Archive for the 'd.o.m.' Category

Representando

22/06/2013

 

Ontem fiz uma boa degustação.

 

Mas não se preocupe, leitor: não vou desfiar aqui a lista do que foi servido. Vou, na verdade, seguir o exato caminho oposto: falar do cansaço, algum cansaço, que cada vez mais sinto diante das degustações.

 

Impressão subjetiva, claro. Só que creio não ser o único a senti-la.

 

A verdade é que a maioria das degustações parece girar em torno de si mesma. Elas representam a técnica do chef e de sua equipe, o rigor na seleção dos ingredientes, a inventividade.

 

Representam.

 

E representação, sabemos, pode ser entendida de duas formas, que, no fundo, convergem para a mesma ideia.

 

Representação é encenação, como sabem todos aqueles que vão ao teatro.

 

Representação é tornar presente algo que está ausente. Uma pessoa, que não pôde ir a determinada cerimônia e mandou alguém no seu lugar. Um passado, que se tornou inacessível.

 

Ao representar nesses dois sentidos o mundo da gastronomia, as degustações expõem como ele foi se tornando cada vez mais autorreferente, como construiu seus rituais internos e hoje talvez tenha dificuldade de ultrapassá-los.

 

Em resumo: um mundo que principalmente se auto-representa; um mundo que, a cada prato, pretende falar de si.

 

É um problema? Talvez ainda não seja. Enquanto a gastronomia estiver na moda, tudo seguirá bem para restaurateurs, comensais, especialistas e para aquela grande nebulosa gastrogroupie que migra de degustação em degustação, que flana de evento em evento.

 

Uma hora, porém, acaba. Porque é muito bonito, mas limitado.

 

Essa, a impressão —repito, subjetiva— que as degustações têm me deixado.

 

Lógico que, quando uma degustação é sensacional, as incertezas se afastam. Mas quantas de fato o são?

 

Repasso os últimos dois ou três anos e me lembro de quatro: duas feitas no RS, de Roberta Sudbrack; uma no Clandestino, de Bel Coelho; outra na Brasserie, de Erick Jacquin, antes da mudança. É pouco.

 

A de ontem, no D.O.M., foi boa, repito. Um dos pratos —na verdade, um shot, como explicou o maître em bom português— foi extraordinário: ostra, cupuaçu, manga e um tiquinho de whisky. Os outros eram agradáveis, bem concebidos e executados, capazes de representar de forma sintética certos movimentos e esforços da gastronomia dos últimos tempos.

 

Gostei do que comi e acho que entendi tudo, ou quase tudo, que ali estava em cena.

 

Mesmo assim voltei para casa com a impressão de que as degustações estão chegando a seu limite.

 

Talvez já tenham cumprido a contento —e quiçá com certo glamour, como sonham alguns— seu papel.

 

 

ps. Meus dois blogs favoritos publicaram, recentemente, textos em que tratam mais ou menos do mesmo assunto. Deixo aqui os links: Um litro de letras e Pra quem quiser me visitar.

 

 

 

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Alho de Ouro 2012

18/12/2012

 

Todo prêmio, em toda área, tem lá suas idiossincrasias.

 

Certamente nenhum supera (ao menos nisso, ao menos nisso!) o Alho de Ouro.

 

Ele é oferecido de vez em quando e sempre com um critério diferente. Basta ver os resultados de suas edições anteriores (2009 e 2011).

 

Alho de Ouro evita as categorias fixas, mas jamais valoriza locais que não sejam de categoria.

 

Três endereços de primeira categoria, no entanto, ficam de fora da premiação: Roberta Sudbrack, D.O.M. e Fasano. São hors-concours.

 

 

Na edição 2012, optamos (‘alhos’, afinal, é plural) por distribuir os prêmios em três blocos:

 

 

Alho de Prata para os restaurantes que, sem ter atingido os píncaros da glória (sim, píncaros da glória; nenhuma premiação pode, evidentemente, prescindir de clichês e frases feitas) dos que receberam Alho de Ouro, foram fundamentais.

 

Meu Alho para aqueles lugares que são uma espécie de porto seguro, garantia total, prazer contínuo.

