Cai o pano

16/06/2011

 

Almoço de domingo no Arábia. Quase uma da tarde, um terço do salão ocupado.

 

Chegamos e somos sumamente ignorados pela hostess, que sequer nos olha enquanto mexe na mesa da entrada. Minha mulher pede atenção e ouve um par de grosserias.

 

Obviamente recebemos a pior mesa, a mesma da entrada. Ao lado, funcionários da casa conversam alto e animadamente. Pedimos para trocar: nos colocam ao lado da saída da cozinha.

 

Respiramos fundo, tentando afastar o mau início e aproveitar o almoço.

 

Fazemos o pedido: duas entradas e dois principais. Chegam as entradas, expressamente. Compreensível: eram quibe cru e esfihas.

 

Me sirvo do quibe cru e começo a temperá-lo quando… chegam os principais: alcachofra recheada e ossobuco de cordeiro.

 

Olho surpreso para o garçom que tenta acomodar meu prato quente ao lado do frio, ainda intocado. Não resisto e lamento com ele que tudo esteja dando tão errado.

 

Vem o maître e, tenso, desfio o rosário, contando a história desde a triste recepção que tivemos até a simultaneidade na chegada das entradas e dos principais.

 

Ele lamenta e propõe devolver o prato à cozinha. Respondo que, sinceramente, não confiava que, após a demonstração de serviço que já tivéramos, meu prato voltasse são e salvo. Ele aquiesce.

 

Abandonamos as entradas e comemos os principais. Ossobuco razoável, alcachofra ruim. Porém, nessa altura, não era mais possível ter prazer na refeição. Tentamos descontrair, mas a relação já tinha se rompido.

 

Evitamos sobremesa, tomamos um rápido café, pagamos a conta (cobrada integralmente, claro) e ainda ouvimos a observação do gerente de salão de que fora informado de nossa reclamação e iria avaliá-la.

 

Cai o pano.

 

 

Arábia

Rua Haddock Lobo, 1397, Jardim Paulista, São Paulo

tel. 11 3061 2203

 

 

 

16 Respostas to “Cai o pano”

  1. Henrique Says:

    Oi Alhos,

    triste esse teu relato… Mais triste que ele veio seguido de um relato tão animador – La Brasserie.

    Mas, de novo, achava que essas infelicidades só aconteciam aqui no RJ.

    Um abs e boa sorte.
    ps. Tem alguma indicacão em Brasilia? Esterei esse fds por lá…

  2. paul Says:

    alhos – desisti do Arabia, so não entendo os premios recebidos…

  3. crisolda Says:

    Desculpe, Alhos, mas depois de tanto tempo sem comentar, como profissional ” do ramo” só me ocorre dizer ao gerente: vai avaliar o carvalho, meu filho!!! rs..
    Certamente muitas coisas podem dar errado durante uma refeição. Mas se é o cliente que arca com o isso, deixa de ser insatisfação para virar injustiça, oras. Não consigo entender quem prefere não perder dois salgados e um punhado de carne crua a arcar com esse custo e tentar se desculpar com a atenção perdida dos clientes. E isso só repararia uma das falhas relatadas..
    Um abraço.
    Crisolda


  4. um crime, e ja temos o local, obrigado poirot

  5. alhos Says:

    Henrique,
    tudo bem?
    Essas oscilações são, claro, ossos do ofício. Mas concordo plenamente com você: seria melhor se tivesse visitado os restaurantes na ordem inversa…
    Infelizmente não sei dizer nada sobre Brasília. Vou raramente lá e, quando vou, é quase sempre no estilo bate-e-volta. Quando for, e se descobrir algum lugar bacana, por favor, mande sinais.
    Abraços!

    Paul,
    tudo bem?
    Frequento, com alguma regularidade, o Café Arábia (na Vilaboim), que acho bastante simpático. Ando muito por aqueles lados e paro de vez em quando lá para um café. Talvez por isso tive vontade de voltar ao Arábia restaurante, da Haddock, aonde não ia há algum tempo. Pena que não deu certo.
    Abraços!

    Crisolda,
    tudo bem?
    Pois é, nunca entendo o motivo de reclamações não serem atendidas instantaneamente.
    É muito raro (muito mesmo) eu reclamar num restaurante. Até para, dentro do possível, manter o anonimato do blog. Só em casos extremos é que o faço.
    Mas já assisti a muitas cenas em que as casas não souberam lidar com reclamações de clientes que, na prática, eram simples.
    Abraços!

    Raphael,
    tudo bem?
    Puxa, não tinha me ocorrido que era o título da última aventura de Poirot. Usei a expressão como uma referência ao teatro, pois pretendia que o texto funcionasse como uma cena curta, bem delimitada. Mas é interessante a associação.
    Abraços!

  6. Ricardo Reno Says:

    Olá Comilão, tudo bem?

    Não sei como você não foi embora logo que sua esposa foi destratada. C

    Saiu um artigo ontem na Folha, não lembro do autor, falando sobre garçons. Vale a pena conferir.

