No País Basco

28/02/2009

 

O País Basco é aqui pertinho de casa: a quatro quarteirões do meu prédio.

E se localiza num espaço que já abrigou outros restaurantes. O interessante, mas mal resolvido, Cadalunga, de comida lombarda, e o brevíssimo Rafaelle, que nem tive tempo de conhecer.

Os bascos (que não pertencem, ufa!, ao ETA) tomaram o lugar e lá abriram o Bilbao.

É uma casa gostosa num quarteirão tranqüilo da José Maria Lisboa, com uma área ao ar livre, coberta por uma parreira. Muito agradável. Só não precisavam deixar uma escada e uma vassoura por ali, quase do lado das mesas.

O menu valoriza bastante os peixes e oferece, também, algumas carnes vermelhas – por exemplo, um curioso coelho defumado. Traz, ainda, uma lista de pintxos, versão basca das célebres tapas.

Provamos dois pintxos: o de bacalhau e o de polvo, que vieram no couvert. Ambos bem preparados, com ingredientes frescos e de boa qualidade (os ingredientes, me disse o garçom, são daqui mesmo, e não do País Basco), embora o de polvo estivesse um pouco mais salgado do que deveria.

Nos pratos principais, optamos por peixes. Um bacalhau na brasa com molho de limão e um lombo de tamboril negro. Todos os peixes recebem acompanhamento de arroz puxado no azeite ou legumes cozidos com azeite. Os peixes são finalizados com alho e (adivinhe!) azeite.

O tamboril tinha textura agradável, mas sabor inexpressivo. O molho basco se impunha e o peixe (que devia ser mais forte) não se manifestava. Uma pena. Ainda mais porque tamboril é um dos meus peixes preferidos.

Estava melhor, porém, do que o bacalhau, claramente mal executado. O interior estava rijo e excessivamente fibroso. A brasa não chegou até o centro da posta e deixou seu cozimento irregular e a textura, desagradável.

Os legumes também careciam de gosto – confirmando que a falta de sabor é um problema geral da cozinha.

Pedimos uma “desgustação” (sic) de sobremesas: três, à escolha do cliente. Queríamos a torta de trufa e chocolate branco, mas ela “estava sendo preparada”; logo, ainda inacessível. Escolhemos, então, um canudo de queijo de ovelha, o “molho de chocolate com banana assada” e a torrija de laranja e queijo azul.

A torrija – um equivalente da rabanada – era interessante, embora a laranja (também ela) não se manifestasse. O canudo de queijo de ovelha tinha massa folhada muito boa, mas o queijo exalava sabor amanteigado forte e comprometia o conjunto. O molho de chocolate era agradável e a banana assada… Epa, cadê a banana? Não veio! Comentamos com o garçom, que se surpreendeu e pediu desculpas pelo erro.

Fazer o quê? O chef esqueceu, ora. Mas eu não podia me esquecer de pagar os 26 reais pelo prato incompleto.

Tomamos o café e pedimos a conta: 209, sem serviço. Incluindo um Rioja básico, Razón (56 reais; sobrepreço de aproximadamente 80%, padrão geral da carta). O garçom nos explicou que o serviço era “grátis”. Como achamos que serviço nunca deve ser grátis, pagamos 230.

Caro.

Caro porque os pratos giram entre 50, 60. O tamboril é pouco menos de 50; o bacalhau, pouco mais de 60. Por quê?

As sobremesas ultrapassam, na maioria, os 20 reais – o que é um absurdo para uma casa que, pelo visto, não tem chef pâtissier. Se tivesse, a torta de trufa teria sido preparada a tempo de servi-la no jantar e ele não teria esquecido da banana e servido apenas a calda.

Caro porque falta conceito e execução na cozinha do Bilbao. A repetição dos acompanhamentos revela a falta de conceito. O sabor inexpressivo dos pescados demonstra os problemas de execução.

Caro porque, pelo mesmo preço, é possível comer bem melhor em São Paulo.

Caro porque vivemos uma terrível padronização de preços dos restaurantes na faixa dos 150-250 por casal, que nem sempre se justificam na qualidade da comida servida.

Pode ser que o Bilbao melhore? Pode, mas os quase cinco meses de vida da casa já deveriam ter trazido alguma solidez para a cozinha.

