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Escolha de pai

11/08/2009

 

Dia dos pais, aqui em casa, comemoramos na sexta.

No domingo, dia oficial, os restaurantes são cheios e chatos. Resumo: comemoramos na sexta.

Onde? Pensei e me dei conta de que nunca fui com minha filha a um de meus restaurantes favoritos. Meu francês favorito.

Vou lá desde que abriu, ainda em outro endereço. Tem a única sommelière que faço questão de consultar. Perdi a conta das visitas que já fiz. E por coincidência, e por incrível que pareça, nunca fui com minha filha. Estava decidido: Ici.

Casa cheia; serviço um pouco apressado, mas correto; couvert agradável. Os pasteizinhos faziam parecer até que a comemoração era para Lia. Não era, era para mim.

Pedimos clássicos: confit de pato e cassoulet.

Na sobremesa, outros clássicos: profiteroles, mil-folhas, tortinha de chocolate amargo.

A sommelière, uma pena, não estava; então, eu mesmo escolhi o borgonha Marsannay Les Vaudenelles, que tinha sobrepreço justo.

Tudo ótimo, claro. Tudo clássico.

Porque dia dos pais tem que ser assim, nada diferente dos outros. Uma comemoração que não o distinga do quotidiano regular e feliz que vivo com minha mulher e minha filha há – nossa! – dez anos.

Sei que é papo de pai. Mas voltei para casa certo de que tinha feito uma boa escolha. Também do restaurante.

Ici Bistrô

Rua Pará, 36

Tel.  11  3257 4064

Como chegar lá (Guia 4 Cantos): Ici Bistrô

Pato na Tappo

16/05/2009

 

A primeira vontade de voltar ao Tappo aconteceu quando o Júlio Bernardo recomendou, no Twitter, o pato de lá.

A segunda foi hoje cedo.

Fazia uma semana que só comia salada. Adoro salada, mas temi enlouquecer. Ou pior: virar vegetariano.

Acordei, tomei banho e fui à escola da minha filha. Ótimo sábado literário, com direito a um lindo sarau de lindos poemas. No meio da confusão de gentes e livros, vi de longe o Benny Novak, cujos filhos também estudam lá.

Troquei olhares cúmplices com minha mulher e decidimos silenciosamente onde iríamos almoçar.

A Tappo foi aberta há uns dois anos e, no início, oscilou um pouco. Depois se consolidou, com massas de primeira e um dos mais agradáveis ambientes de São Paulo: simples, aconchegante, charmoso.

Mais barata do que o Ici, outra casa de Novak, a Tappo não é uma trattoria lá muito ortodoxa. Começa com a mezuzá na porta e prossegue com os toques peculiares de alguns pratos.

O couvert, no entanto, é 100% italiano. Pão, azeite e sal. Não precisa mais se o trio for bom. E, no caso, é. Ainda mais para quem estava de regime…

Outra das coisas boas da Tappo é a lista de vinhos da casa, sempre bons e em doses variáveis. Ia tomar sozinho: fiquei com 250 ml do pinot noir da Viña Carmen.

Depois, uma boa massa com sardinha para minha filha e o magret de pato com risoto de feijão verde para minha mulher.

O molho de tomate estava mais picante do que o paladar da Lia suporta; então ela avançou no prato da mãe. Mãe – sabe-se disso – é mãe. Se considerarmos que também roubei umas fatiazinhas do magret, podemos dizer que esposa é esposa…

Risoto como poucos de São Paulo: granudo sem ser pesado. Arroz exato. E ótimo, o pato.

Quase pedi minha massa favorita: a pasta alla Norma – que, boa, é rara em São Paulo. Mas ando numa fase suína (exceto no que tange a assuntos futebolísticos, é óbvio); por isso, fui no carré de porco com repolho roxo e maçã. À parte, couve-flor gratinada com curry.

O molho do porco é ótimo e só perde para o próprio porco, fabuloso. Para meu gosto, um dos dois melhores de São Paulo. O repolho e a maçã, ótimos.

A couve-flor é boa e o curry é presente, mas não tão forte. Só que eu dispensaria. Acho que o prato já se completa sem o anexo.

De sobremesa, o óbvio: cannoli, para lembrar minha paixão siciliana. Massa fina, crocante, sequinha. Perfeito. Prefiro o recheio mais tradicional, sem o chocolate, mas não tenho como reclamar do que vem dentro dos três tubinhos por pessoa servidos na Tappo.

Para fechar, o Nespresso bem tirado curto e uma conta justa de 220.

São Paulo tem poucos restaurantes italianos bons e não caríssimos – já falei isso aqui no blog. Mas eles são bem bons.

Comer um pato na Tappo, além da sonoridade meio trocadilhesca, é uma boa pedida. Se vier com massa, porco e cannoli, nem se fala.

Amanhã ainda tenho um almoço decente. Depois, toca voltar para a salada…

Tappo Trattoria

Rua da Consolação, 2967, Cerqueira César, SP

tel. 11  3063 4864

Como chegar lá (Guia 4 Cantos): Tappo

Confiança

28/10/2008

Todo mundo tem seu restaurante de confiança. Aquele a que você vai quando não está com muita vontade de pensar e de escolher.

Lá – você sabe – vai encontrar boa comida e o que é menos comum do que se supõe: regularidade.

Tenho uns dois ou três nessa categoria.

Ontem à noite, saí da reunião de pais na escola de minha filha e fui a um deles: o Ici.

O atendimento é bom sem ser exagerado; a sommelière é atenciosa, honesta e, ocasionalmente, surpreende.

Sobretudo, a comida de Benny Novak é boa.

O ventinho noturno, após dias de calor horroroso, me fez esticar o olho para o cassoulet.

Minha mulher pediu o magret, acompanhado de figo e purê de batatas com azeite trufado.

Não havia nem cheiro (literalmente) do azeite, mas o magret veio com precisão: intenso e delicado. Aquele jeito ambíguo do peito do pato, que é macio, mas não se deixa dobrar.

Meu cassoulet, acompanhado de uma coxa de pato confit, era uma delícia. A coxa: assada e rapidamente passada na frigideira para a pele ficar crocante. O feijão: mordível – ou seja, sem amolecer demais e ficar pastoso. A línguiça, saborosa, mas não impositiva.

Na sobremesa, uma única tarte tatin, cuja massa poderia ser mais crocante.

Café correto, numa xícara transparente – acho ruim.

Um Bordeaux básico, a preço honesto, e uma conta correta.

Um restaurante, enfim, de confiança.

Ici Bistrô

Rua Pará, 36, Higienópolis, SP

tel. (11) 3257 4064

Como chegar lá (Guia 4 Cantos): Ici