O que é um bom serviço?

07/06/2011

 

O que é um bom serviço?

Para pensar sobre o tema, faço um breve relato.

Minha mulher, minha filha e eu no Kinoshita, servidos com cortesia limítrofe, atenção burocrática.

Nas duas mesas que nos cercavam — onde foram pedidos champagnes caros — o cuidado do serviço era notável. Bastava um leve gesto e nossos vizinhos tinham dois ou três garçons à volta. Sem contar a ininterrupta disposição do maître em comentar as qualidades da comida e da bebida que eles consumiam.

Não fiquei com inveja, não.

Ao contrário. Poucas coisas me desagradam mais do que serviço insistente, excessivo, rente demais.

Confesso, porém, que continuo a me surpreender com a facilidade com que algumas equipes de salão diferenciam quem supõem merecer dedicação daqueles a quem o básico, oferecido de cima para baixo, já basta.

Ambas atitudes, na prática, são erradas: são formas espelhadas do mesmo despreparo.

Já escrevi antes e repito: quando o conceito de república chegará a 90% dos restaurantes de São Paulo?

O assunto é o serviço, mas, para não deixar no ar, duas palavras sobre a comida, que teve poucos destaques: o sushi de carapau, o ótimo uni e as ostras suculentas.

Fora isso, estavam corretos o atum laminado com pepino e nabo e os sushis de buri, ovas de salmão, cavalinha e atum.

Dois erros básicos da cozinha: lâminas de salmão em caldo fortemente avinagrado e sashimi de vieiras em que o excesso de flor de sal na finalização encobria totalmente o gosto do fruto do mar.

Custo: quase 500 reais (bebida: água).

Talvez o pessoal das mesas vizinhas discordasse — afinal, cada qual é cada qual e recebe a atenção que aparentemente merece —, mas continuo a achar que a relação custo/benefício do Kinoshita é ruim.

E o serviço, no excesso e no descaso, é pior.

 

Kinoshita
Rua Jacques Félix, 405, Vila Nova Conceição, São Paulo
tel. 11 3849 6940

 

 

12 Respostas to “O que é um bom serviço?”


  1. Alhos, é uma pena mas essa des-serviço, posso chamar asssim? É comum em tantos lugares… em lugares que não a gente menos espera. Abraços, Adriana.

  2. Jose Luiz Says:

    Tenho saudade do tempo em que o Kinoshita tinha Liberdade. Mas o problema é recorrente, em inúmeros restaurantes da cidade.

  3. Renato Says:

    Alhos,

    concordo com você nesse post. Fui lá duas vezes e em ambas achei a mesma coisa:
    1) comida boa,
    2) atendimento com aquela simpatia exagerada, pegajosa, mas sem eficiência,
    3) preço astronômico.

    Abs!
    Renato

  4. David S. Says:

    Pra falar sobre esse assunto há que primeiro entender quem são as pessoas que te servem. Vamos lá. A grande maioria da equipe de salão é formada pelos migrantes nordestinos, semi analfabetos, que enxergam no restaurante apenas uma forma de ganhar um dinheiro, comprar uma coisinha lá no norte e voltar. Agora que a construção civil está pagando melhor que os restaurantes há muitos desses profissionais migrando de área.
    Uma mesa gastadora representa pra ele uma maior comissão de 10% e quem sabe aquele agrado por fora. É só uma questão de dinheiro, nada além disso. É como o tratamento vip que recebem os correntistas que tem mais dinheiro no banco.
    Infelizmente é a realidade do ramo, quem gasta mais recebe um tratamento melhor, a não ser que cometa o maior pecado para esses profissionais que é chegar minutos antes de fechar o restaurante.

  5. Henrique Says:

    Oi Alhos,

    última vez que eu fui a SP, o rapaz da concierge do hotel que costumo ficar disse que eu deveria ir ao Kinoshita.
    Depois ouvi falar muito bem da comida do Kinoshita em uma revista.
    Após este teu relato fiquei na dúvida se vale ir… Peço até uma dica de um bom japonês para quando retornar a SP – que espero que seja em breve.
    Aliás, antecipo a você que aqui no RJ, há um japonês que na minha opinião se assemelha ao seu relato e é um lugar super “da moda”: Sushi Leblon.
    Mas o que me assustou em seu relato foi a crítica em relação ao serviço. Sempre imagino que o atendimento em SP seja primoroso – principalmente, se comparar com o atendimento dos restaurantes daqui do RJ, que é em média bem ruim, e também devido ao padrão de um restaurante deste porte.
    Vivendo e aprendendo, né?
    Um abs

  6. fernanda Says:

    Alhos,
    Concordo com vc com preço X benefício. Embora, no Kinoshita, o grande destaque seja o super simpático Murakami.
    Quanto ao serviço é algo que me aborrece muito a diferenciação de atendimento. Soa um serviço “emergente” pelo preconceito com as pessoas. E muito chato e desagradável com o excesso de serviço.
    Abs,
    Fernanda Garcia

  7. alhos Says:

    Adriana,
    tudo bem?
    É verdade. Prestar bom serviço – e não fazer diferenciações entre os clientes – é uma obrigação de qualquer restaurante. Mas é especialmente grave quando ocorre numa casa em que supostamente se dá bastante atenção ao treinamento da equipe e que cobra 12% de taxa de serviço.
    Abraços!

    José Luiz,
    infelizmente não conheci o Kinoshita da Liberdade, de que já ouvi muitos comentários bastante positivos.
    E você tem razão: a falta de republicanismo é um problema recorrente nos restaurantes paulistanos.
    Abraços!

    Renato,
    pois é. Uma pena. Inclusive porque Murakami sem dúvida é um bom cozinheiro.
    Abraços!