Voltaremos lá? Dificilmente.

A única coisa que merece destaque é o serviço. O garçom soube explicar todos os pratos, foi atencioso sem ser pegajoso, abriu o vinho com correção e até perguntou quem o provaria – algo que o machismo predominante na maioria das casas nem lembra de fazer.

Faltou, porém, o essencial de um restaurante: comida memorável, prazerosa. Uma pena.

Bilbao

Rua José Maria Lisboa, 1065, Jardim Paulista, SP

tel. 11 2592 3480

Como chegar lá (Guia 4 Cantos): Bilbao

21 Respostas to “No País Basco”

  1. saleiro Says:

    ouvi dizer (fofoca de manobrista) que teve até briga de faca entre os cozinheiros, pois a dona teria contratado um espanhol e um catalão para a mesma cozinha…será que essa falta toda de conceito tb não tem a ver com pessoas que abrem restaurantes pretensiosos sem o mínimo conhecimeto de nada, nem de como funciona uma cozinha?
    bj

  2. alhos & passas Says:

    Estranho.
    Se for verdade é muito estranho: um espanhol e um catalão para uma cozinha basca?
    Não sei se é o caso do Bilbao, mas de fato há inúmeros restaurantes que abrem e fecham rapidamente em São Paulo, em geral bonitos e arrumadinhos, mas com dificuldades sérias de se manter – aparentemente pela ausência de uma proposta consistente ou pela falta de noção do custo (em todos os sentidos) para tocar a coisa.
    Uma pena.
    Beijos!

  3. Julinho Says:

    Ausência de proposta sempre acontece. É incrível! Gastam um dinheirão com arquiteto, mesas, cadeiras, cozinha cara sem saber o que vai servir, uma ostentação. O restaurante acaba parecendo uma boutique. Na última hora, pensam na comida, que geralmente é mais um italiano com as receitas mais conhecidas e um “toque contemporâneo”, e ainda colocam uma lounge music como trilha sonora. Triste de ver!
    Abraço!

  4. alhos & passas Says:

    Julinho,
    é uma pena. E sai caro para todo mundo: investidores, empregados e comensais.
    Abraços!

  5. Rose Says:

    Uma grande pena mesmo que tenham saído do Bilbao com esta má impressão!!!
    Estive lá por várias vezes e sempre tive o prazer de apreciar uma comida muito diferente e deliciosa.Sei que os donos são atenciosos ,o ambiente encantador.
    Mas gosto não se discute ,é de cada um.Seria muito interessante conhecerem a tipicidade e o País Basco , é um lugar lindo,e o restaurante em São Paulo é o mesmo de alguns restaurante de lá ,e a comida também, pra quem já esteve lá sabe do que estou falando.
    Acho que deveriam voltar e provar menos desarmados.
    Um abraço.

  6. alhos & passas Says:

    Rose,

    que bom que sua experiência lá foi boa. Invejo.

    E olhe: não fomos “armados”. Pelo contrário: fomos com muita vontade de gostar, até porque é muito perto de casa e é uma delícia ir a pé a um restaurante (entre outras coisas porque dá para beber vinho sem gastar dinheiro com táxi!).

    Além disso, tínhamos lido a resenha que o Luiz Américo escreveu logo que o restaurante abriu – e se ela não era elogiosa, pelo menos era simpática. Ou seja, tudo parecia favorável a uma refeição gostosa.

    Outra coisa: conheço, sim, a comida basca e talvez por isso esperasse mais.

    Não posso falar da atenção dos donos porque eles não estiveram no salão enquanto jantávamos – ou, se estiveram, não se apresentaram à mesa. E o visual do restaurante pode ser semelhante ao que se encontra no País Basco. Mas é, salvo alguns detalhes, o mesmo de quando lá havia um restaurante lombardo.

    O que não dá é para pagar mais de 200 reais para jantar ao lado de uma escada e de uma vassoura e enfrentar problemas sérios – alguns deles nem descrevi no comentário – de concepção e execução. Ou seja, não se trata de “gosto” (que até considero, sim, discutível).