 

Alho de Ouro para os principais destaques do ano: restaurantes que empolgaram em pelo menos três visitas.

 

 

Cogitei seriamente eleger o Alho de Lata: casas em que fiz refeições trágicas ou que não valem o que custam. Desisti porque a lista certamente chamaria mais atenção do que a dos bons restaurantes e deixaria em segundo plano quem trabalha sério e bem. Lasciare perdere, em bom português.

 

 

Considerações gerais feitas, deixemos os prolegômenos e vamos ao que interessa (ao fundo, “Pompa e circunstância”, de Elgar).

 

 

O Alho de Prata vai para…

— Attimo

— Emiliano

— Mocotó

 

 

Meu Alho vai para

— Aconchego Carioca – SP

— AK Vila

— Marcel

— Tappo Trattoria

 

 

O Alho de Ouro vai para…

— Chou

— Clos de Tapas

— Tordesilhas

 

 

 

E acabou 2012, um ano terrível. Que dias melhores venham para todos nós.

 

 

 

D.O.M.

14/09/2012

 

Pouca gente sabe, mas a versão pré-histórica desse blog foi inaugurada, seis anos atrás, com uma resenha do D.O.M..

 

De lá para cá, muita coisa aconteceu. O restaurante ganhou cada vez mais fama internacional, Alex Atala se tornou uma espécie de divulgador informal da gastronomia brasileira no exterior e instigou, direta ou indiretamente, o surgimento de novos espaços de pesquisa sobre alimentos no país. Personagem irreversivelmente relevante, adquiriu afetos e desafetos dentro e fora do mundo das comidas.

 

De lá para cá, voltei uma dúzia de vezes ao D.O.M. —menos (por motivos óbvios) do que gostaria, mas o suficiente para acompanhar algumas metamorfoses da casa. Metamorfoses que incluíram a remodelação (para melhor) do salão, as variações no cardápio (menos constantes do que todos gostariam), a consolidação e o amadurecimento da proposta, o aumento significativo dos preços.

 

Sempre comi bem ou muito bem nessas visitas. Em duas delas, senti um certo tom mecânico, quase burocratizado, do serviço e a cozinha me pareceu cansada ou repetitiva, expedindo pratos corretos, mas sem brilho.

 

Recentemente voltei. Fazia quase um ano que não avançava além da última esquina da Barão de Capanema, mas decidi que comemoraria lá meu décimo-quarto aniversário de casamento. Queria também que minha filha —que quase sempre acompanha nossos jantares, mas, por coincidência, nunca estivera no D.O.M.— conhecesse o restaurante.

 

Dia especial, vinho especial. Tirei da adega uma das minhas melhores garrafas, assumi que pagaria os caros 100 reais de rolha (que viram 112, pois se cobra, erradamente, serviço sobre serviço) e tocamos o barco. Quase barco mesmo, pois não parava de chover.

 

E naquela noite fizemos um jantar sensacional.

 

Serviço muito atencioso, sommelière gentil e cuidadosa, comida excelente.

 

De entrada, minha filha pediu as ostras empanadas com ovas de salmão e sagu; minha mulher e eu dividimos uma excelente brandade de bacalhau com calda de tutano —tremenda calda de tutano, diga-se de passagem.

 

Os principais foram um bom e suculento filé com aligot (com o habitual ritual da casa no serviço do aligot, para o encanto da minha menina); arraia (extraordinária) com palitos de mandioca, brócolis e espuma de amendoim; filhote com sagu no (absurdamente bom) caldo tucupi —mulher e filha me impediram, quase à força, de pedir uma jarrinha de caldo para o café da manhã do dia seguinte.

 

As sobremesas (que já foram um ponto fraco da casa, mas há algum tempo melhoraram significativamente) estavam agradáveis: ravióli crocante de banana com calda de maracujá e sorbet de tangerina; pudim de leite com caramelo de priprioca, acompanhado de ravióli de limão e banana-ouro.

 

A conta, claro, ficou caríssima. Ela espelha, afinal, muitas coisas: o prestígio cada vez maior do chef e do restaurante, o custo certamente alto de produção, a fama e seu entorno, o estapafúrdio mercado de restaurantes brasileiro.

