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Bacana

11/11/2011

 

É bacana falar de restaurantes bacanas, com comidas e propostas bacanas, mas obviamente não é a eles que vamos diariamente —minha conta bancária, pelo menos, não permite.

 

O dia-a-dia é da comida em casa e de almoços muitas vezes rápidos em restaurantes capazes de servir boa comida com preço acessível a mais bolsos.

 

Boa comida a preço acessível. Onde exatamente?

 

Curiosamente, São Paulo, que tem uns vinte restaurantes de excelente qualidade, não oferece tantas opções assim de almoço digno e feliz.

 

Há sempre os menus executivos —alguns deles já comentados por aqui—. E, no outro extremo, as redes de fast food. Que, ao contrário do que alguns leitores podem supor, eu não desprezo; acho que têm seu lugar na geografia (ou seria anatomia?) urbana e, desde que não se tornem hegemônicas no espaço e no paladar, cumprem seu papel.

 

Faz uns anos, porém, que a cidade foi tomada por algo que fica a meio caminho entre os menus executivos e os fast food: os restaurantes que cobram por quilo e os que funcionam no sistema de bufê.

 

Eles respondem, inicialmente, pela agilidade: quando o horário é apertado, pedir à la carte pode complicar bastante a vida.

 

Poucos, no entanto, merecem ser citados ou lembrados. Bem poucos. Fecho os olhos, calculo rapidamente e chego a um número inferior a cinco.

 

O problema dos “quilos” é mais ou menos óbvio: ou você prepara um estapafúrdio prato em que mistura tudo com tudo e tudo se perde, ou você enfrenta a desagradável fila da balança meia dúzia de vezes.

 

Prefiro, por isso, os bufês. Mesmo quando os garçons ficam exasperados diante da quantidade de pequenos pratos que faço. Porque simplesmente não consigo misturar coisas que não podem ser misturadas. Então, pego um pouco de salada (prato número 1), algum petisco (2), outro petisco (3), uma das opções quentes (4), outra das opções quentes (5), e assim por diante.

 

Veja, leitor, não sou glutão. São porções, repito, pequenas, mas quero comer de tudo —fora as massas, presenças inevitáveis, mas sacrificadas nos bufês—, e de tudo como um pouco.

 

A felicidade se instaura quando você se dá conta, lá pelo quarto ou quinto prato usado, que as coisas estão boas e que vale a pena seguir em frente. Ou seja: quanto melhor a comida, mais pratos…

 

Agora siga o que comi e faça as contas de quantos pratos usei no Amici:

 

— Legumes cozidos no ponto exato, com sabor bem definido;

— Caponata (um pouco mais ácida do que gosto, mas bem feita);

— Mandioca frita, sequinha e crocante;

— Calabresa frita, saborosa;

— Croquete de carne, bem gostoso;

— Parmigiana (obviamente estamos falando de berinjela);

— Sobrecoxa de frango desossada com sálvia (muito bom), acompanhado de purê de batata e cebola roxa, cuja textura estava um pouco irregular e a cebola predominava demais;

— Ragu de ossobuco: ótimo. Ótimo. Ótimo!

— Feijoada boa com farofa melhor ainda;

— Bisteca de porco com molho marcante e agradável de limão.

 

Dez? Dez.

 

Dez!

 

É, o pessoal da pia não deve ter gostado.

 

Mas saí com sorriso de orelha a orelha. Acentuado pelo bolo de banana de sobremesa, muito bem feito —um pouco mais doce do que gosto, mas isso é questão de gosto mesmo.

 

Porque é bom falar de restaurantes bacanas com comidas e propostas bacanas, mas é muito bom falar de restaurantes que garantem um almoço delicioso num dia comum.

 

Coisa que, por sinal, além de rara, é muito bacana.

 

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