    Torço para que os problemas tenham sido ocasionais e que, numa próxima visita, as coisas estejam melhores. No fim, sempre acabo voltando, mesmo quando juro que não vou fazer isso. Volto mesmo ao Pasquale e ao La Frontera, apesar de ter vivido, nessas casas, algumas das piores situações em restaurantes que se possa imaginar.

    Torço também para que o restaurante emplaque e aumente o número de comensais. Não sei se também foi coincidência, mas na noite em que jantamos lá não havia mais ninguém: chegamos por volta das 20, saímos perto das 22. Vazio. Quando pagávamos a conta, chegaram mais três pessoas.

    Torço na verdade para que todos possamos comer bem sempre. E pagar um preço justo pela comida que é servida – ingredientes de boa qualidade, proposta consistente, execução correta, apresentação bonita, sabor, sabor, sabor.

    Se der para que isso aconteça no Bilbao, vou ficar felicíssimo.

    E quando eu voltar lá e se gostar pode ter certeza: comentarei aqui no blog, com empolgação.

    Abraços!

  7. aboutbc Says:

    No voy a hablar de su critica gastronómica. Eso entra en el campo de las opiniones, todas respetables (menos las guiadas por la mala fe….aunque eso solo lo sabe el que la realiza) pero todas opiniones y por tanto lejanas a las conclusiones científicas.

    Sólo voy a hablar de su comentario sobre ETA. Eso demuestra una falta de criterio y conocimiento, que espero no sea el mismo que guía el resto de lo que aparece en el blog.

    Si los que han abierto el restaurante fueran de ETA, el índice de violencia incorporado por los mismos a la ciudad de Sao Paulo no variaría de forma ostensible. Pero,además, las posibilidades de que un vasco que fuera a Brasil fuese etarra, no alcanza el 0,000001% y aun en ese caso su presencia en Brasil no generaría ningún problema a los brasileños.

    La violencia de ETA es dirigida y tiene un sentido. Criminal, espantosa, reprobable, pero con una cierta lógica interna. La de unos locos que piensan que con el uso de la violencia pueden acabar con la opresión de su país. Una opresión que no tiene su origen, de forma alguna, en Brasil ni en los brasileños.

    Es el problema de hablar de forma preconceptuosa, sin conocimiento y sin criterio sobre los vascos y su problema de violencia. Algo que me irrita de forma notable en especial cuando se realiza como una brincadeira llena de mala intención. Si le sirve de consuelo, tengo la misma reacción cuando un europeo habla de los brasileños aplicando preconceptos que están tan lejanos de la realidad, como el de hablar de ETA cada vez que se habla del País Vasco.

    A modo de anécdota, lo de usar las faltas tipográficas para hacer chistes fáciles da un cierto criterio interno a las formas y modos del texto. Es muy esclarecedor.

  8. alhos & passas Says:

    Prezado Leitor

    Lamento muitíssimo se a brincadeira o ofendeu. E me desculpo.

    Não tive obviamente qualquer intenção de identificar o País Basco ao ETA – que sei bastante bem que não corresponde à totalidade dos bascos de um lado ou de outro da fronteira espanhola.

    Brinquei. Como brinco também com as caricaturas de brasileiros, italianos (já fiz brincadeira semelhante ao comentar um restaurante siciliano, nesse mesmo blog), argentinos, franceses, ingleses. Não menciono casualmente essas nacionalidades: sou brasileiro, minha mulher é italiana, tive experiências profissionais importantes e inesquecíveis na França, na Argentina e na Inglaterra.

    Eu poderia lembrar que o recurso ao riso é, historicamente, uma estratégia demolidora de mitos e preconceitos – muito mais do que a vindicação de identidades ou a conservação de princípios rígidos e estáticos. Poderia dizer que, pelo menos desde a Idade Média – foi Bakhtin em um livro clássico quem destacou isso -, os maiores preconceitos sucumbiram quando seus temas e devidos escopos teóricos e informativos foram submetidos a estratégias risíveis. Poderia dizer que autores como Freud ou Bergson defenderam o riso como estratégia libertadora frente aos mesmos preconceitos, e os chistes como maneira de destruir caricaturas. Poderia dizer que um livro decisivo sobre a história brasileira foi publicado uns três anos atrás – Raízes do Riso, de Elias Thomé Saliba – e ele insiste exatamente nesse ponto como marca da fundação de uma brasilidade – seja isso o que for. Poderia, ainda, lembrar que alguns dos maiores trabalhos sobre Cervantes ou Borges – para ficar em dois dos maiores escritores em língua espanhola de um lado ou outro do Atlântico – destacaram a repetida insistência de ambos na defesa do riso e do chiste. E como isso contribuiu para ampliar o reconhecimento da diferença e os limites da tolerância em seu tempo, e posteriormente.