 

Mas a comida ultrapassou a provada nas visitas anteriores e mostrou a seriedade (e a serenidade) com que se conquista e se mantém uma posição de respeito. E é preciso que se diga: merecida.

 

D.O.M.

Rua Barão de Capanema, 549, Jardim Paulista, SP

tel. 11 3088 0761

 

 

Prática desagradável

11/08/2010

 

Respeito  o D.O.M. e quase sempre comi muito bem lá.

Mas fico indignado cada vez que vejo a prática de oferecer taça de champanhe aos comensais, logo que chegam.

Recuso, claro. Na mesa ao lado, um casal estrangeiro aceitou.

Eles deviam ter perguntado o preço? Deviam.

Mas todos sabemos que, por constrangimento ou distração, a maioria não pergunta.

E a surpresa chegou no final: 98 cada taça que, com o serviço, viram quase 110. Duas taças, alguma alegria e duzentos e poucos reais a mais na conta. Ficaram atordoados, claro, depois bravos.

O D.O.M. precisa mesmo disso? Faz sentido?


Alho de Ouro

22/12/2009

Fim de ano, balanços.

Não vou instituir nenhuma premiação por aqui, nem direi quais são os melhores restaurantes de São Paulo. Há listas e gentes que fazem isso com maior competência.

Mas não resisto a dizer quais foram os restaurante em que melhor comi neste 2009 (em território nacional).

Não necessariamente os melhores, embora eu os ache muitíssimo bons.

E sim aqueles a que tive mais vontade de ir e a que fui mais vezes.

De saída, declaro que dois restaurantes são hors-concours: Fasano e D.O.M.. Bons demais, gosto demais deles, poderia almoçar e jantar lá diariamente. Só que vou menos a eles do que gostaria — e é fácil imaginar o motivo. De qualquer forma, cada um no seu estilo (e tenho que confessar: entre eles, prefiro o Fasano), são fundamentais.

Sem mais delongas e em ordem alfabética, o Alho de Ouro deste ano (epa, não era uma premiação!) vai para…

AK

Ici

Marcel

Sal

Tappo

Além disso, vale lembrar que em 2009:

– meu melhor jantar aconteceu no dia 21 de julho no Parigi (a comida foi muito boa, mas “melhor jantar” implica várias outras coisas, inclusive o momento…)

– os melhores almoços da categoria bom, barato, bem bacana e nada banal foram os do Sinhá

– o melhor prato dentre as centenas que provei foi o raviolini de pato com perfume de laranja, do Fasano.

– por mais absurdo que soe, a revelação do ano, para mim, foi o Pomodori. Claro que não é novo, mas renasceu mais barato e muito melhor.


Antes que comecem os protestos e as reclamações, as discordâncias sustentadas e as idiossincrasias, repito: são os que me deixaram mais feliz (assim mesmo: subjetivamente) em 2009.

Agora, Alhos, Passas e Maçãs viaja um pouco: durante janeiro come e bebe em outras latitudes; volta em fevereiro.

Um 2010 suculento para todos nós!


Prêmio Paladar 2009

26/11/2009

Em setembro foram entregues os prêmios da Veja São Paulo — Comer & Beber. Ontem à noite foram distribuídos os do caderno Paladar.

Prêmios, em qualquer área, são referências. São sistematizações.

Por isso, exigem regras prévias que classificam e generalizam: tornam possível a comparação. Afinal, sob olhar rigoroso, tudo pode resultar, numa perspectiva ou noutra, incomparável. O mesmo vale para listas de “melhores livros”, “melhores discos” ou “melhores restaurantes”.

Daí precisarmos abstrair diferenças. Se não o fizermos, viveremos — tal qual Funes, famoso personagem de Borges — num mundo de individualidades absolutas e de pleno relativismo.

Prêmios também implicam inclusões e exclusões. E são sempre passíveis de críticas e rejeições.

Quando se limita tanto — caso do prêmio Paladar, que determina um conjunto fechado de 50 e poucos pratos, 30 e poucos restaurantes — é possível fazer uma longa lista do que não podia ter ficado de fora e perguntar o motivo de certas escolhas.

