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Uma figueira gigante, e sem decepção

17/07/2009

 

François Simon veio recentemente a São Paulo e, na volta, publicou em seu blog elogios a diversos restaurantes da cidade: Tordesilhas, Maní, Mocotó. Elegeu o jantar do Fasano como o melhor do ano e só espinafrou uma das casas que visitou, o Dalva & Dito.

A crítica ao restaurante de Atala, porém, veio sob um título estranho: “Un figuier géant et une déception” – uma figueira gigante e uma decepção. Nenhum problema para um leitor francês. Mas o leitor paulistano, se apressado, poderia concluir que uma coisa (a figueira gigante) tinha a ver com a outra (a decepção).

Não tinha. Simon seguiu a famosa lógica de que uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa. E apenas relatava que passara pela porta de A Figueira, se encantara com a árvore, e seguira até o Dalva & Dito, onde se desencantara com a comida. Certamente não foi o único a viver a dupla experiência.

Quando li a coluna, bateu a vontade de voltar à mais bonita das casas Rubaiyat. Fomos. O couvert continua agradável, embora não seja indispensável (mas que couvert, fora o do Picchi, é indispensável?).

Pedimos uma costelinha de tambaqui e uma merluza negra. O acompanhamento de ambos era bem cuidado. No da costelinha, se destacava a combinação de berinjela e abobrinha; no da merluza, a batatinha e o pinoli, muito bem integrados à cebola.

Mas bons, bons mesmo, estavam os peixes. No ponto exato, sem deixar de ter (e sem ter em excesso) o sabor da grelha. Macios, delicados, intensos, saborosíssimos.

Para a sobremesa, recorremos ao bufê de doces. Formigas assumidas, comemos de vários pelo justíssimo preço de 19 reais. O único ponto negativo foi a crema catalana, cuja cobertura queimada amolecera. O Nespresso curto fechou bem a refeição que ficou em honestos 250 reais (três pessoas, só água).

O lugar continua lindo e o serviço foi atencioso e gentil, bem melhor do que em nossas últimas visitas às casas da rede. Tomara estejam conseguindo reaprumá-lo. O único deslize foi por conta do serviço de pão que – parece pessoal – nunca vem à nossa mesa.

Impressionante é a quantidade de gente que freqüenta A Figueira. Lotada numa quinta à noite, com claro predomínio do público masculino e quantidades industriais de estrangeiros. Não importa. É bom para eles sem deixar de ser bom para nós.

Uma pena – como ele mesmo reconheceu – que Simon não tivesse parado para comer lá. Teria comido sob uma figueira gigante, e sem decepção.

A Figueira Rubaiyat

Rua Haddock Lobo, 1738, Jardim Paulista, SP

Tel.  11  3087 1399

Como chegar lá (Guia 4 Cantos): A Figueira