Se fosse possível parar o tempo…

01/12/2012

 

… queria que fosse agora.

 

Garrafa da suculenta Bamberg Weihnachts, almofadinhas de tapioca recheadas de camarão, pastéis de carne seca, bolinhos de feijoada.

 

Sábado, pouco depois do meio-dia.

 

Minha filha e eu saímos de casa há pouco mais de uma hora. Passamos pela livraria, compramos livros e mangás, caminhamos até Aconchego Carioca de São Paulo, nos sentamos.

 

Os pedidos deslizaram para nossa frente —também veio chá gelado e, depois, um chopp pilsen.

 

Frente a frente, o agora parece imenso, infinito.

 

Nosso cardápio não é só de comidas e bebidas; na conversa, percorremos nove anos —todo o tempo que ela viveu na atual escola.

 

Ano que vem, a escola será outra. Agora, fazemos o balanço dessa quase década: amizades, professores, aprendizados. Tudo que ela era, tudo que se tornou, o que virá.

 

Hora, hora e meia de conversa, perdemos a noção do tempo.

 

O tempo deixa de ser a sucessão com que sonham os relógios e volta a ser o que sempre foi, o que é originalmente: poroso, permeável, simultâneo.

 

Vivemos um pouco em 2003, em 2011, 2008, 2012, 2006. Idas e vindas, carrossel.

 

Não costumo frequentar bar, boteco. Sua informalidade e seus rituais de sociabilidade me desconfortam.

 

E não é a primeira vez que nos sentamos aqui. O Aconchego é relativamente perto de casa, viemos meia dúzia de vezes desde que abriu. Carta de cervejas maravilhosa, petiscos sensacionais. Talvez o único lugar, em São Paulo, onde se bebe chopp de verdade por 5 reais.

 

Acontece que, dessa vez, compreendi o significado de um bar. Relativamente vazio, dado o horário, recheado de lembranças, dada a vida.

 

Compreendi melhor a facilidade com que um bom bar suspende o movimento dos ponteiros e nos deixa acreditar que o mundo inteiro e todos os tempos podem se concentrar no agora. E viver, embora prossiga denso e perigoso, ganha suavidade.

 

Agora.

 

 

Aconchego Carioca — São Paulo

Alameda Jaú, 1372, Jardim Paulista, SP

tel.  11  3062 8262

 

ps. prometo, leitor, que em breve publicarei uma resenha de verdade, mais objetiva e formal, do Aconchego Carioca — São Paulo. Ela estava quase pronta, inclusive, quando voltei lá hoje e resolvi escrever esse texto. Ficará guardada, hora dessas publico.

 

 

11 Respostas to “Se fosse possível parar o tempo…”

  1. Dalmo Says:

    Prezado Alhos,

    Incrível, mas sua descrição de bar esta perfeita, não faltou nada, sonho com um bar assim, completo com idas e vindas.

    Abraços, e boa sorte a sua Filha na nova fase.

    Dalmo


  2. bonito demais o post, nem me permite perguntar sobre a temperatura da cerveja, se o copo era o adequado, se os travesseiros de tapioca estavam com muita liga, ou se permaneciam crocantes, seriam questionamentos menores, parabéns e obrigado por nos permitir o contato ao post emocional antes da resenha objetiva.

  3. Luiz Henrique Garcia Says:

    Belo texto Alhos !
    Eu também adoro sair com minha filha e poder papear com ela indo em alguns lugares agradáveis.
    É um privilégio !

    Abraço.

  4. alhos Says:

    Dalmo,
    tudo bem?
    Obrigado.
    Torcemos muito para que a mudança seja feliz.
    Bar, para mim, é uma descoberta.
    Abraços!

    Raphael,
    tudo bem?
    Obrigado.
    Estava tudo certo, felizmente.
    Abraços!

    Luiz,
    tudo bem?
    Obrigado.
    Um privilégio, sempre.
    Abraços!

  5. Rodrigo Says:

    Ficarei com esta precisa descrição de bar. Já me convenceu que devo ir ao Aconchego Carioca. A minha pequena tem 10 meses, mas espero desfrutar de tardes de sábado parecidas. Com uma provável inversão de papéis: os mangás para mim e os livros para ela. Que sua filha adentre o ginasial (isso ainda existe?) cheia de vida e saúde. Lendo-o, sempre.

  6. Leticia Zero Says:

    As suas resenhas subjetivas me dizem tanto que eu nem sinto tanta falta dessa resenha objetiva que você prometeu aí no ‘ps’. Talvez o que o lugar foi capaz de te inspirar – levando em consideração as outras circunstâncias afetivas também, é claro – já seja um ótimo ‘atestado’ das boas possibilidades que teríamos por aí. Se a comida, se o atendimento, se a bebida estivessem ruins, ou boas porém com defeitos importantes, acho que o incômodo teria entrado no caminho dessa inspiração. Será?
    Texto lindamente poético, valeu esperar e esperar e esperar ao longo desses quase dois meses sem posts por aqui. Tempo quase sempre é relativo.

  7. alhos Says:

    Rodrigo,
    tudo bem?
    Obrigado.
    Essas tardes (e manhãs e noites) são maravilhosas.
    Sorte para vocês.
    Abraços!

    Leticia,
    tudo bem?
    Obrigado.
    Acho que sim. A ambientação, o contexto são essenciais.
    Abraços!

  8. Sergio S. Says:

    Alhos,
    parabéns pelo texto, sempre excelente. Também, só de ler fiquei com muita vontade de experimentar a casa. Espero que também tenha uma experiência tão boa quanto a sua!
    Aproveito também para parabenizá-lo pela filha e para desejar a ela muita luz na próxima etapa.
    Um abraço,
    Sérgio

  9. alhos Says:

    Sergio,
    muito obrigado.
    E tomara que as coisas corram bem por lá, como têm corrido para nós.
    Minha filha quis muito essa mudança, lutou por ela. Torçamos juntos.
    Abraços!

  10. Roberta Malta Says:

    chorei. ♥

  11. alhos Says:

    Beijos, Roberta.


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