Jardins e gosto de sair para jantar com ela pela região (não com a frenquência que eu gostaria por conta de compromissos profissionais).
    A julgar pelo que li, temos gostos bem parecidos na maioria dos casos, mas este não foi um deles. Infelizmente nossa experiência no arturito não foi positiva. Já faz alguns meses, e talvez o entupimento de clientes na casa tenha complicado o serviço e a comida (maldições da Vejinha…), mas o fato é que esperamos uma eternidade por tudo, não tivemos de longe uma experiência gastronômica satisfatória – culpa do polvo “solado” e de um peixe seco e totalmente sem gosto – e do barulho alto.
    A conta… enfim não posso concordar mais quando leio aqui que os restaurantes da cidade estão perdendo a noção. Mas há casos em que a gente dá de ombros e encara da mesma forma. Este infelizmente não foi um deles.
    Um abraço!

  23. alhos Says:

    Sergio,
    tudo bem?
    Obrigado. Leia e comente sempre que puder e quiser.
    Conheci o Arturito logo no início e fiquei incomodado com quase tudo: iluminação, barulho e péssimo serviço. Preferi não comentar na época – gosto de aguardar uns meses até que a casa se consolide.
    De lá para cá, muita coisa mudou. Ficou mais claro e ligeiramente menos ruidoso, embora o som continue alto demais para meu gosto.
    A comida melhorou: hoje é quase sempre muito boa, talvez das melhores de São Paulo. Mas há dias em que as coisas saem dos eixos e é difícil entender por quê. Amigos já relataram, no blog ou pessoalmente, problemas sérios no que foi servido. Irregularidade: o mal de tantos restaurantes brasileiros.
    O serviço raramente é atencioso; em geral, é distraído demais e – pode ser minha impressão – um pouco altivo.
    Espero que o Arturito se torne ainda um grande restaurante. Por enquanto, o vejo como uma casa em que se pode comer muitíssimo bem, mas cujo entorno não está à altura da comida.
    O preço dispensa comentários: é alto demais. Equivale ao de casas que oferecem comida melhor e mais interessante – como o Maní – ou melhor comida e melhor serviço, como o Fasano.
    E quando você cobra o mesmo que o Fasano, tem que oferecer o que o Fasano oferece.
    Abraços!

  24. Joaquim Says:

    Alhos ,voltei a S.P e retornei ao Arturito,antes passei 3 dias frequentando restaurantes japoneses,seguindo mais ou menos um roteiro retirado do blog do Julinho e fiquei maravilhado com o Shin Zushi , o Aizome e o Bueno na Liberdade.Quanto ao Arturito cada vez mais me impressiona a qualidade positiva da comida e o serviço desatencioso que é oferecido .O couvert pedido desde o início só chegou à mesa após o prato principal e os vinhos, juntamente com a água, só eram servidos após insistentes pedidos.Enquanto isso, a excelente chefe ,mais uma vez, namorava no salão.A casa estava cheia é verdade ,mas a mesa ao lado ,ocupada por um jvem casal ,reclamou do prato trocado ,do refrigerante que não chegava e da conta absurdamente alta.O Arturito é um bom restaurante ,mas é vísivel que não tem regularidade.

  25. alhos Says:

    Joaquim,
    bom tê-lo de volta em SP e no blog.
    Os peixes do Shin Zushi são excelentes, mas acho os preços de lá absurdos. Não gosto da prática de não colocar todos os preços no cardápio, nem de ser enrolado quando pergunto quanto custa o que estou pedindo. Já me cobraram 24 reais a unidade do sushi de um otoro mediano. É hoje mais caro do que o Kinoshita e o Jun – Jun que, por sinal, lhe considero superior.
    Meu vizinho Aizomê já me deu bons jantares e duas ou três decepções. Deixei-o de lado por um tempo, até que passe a irritação da última visita, quando levei amigos queridos lá e fomos todos muito mal tratados.
    Acredito que uma hora o Arturito se acerte e a casa fique à altura da comida lá servida. Talvez o sucesso de público e de crítica esteja nublando os problemas da casa e facilitando a manutenção dos preços exagerados. Tomara mude logo.
    Abraços!
    Abraços!

  26. Mario Sergio Says:

    Muito bom os restaurantes japoneses também! espero um dia poder visita-los]
    Abraços

  27. alhos Says:

    Mario,
    tudo bem?
    Desculpe-me, mas não entendi.
    A que restaurantes você se refere?
    Abraços!


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