    Abraços

  7. alhos Says:

    Ricardo,
    tudo bem?
    Pois é, talvez tivesse sido melhor.
    Sinceramente achamos que podia ser coisa do momento, algum desconforto ou coisa assim. Atitude inadequada, mas passível de ser desconsiderada. Melhor relevar e aproveitar o almoço. E provavelmente teríamos esquecido se o que veio depois não piorasse tudo.
    Abraços!

  8. Aristoteles Says:

    Em Brasília, recomendo o Aquavit com entusiasmo.

    É excelente!

  9. José Luiz Says:

    Nunca gostei do Arabia. Nas poucas vezes que estive, o serviço sempre me pareceu ruim. Mas acho que, após tamanha grosseria, vocês deviam ter caminhado um pouco mais e almoçado no Chef Rouge, que dá uma aula no serviço e elegância no salão. E não tem hostess….


  10. Alhos,

    Eu realmente não entendo o porquê do Arábia por tantos anos ter sido considerado o melhor Árabe de São Paulo. Para mim o SAJ e o Folha de Uva, este apesar da decadência pronunciada, ainda são muito melhores quando se trata de cozinha libanesa. Ficando ainda pelo oriente médio o Casa Garabed, de comida armênia, muito próxima da libanesa, é sem dúvida de longe o mais saboroso, apesar do ambiente tosco. Na minha opinião o Arábia é só um Almanara mais caro e fresco.

    Aproveito o post para perguntar se já esteve no La Casserole e se sim quanto teremos uma resenha?

    Abraços!

  11. alhos Says:

    Aristoteles,
    obrigado pela dica!
    Abraços!

    José Luiz,
    tudo bem?
    Tinha ido ao Chef Rouge na semana anterior. E a tarte tatin de lá continua a ser a melhor de São Paulo.
    Abraços!

    Guilherme,
    tudo bem?
    Acho que temos um problema em relação aos restaurantes árabes em São Paulo. De qualquer forma, os pontos altos estão, creio, na esfiha da Garabed e em alguns pratos da Tenda do Nilo.
    Frequentei muito o Casserole nos anos 80 e 90. Nos últimos tempos fui pouo. Creio que já faz quase um ano de minha última visita, de que saí meio insatisfeito. Quando voltar lá, prometo que escrevo sobre. No mínimo porque o Casserole é daqueles restaurantes fundamentais da cidade. Pode até errar vez ou outra, mas sempre merece atenção.
    Abraços!

  12. glauber salomão leite Says:

    Alhos:

    Já fui ao Arabia várias vezes. Mais por comodidade do que por gosto. Não que seja ruim. Acho apenas que, no fim das contas, é daqueles restaurantes que não entregam o que promete. Gosto das pastas, especialmente da coalhada seca, com acidez na medida certa. Não gosto tanto do quibe cru, que acho meio sem graça. Na minha última visita, há uns cinco meses, pedi um cordeiro por recomendação do garçon. Decepção. Vieram dois pedaços enormes de carne…mas sem maciez e frescor. E, pior, envolvidos em um caldo ralo e sem gosto. Porém, o que sempre me chamou a atenção na casa, e negativamente, foi o maitre. Nunca fui destratado por lá, veja bem. Mas sempre fui agraciado com um tratamento pautado numa superior indiferença. E o maitre, na minha opinião, meio que personificava isso. O senhor em questão estava sempre por lá. E era sempre afável com os clientes habituais. E gélido com os bissextos. Mas o que me incomodava mesmo era o jeitão espalhafatoso do homem, supostamente chique e refinado, apenas afetado além da medida. E, o pior, tal afetação em nada combinava com a proposta do restaurante, nem com a qualidade da comida servida. Em resumo, o Arabia sempre foi, para mim, um lugar um tanto pretensioso, que, na prática, não servia (e não serve) comida à altura de todo aquele nariz empinado.


  13. Alhos,

    Ouvi ontem um argumento do qual gostei muito: “No mundo da restauração uma boa assessoria hoje em dia faz milagre”.
    E eis que hoje vejo o exemplo perfeito:
    http://www1.folha.uol.com.br/saopaulo/930323-despretensioso-arabia-honra-a-comida-ancestral-arabe.shtml

  14. alhos Says:

    Glauber,
    tudo bem?
    Essa equação – do que é cobrado e do que é oferecido – tem sido cada vez mais complicada. Aos poucos, vamos aprendendo a solucioná-la, com muitos erros de cálculo.
    Abraços!

    Guilherme,
    tudo bem?
    Sim, assessorias de imprensa, hoje, são capazes de coisas incríveis.
    Mas não acho que esse seja um exemplo. Nina Horta é sempre confiável, sou fã dela.
    A diferença – e bato sempre nessa tecla aqui no blog – está no fato de alguns clientes serem conhecidos e outros, não. Falta um certo espírito republicano nos restaurantes brasileiros.
    Abraços!

  15. Semiramis Says:

    Se sou tratada desse jeito, eu saio do restaurante e não passo mais nem na porta! Absurdo!

  16. alhos Says:

    Semiramis,
    tudo bem?
    Chato, né?
    Tendo sempre a tentar de novo…
    Abraços!


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