Quando se abrange tanto — caso do prêmio da Veja SP, que define um universo amplo de restaurantes: quase tudo que há na cidade — é possível questionar a diversidade de critérios em que os jurados se baseiam e duvidar se todos de fato conhecem todos os lugares.

A concepção dos dois prêmios é diversa. O da Veja supõe a presença constante e regular dos julgadores nos restaurantes: trabalha a longo prazo e fotografa com grande angular. O do Paladar valoriza o aqui e agora e fotografa com zoom.

Pessoalmente gosto de ambos. Porque ambos são o que prêmios são: referências.

Não à toa, a Veja SP Comer & Beber virou o verdadeiro guia gastronômico da cidade e o Paladar virou revista para ser melhor guardado. Não à toa, são respeitados dentro e fora da área.

Mas é óbvio: nem todos concordaremos com seus resultados. Sempre há o desconforto com uma ou outra escolha — ou com todas.

Na Veja, que elege “restaurantes”, suponho que o voto deva considerar tudo: da hora da reserva à saída do restaurante. A comida é fundamental, mas não é o único objeto de avaliação. E isso é bom. Porque comer fora envolve um conjunto grande de movimentos — além, claro, da mastigação. Um mau serviço ou um atendimento displicente pode jogar fora a boa qualidade da comida.

No Paladar, que elege “pratos”, creio que deva se restringir ao que foi comido. E, dadas as características do prêmio, naquele dia e naquele horário. O entorno continua importante e merece ser declarado, mas não pode determinar a escolha.

O primeiro “comentário blogueiro” aos resultados do Paladar 2009 destacou a diversidade da opinião dos eleitores. Acho que a variação de voto — e falo aqui especificamente como jurado dessa edição do prêmio, e não como teórico do assunto — resultou, em muitos casos, da irregularidade de nossos restaurantes. Pelo menos quatro pratos que receberam votos — um deles foi o vitorioso em sua categoria — estavam intragáveis em minhas visitas.

E se prêmios são referências, esta é uma questão séria que mereceria melhor discussão. Pagamos 60, 70 reais por um prato e ele pode chegar à mesa cheio de sabor ou totalmente sem gosto. Temperado na medida exata ou carregadíssimo de sal. Claro que todos podem errar e sempre é possível devolver. Mas onde está o controle de qualidade dessas casas? O próprio crítico do Estado, Luiz Américo, falou recentemente disso em seu blog.

Outra questão que o rali do prêmio Paladar levanta — ou, pelo menos para mim, levantou — vem da má qualidade de muitos dos pratos provados. Havia dias em que eu chegava em casa arrasado. Ok, o dinheiro desperdiçado não era meu. Mas quantas vezes já saí de restaurantes com a sensação de injustiça? E quantas pessoas não são lesadas dia-a-dia?

São Paulo tem restaurantes incríveis. Come-se muito bem por aqui, apesar das altas contas. Mas tem também muita coisa ruim, embalada em decorações modernas e bacaninhas.

Também por isso prêmios são referências. Para que as pessoas normais (ou seja, todas aquelas que não vão a 30 e poucos restaurantes diferentes no prazo de 17 dias) tenham alguma base na hora de escolher onde farão aquele jantar da sexta à noite ou onde comemorarão os dez anos de casamento.

Por isso, guardo a edição anual da Veja SP Comer & Beber. Por isso, guardarei a do Paladar.

No final das contas, entre abstrações, generalizações, inclusões e exclusões, calculo que todos ganhamos com a sistematização de avaliações e as comparações que os prêmios oferecem. Desde que, claro, não acreditemos que o gosto e a experiência alheia possam substituir a nossa.

Dois comentários para encerrar.

Primeiro. Um júri popular elegeu o melhor couvert. Claro que também entrei no site do Paladar e dei meu votinho eletrônico. Dividido entre meus dois couverts preferidos (Picchi e AK), acabei por votar no AK.