    David,
    tudo bem?
    Não acho que haja qualquer relação entre esse problema e a origem regional ou o grau de instrução dos funcionários que atuam nos restaurantes.
    Ainda que houvesse, caberia à casa treinar seus funcionários para que atendessem correta e igualitariamente os clientes. Dessa forma, não ficaríamos a mercê das supostas vontades ou interesses individuais e teríamos maior profissionalismo na área.
    Abraços!

    Henrique,
    tudo bem?
    A comida do Kinoshita pode ser muito boa. Ou não – e é nessa irregularidade que reside o principal problema.
    Quanto ao serviço, creio que resulta de um problema mais geral e histórico: nossa boa e velha tradição patrimonialista, pré e anti-republicana. A forma de superá-lo inclui bom treinamento, e não aplicação de estratégias bajuladoras que, como diz um amigo, faz o serviço parecer “loja chique de shopping”.
    Fui duas vezes ao Sushi Leblon, já faz uns anos, e não gostei.
    O serviço dos restaurantes de São Paulo é irregular. Há exemplos de precisão e cuidado, mas existem muitos lugares, também, em que se perde a medida – para um lado (o descaso) ou para o outro (a bajulação).
    Aqui em São Paulo, a melhor comida japonesa, na minha opinião, se come no Jun Sakamoto (no balcão, os sushis preparados por ele mesmo; nas mesas, sushis e outros pratos preparados na cozinha) e no Shin-Zushi (desde que se tome muito cuidado com os preços, nem sempre expressos no cardápio e muitas vezes surpreendentes na conta). O Aizomê fica um pouquinho abaixo desses dois, mas é igualmente um ótimo restaurante. Outra opção é ir diretamente à Liberdade, bairro oriental de São Paulo, onde é possível encontrar bons restaurantes, com comida bastante boa e preços bem mais baixos, mas obviamente sem o conforto e o ambiente do Jun, do Aizomê ou do Kinoshita. Se quiser tentar, sugiro particularmente o Kidoairaku.
    Depois que vier, conte.
    Abraços!

    Fernanda,
    tudo bem?
    De fato, Murakami criou um personagem divertido.
    Gostei de sua expressão “serviço emergente”: acho que define bem o que acontece em vários restaurantes paulistanos.
    Abraços!


  8. dear garlic,

    fui ao kinoshita a 1 mes atras,

    tive um pessimo atendimento, o garcom que estava me atendendo deixou de me atender no meio do caminho, para atender outra mesa, o novo garcon nao se deu ao trabalho de perguntar ao que estava passando o posto o que tinhamos pedido, a comida veio atrasada e fora de sequencia, o murakami estava brincando com duas criancas enquanto meus pratos vinham todos atrasados, fora de ordem, pedi um lamem com frutos do mar, vieram 2 camaroes empanados e murchos dentro da sopa, o udon estava fora do ponto,
    o udon chegou antes de uma duplinha que eu tinha pedido junto com o udon, pra comer enquanto esperava o udon, pra vcs terem uma ideia da falta de sincronia, inclusive eu perguntei, pra sair uma duplinha é rapidinho ? e o garcom com esbonesa me disse, mas claro … ironia … nao chegou

    falando assim ninguem acredita, quando as pessoas entram
    no kinoshita elas ficam em transe ? pelo status relacionado ao local e as bonitas instalacoes ? eu nao pretendo voltar lá nunca mais … e nem me dar o direito da duvida, de sushiman superstar eu estou cheio

    servico péssimo, comida ruim, noite perdida …

    por essas e outras prefiro meu velho sushi lika na liberdade, ótimo e sem frescura

    curiosidade: nesse dia o mano menezes estava no kinoshita tb

  9. Ricardo Reno Says:

    Olá Comilão, tudo bem?

    Ando sumido dos comentários mas não da leitura de seu blog. Concordo com José Luiz de que o Kinoshita era melhor na Liberdade. Murakami não era tão performático quanto é no atual Kinoshita, e o serviço era bem simpático. Murakami estava sempre lá, agora precisa fazer workshops mundo afora para ficar conhecido e comentado para poder cobrar cada vez mais caro, seu e de seu sócio, por seus pratos apenas corretos.

    Abraços

  10. alhos Says:

    Raphael,
    tudo bem?
    Experiência terrível a sua.
    Já comi bem no Kinoshita, embora não o coloque entre os três ou quatro melhores japoneses da cidade. O preço, no entanto, tende a afastar o, digamos, cliente comum.
    Abraços!

    Ricardo,
    tudo bem?
    Bom tê-lo de volta aos comentários.
    Como respondi ao José Luiz, não tive o prazer de conhecê-lo na Liberdade.
    Tenho sensação ambígua frente à circulação internacionals dos chefs. Por um lado, acho importante que ocorra uma divulgação maior, no exterior, do trabalho que se faz em gastronomia por aqui. Por outro, não vejo sentido em que essa divulgação sacrifique a qualidade do que é servido no restaurante ou inflacione os preços. Temo, ainda, o reforço de um dos males dos nossos tempos: a glamourização do mundo das cozinhas e a celebrização dos chefs.
    Abraços!

  11. Marcelo Says:

    Há muito tempo gostaria de conhecer o trabalho do Murakami, mas fiquei feliz ao ler esse post que me fez economizar um bocado.
    Tratar com descaso um cliente que gasta 500 reais é uma ofensa pra mim. Na minha opinião, todos os clientes deveriam ser tratados da mesma forma, pois não se gasta pouco nesse restaurante.
    abraços

  12. alhos Says:

    Marcelo,
    tudo bem?
    Concordo que não pode haver diferenciação no serviço.
    Mas acho que, de qualquer forma, é importante conhecer o lugar.
    Abraços!


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