    Mas prefiro evitar o desvio de função desse blog. Apenas reitero as desculpas por tê-lo feito sentir-se agredido pela brincadeira.

    Declaro, finalmente, que não tenho a menor idéia de quem sejam os proprietários do restaurante. Não sei sequer se são bascos ou brasileiros. Quando vou comer, quero saber da comida. Por isso não me apresento e espero ser tratado como um cliente comum. A comida é a prova dos nove. Se for boa, então, contribuirá também decisivamente para mudar a imagem – real, brincalhona ou preconceituosa – que se tenha de um povo, de uma nacionalidade ou de uma identidade de grupo. Essa, de resto, não é a função de um restaurante, mas ele pode até desempenhá-la se assim pretender. E sempre lembrando que identidades – e suas respectivas caricaturas – não são naturais. São construções históricas que podem (e devem) ser problematizadas. Pela teoria, pelo debate ou pelo riso. Até para evitarmos criar uma lista infinda de impossibilidades e de palavras ou brincadeiras proibidas, o que dificulta a reflexão ou o debate – e, inúmeras vezes, cristaliza preconceitos.

    Abraços!

  9. Rose Says:

    sim!!!
    realmente comer ao lado de uma vassoura e uma escada ,não é nada agradável!!!
    mas com certeza deve ter havido algum descuido de funcionérios ,mesmo porque sempre que estive lá tudo estava impecável,até mesmo a cozinha que visitei,sempre zelam por uma higiene que em poucos resturantes eu vi.porque sempre faço questão de visitar as cozinhas pra saber como preparam tudo.
    estive lá no final de semana passado e já não vi nada disso ,me sentei embaixo da parreira de uvas e tudo estava em perfeita ordem.
    acho que foi mesmo apenas um descuido ,mesmo porque se percebe que são principiantes na área ,isso é indiscutível.
    o pouco que sei da história do Bilbao ,posso afirmar que tem uma história de amor pelo Brasil (da parte do dono)que é basco,falei com ele em uma das vezes que tive a sorte de encontra-lo lá ,por sinal uma pessoa esclarecida com os fatos do Brasil e acontecimentos ,que quer fazer algo pra colaborar com nosso Brasil também ,falei com a esposa dele em uma outra ocasião que estive lá,também foi muito agradável,apesar de tímida (foi a primeira impressão).
    Sabemos que um negócio tem seus problemas de adaptações no primcípio e que estão procurando fazer o melhor ,mas com certeza muitos erros e acertos vão cometer.
    Acho que é algo que se pode relevar ,mesmo porque até mesmo restaurante com donos e chefes renomados tem críticas que não são muito expressivas,como a que saiu na vejinha do Alex Atala,um chefe renomado,e assim mesmo decepcionou.
    Acho que o Bilbao tem muito a melhorar sim,e que os erros só fazem crescer ,e isso acho que com o tempo vão aprender ,mas o que é certo é que São Paulo está acostumado ao mesmo de sempre ,e uma cozinha tão diferente sempre traz discussões construtivas que servem de base pra que os donos e o chefe se concentrem em melhorar.
    Um abraço

  10. alhos & passas Says:

    Rose,

    um dos maiores desafios de qualquer restaurante é se consolidar.

    As dificuldades, calculo (sem ser do ramo), são inúmeras.

    O exemplo do Dalva & Dito é incrível. Os problemas já vinham sendo comentados e a crítica do Arnaldo Lorençato é fortíssima e muito bem sustentada. Ainda mais se considerarmos o volume de dinheiro, a expectativa pela abertura e o prestígio envolvido na nova casa.