Segundo. Não vou reproduzir aqui os comentários sobre 50 e poucos pratos que provei. Todos os textos de todos os jurados estão (ou estarão) na página do Paladar — os elogiosos e os críticos, os que levaram o voto e os que não o levaram. Mas me dou o direito de deixar aqui quatro listas:

— a dos melhores pratos que provei durante a maratona;

— e, triste, a dos piores;

— a dos restaurantes que visitei nessas semanas e, hoje, tenho a impressão de que não consigo viver sem eles;

— a dos restaurantes a que não tenho, hoje, qualquer vontade de voltar.

Alguns discordarão. Claro. E ainda bem. Eu mesmo posso, amanhã, discordar. Ainda bem.

 

Os doze melhores pratos (e até arrisco dizer que estão em ordem de classificação — se é que isso é possível):

1. Raviolini de pato, do Fasano (o melhor de todos; de vez em quando ainda fecho os olhos para pescar, semanas depois, um pouco de seu gosto);

2. Paleta de cabrito, do Gero

3. Moules & frites, do Ici

4. Ravioli de quiabo e frango, do Pomodori

5. Pain perdu, do Ici

6. Porco à moda caipira, do Pomodori

7. Paleta de cordeiro, do Maní

8. Robalo com caruru, do Tordesilhas

9. Ovo mollet empanado com purê de pupunha e molho de cogumelo, do Così

10. Tutano, do Ici

11. Arroz Maria Isabel, do D.O.M.

12. Spaghetti ao vôngole, do Marina de Vietri

 

Os dez piores pratos (em ordem alfabética; em alguns deles, erros graves de execução):

— Barriga de porco, do Vito

— Cassoulet, do Freddy

— Costeleta de cordeiro com batata gratinada, do Due Cuochi

— Explosão de chocolate, do Carlota

— Feijoada com carpaccio de pé de porco, do Maní

— Filé au poivre, do La Casserole

— Lasagna alla bolognesa, do Aguzzo

— Moti recheado com chocolate, do Kinoshita

— Rosbife em crosta de lapsang souchong, do Maní

— Tartare de vieira com cítricos, do Eñe.

 

Os quatro restaurantes a que quero voltar logo — até porque o serviço está à altura da maravilhosa comida:

— Fasano

— Ici

— Gero

­— Pomodori

 

Os quatro restaurantes a que talvez demore a voltar — até porque, nos três primeiros casos, a comida, mesmo quando boa, foi azedada pelos erros graves de serviço:

— Due Cuochi

— Le Marais

— Emiliano

— Carlota

 

Comentários de outros blogueiros-eleitores:

Que bicho

Neide Rigo

 


Doces & peixes

21/10/2009

 

*

Nunca tinha comido o camarão glaceado com tagliatelle de pupunha e manteiga de coral do D.O.M.. Provei e, claro, adorei o camarão e a presença ativa da manteiga. Mas o sabor do pupunha fica bastante encoberto pelo molho e pelo camarão. Muito gostoso, mas com um sabor a menos.

Para compensar, o ravioli de banana com maracujá e sorbet de tangerina (outro prato que nunca provara) mostrou uma sobremesa bem dosada e saborosa numa casa que tradicionalmente não tem, nos doces, a força que tem nas entradas e nos pratos principais. Mas está chegando lá.

*

Nessa semana, voltei ao Tordesilhas. Sempre bom, claro. O filhote no molho de ervas e hortaliças com purê de banana da terra é um caso sério, seriíssimo. Dos melhores peixes de São Paulo.

E nenhuma novidade na sobremesa: pedi o habitual sorvete de cupuaçu com banana em calda, prato que me faz lembrar de meu pai e de muitas idas ao antigo endereço da rua Ouro Branco. Continua (é óbvio) delicioso.

*

Ainda no capítulo dos doces, boa surpresa foi a lichia com calda de laranja e sorvete de gengibre do Huto. Fresca, agradável, harmoniosa.

Superior às outras duas sobremesas provadas: o gostoso tempurá de pêssego com calda de vinho e sorvete de lichia e o bom sorvete de maçã verde com gelatina de vinho branco e calda de framboesa — esta seria melhor se eu conseguisse não a comparar com o quase idêntico sorvete servido com gelatina de saquê no Jun (que é melhor).

De qualquer forma, a elegante casa de Moema acerta a mão nas sobremesas.