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Sicília abrasileirada

22/03/2010

 

O Sr. Alhos precisa de uma folga. Anda trabalhando demais, coitado. Por isso hoje, em substituição, lhes fala a Sra. Passas. Muito prazer.

Talvez fuja um pouco ao estilo do blog, mais cuidadoso. Se for assim, por favor, me desculpem de antemão.

Digo isso porque não saí muito satisfeita de nossa última incursão gastronômica: o menu siciliano da chef Fabrizia Lanza para a Vinheria Percussi.

Fomos com grande expectativa, pensando rememorar momentos agradáveis de nossa recente estada na Sicília, já que o menu prometia clássicos como pasta alla Norma, cannoli, humm…

De entrada, uma salada (pequeniníssima!) de folhas verdes e gamberetti marinados. Boa. Sobretudo porque o camarão não tinha traço de cozimento no calor, mas apenas na acidez do limão. As folhas eram tenras, ainda brotos, bastante saborosas.

Em seguida, veio a pasta alla Norma e foi decepcionante. Não que estivesse ruim: o molho era agradável, com acidez na medida, mas com a berinjela cozida irregularmente, apresentando alguns pedaços quase crus, e pouquíssima ricota seca. Mas o que espantou mesmo foi o fato de servirem espaguete de grano duro! Realmente é estranho uma casa como a Vinheria Percussi, que possui no cardápio várias pastas artesanais, importar uma chef da Itália e servir massa seca!

O atum, no ponto ideal, tinha sabor muito bom, talvez com uso um pouco exagerado de menta e salsinha, mas a caponata dava um toque especial, com salsão e alcaparras que a faziam fugir do óbvio. As batatas eram dispensáveis e tinham sabor estranho, que lembrava cloro. Seria a água? Ou o cozimento muito adiantado? Do açafrão mencionado no cardápio não sentimos gosto algum.

O melhor de tudo foi a sobremesa: cannoli com gelatina de café. Massa crocante, creme leve, gostinho bom de café. E, de acompanhamento, o sempre maravilhoso Passito, vinho de sobremesa, capaz de deliciar: fechou muito bem a refeição e nos fez esquecer, por alguns instantes, do jantar muito abaixo das expectativas — altas inclusive pelo preço cobrado: R$ 240 reais, com harmonização (R$ 120 sem os vinhos).

Faltou generosidade ao serviço, que nenhuma vez sequer ofereceu mais do que um terço da taça única por prato, nem reposição. O ritmo acelerado dos pratos que chegavam à mesa também não ajudou a aproveitar o jantar.

Faltou originalidade à proposta da chef, presa demais ao básico e clássico da cozinha siciliana. Mas, se era para ser clássico, onde foram parar os arancini? Fizeram muita falta, esses também…

Que pena. É terrível ter expectativa.

Queríamos um jantar siciliano davvero.

Só nos serviram o jeitinho brasileiro.


ps—alhos:

Os vinhos Tasca d’Almerita cumpriram bem o papel. O Regaleali Bianco IGT 2007 se sobrepôs aos camarõezinhos, mas era fresco e agradável, com boa acidez.

O garçom insistiu que tomássemos o Cygnus IGT 2005 com a massa e ele de fato dialogou bem.

Para o segundo prato, a Sra. Passas pediu o Chardonnay 2003 e eu, o Rosso del Conte DOC 2002. Quando começamos a tomar, invertemos as taças e os gostos. Mas ambos funcionaram.

O que redimiu, por instantes, a noite foi o Diamante d’Almerito Passito IGT 2004.

A nota dissonante nos vinhos ficou por conta do serviço.

A forma de perguntar que vinho preferíamos a cada prato (havia duas opções para o primeiro e duas para o segundo) era vaga: “tinto ou branco?” — sem qualquer esclarecimento acerca de que tinto e de que branco se tratava. Inconcebível numa vinheria e ainda mais num jantar com harmonização.

Na única reposição que pedimos (do Passito, após algum tempo tentando atrair a atenção do garçom), recebemos o equivalente a mais um gole, e olhe lá.


Vinheria Percussi

Rua Cônego Eugênio Leite, 523, Jardim Paulista, SP

tel.  11  3088 4920

Como chegar lá (Guia 4 Cantos): Vinheria Percussi