    Por isso mesmo acho que não devemos relevar os erros. O Brasil é um país em que as pessoas têm muita dificuldade de digerir críticas. Historicamente (de novo) é o país do clubismo, na política e na cultura. Na gastronomia não seria diferente. Isso não é preconceito; há inúmeros trabalhos que discutem o tema.

    A crítica tem que ser tomada pelo que é: uma perspectiva que avalia, baliza, compara e interpreta. Se considerarmos que ela procede; então precisamos rever nossos conceitos. Se julgarmos que é improcedente, pelo menos teremos parado para pensar e seguiremos em frente com mais segurança.

    É por isso que sempre acabo voltando aos lugares. Na outra resposta citei dois restaurantes a que fui várias vezes sem nunca (nunca!) ter tido uma boa experiência por lá. Há também uma deli, que já comentei no blog, aonde fui mais de uma centena de vezes (centena mesmo) antes de chegar à conclusão de que a qualidade do croissant (muito bom) não valia o dissabor de ser maltratado pelo horroroso serviço.

    Quando voltamos – ou quando voltamos os olhos para nós mesmos – ganhamos a chance de melhorar. E isso é experiência de vida, e não auto-ajuda baldia.

    Abraços!

  11. Luciana Says:

    Caro,

    é preciso ter tempo para degustar seu blog, aprofundar-se na leitura, refletir e tirar conclusões. Gosto muito da seriedade com que aborda os temas e li cada tópico dessa postagem. Quanto à crítica, lembro-me do procedimento da Ruth Reichl, quando no NYT, sobre ir várias vezes ao mesmo restaurante (entre três e cinco vezes, para precisar melhor). Sim, é o ideal. E, o que pude notar nesses dois anos, atuando como crítica, é que um chef sério – ou restaurateur, voilà – reconhece quando a crítica é feita com respeito e conhecimento do assunto. E sabe identificar algumas falhas a partir desse ponto de vista.
    Mas, enfim, estou em uma daquelas semanas de fechamento, uma correria de dar dó (aliás, “dó”, que palavra triste…). Mas quero, assim que sair do olho do furacão, apreciar com mais cuidado seus pensamentos. Aliás, muito obrigada por seus cumprimentos lá no meu blog. E vamos em frente!
    Abraço

  12. alhos Says:

    Luciana,
    tudo bem?

    Obrigado por seu comentário. Gostaria muito de cumprir esse ideal que os críticos profissionais certamente cumprem. Quem sabe um dia?

    A brevíssima experiência desse blog – que nasceu para ser uma conversa entre amigos e, sei lá como, acabou ganhando difusão maior e não necessariamente merecida – é exatamente essa. Já recebi, para minha surpresa, respostas e e-mails de restaurantes que comentei, tratando seriamente as críticas e se dispondo a pensar acerca delas.

    Um diálogo recente entre a Paola Carosella, do Arturito, e o pessoal do Bicho também ilustra bem essa atitude séria de ambas as partes.

    Você também provavelmente já viveu isso – até pela importância e a quantidade de leitores que têm no blog e nas publicações de que participa.

    Alhos & Passas é modesto e pretende continuar a ser. E de uma coisa peço que nunca desconfiem: da honestidade e da seriedade das críticas. Ninguém aqui é leviano ou exagerado. Reluto muitíssimo em escrever algo negativo e sempre meço as palavras porque considero as dificuldades que todos enfrentam.

    Mas sei também que há outros que ganham penosamente seu dinheirinho e optam por gastá-lo, num país tão cheio de problemas como o Brasil, em lugares que possam servir comida boa. E essas pessoas – com as quais me identifico e para quem escrevo – merecem saber das experiências bem ou mal sucedidas de outros comensais. Tenho que ser sério e conseqüente até porque o que escrevo aqui rouba tempo (prazerosamente, é claro) das minhas atividades profissionais que, bem distantes do mundo da gastronomia, garantem que possamos continuar freqüentando restaurantes bons, mais ou menos e – fazer o quê – até alguns que decepcionam.

    Epa… Mais uma resposta longa demais… Desculpe-me.

    E siga em frente com seu blog que, além de muito bom, é muito lindo.

    Beijos!

  13. Ricardo Oliveira Says:

    Qual é o seu blog Luciana?

  14. alhos Says:

    Ricardo,
    tudo bem?
    O blog da Luciana é o Bistrô Pimenta.
    É muito bacana.
    O link está aí ao lado.
    Abraços!

  15. Luciana Says:

    Olá, Comilão,

    obrigada por informar o meu blog ao Ricardo. E, Ricardo, espero que você curta. No BP, não tenho o compromisso de informar sobre restaurantes em primeira mão. Minha preocupação é trazer meu olhar sobre lugares e sabores. É um hobby, com leitura bem leve, algo para entreter e, espero, encantar.

    Mas, continuando, ainda sobre críticas, tem uma frase que costumo repetir sempre – embora seja exageradíssima – que é a seguinte: “serviço é tudo”.

    Nós sabemos que, na verdade, o serviço não é 100% do negócio, mas um bom serviço demonstra respeito pelo que o cliente gasta no restaurante. É um bom começo e um senhor arremate, quando a gastronomia tem qualidade. Respeito demais os estabelecimentos que têm essa preocupação com o cliente, uma vez que estamos em uma das metrópoles mais caras do mundo quando o assunto é gastronomia.

    Eu acompanhei o diálogo entre a Paola e o pessoal do Que Bicho me Mordeu, e também o posicionamento da Helena Rizzo em situação semelhante. É muito boa essa troca, saudável, bem-vinda. E chefs que adotam essa postura conquistam ainda mais respeito, tanto por parte da crítica como do público. Ponto para as duas.

    E, concordo com você: nosso compromisso é com o leitor. Há um ponto triste nessa história toda: infelizmente, há colegas que se preocupam em fazer oba-oba com chefes e restaurantes e esquecem o compromisso principal: quem lê quer saber a verdade sobre o lugar: se ele vale a visita, quais as qualidades e possíveis deslizes.
    Mas é preciso ter atenção: a meu ver, não é preciso detonar um estabelecimento quando ele não é legal. Tenho a sorte de contar com uma equipe espetacular no caderno de gastronomia da Playboy, que me apóia no seguinte: se o lugar não vale, não vamos perder tempo falando sobre ele. Ignoremos. Me parece justo.

    Bem, agora quem se estendeu fui eu… Volto, aqui, ao meu deadline maluco.

    Saudações e abraço!

    LL

  16. alhos Says:

    Luciana

    Concordo em número, gênero e grau.

    E também acho que as críticas têm que ser dosadas. Espero não pesar na mão.

    Se por acaso isso ocorrer (ou ocorreu), por favor me avisem – Luciana e demais leitores. Corrijo imediatamente ou suprimo.

    Beijos!

  17. Ricardo Oliveira Says:

    Luciana, acredito também,que grande parte do sucesso de uma casa está justamente no serviço, não diria 100% mas quase isso e quanto ao “bate boca” entre chef’s e blogueiros, entendo a “raiva” dos chef’s pois há muita crítica sem fundamento.Já li alguns se desculpando, mas isso não basta, antes de falarem tais absurdos, deveriam estudar e vivenciar a gastronomia com mais profundidade.Já passei pelo seu blog, parabens!!!

  18. Luciana Says:

    Olá, Ricardo,

    fico feliz que tenha gostado do meu blog – pedindo licença ao Comilão, já que estamos no blog dele.

    Não há dúvidas de que os blogs constituem uma das formas mais interessantes e eficazes de comunicação atualmente, já que não se gasta nada e nem se depende da autorização ou do ponto de vista de ninguém para se abrir um canal com o mundo, dizendo a ele tudo o que se pensa. É simples: quem identifica qualidade no conteúdo passa a frequentar o blog. Não há redação pra te boicotar. Não há chefes nem patrocinadores para dar palpites ou impedir que você expresse ao mundo o que pensa sobre o assunto que bem entender. A fórmula é boa, funciona.

    Mas, se por um lado, isso abre uma liberdade mais do que bem-vinda, por outro, abre espaço para que essa liberdade seja utilizada de formas, muitas vezes, inconsequentes.

    Também já vi muita gente despreparada espinafrar restaurantes sem a menor responsabilidade.

    Mas essa realidade é irreversível.

    Acredito, sim, que há gente séria fazendo blogs sobre o assunto. Acredito, também, que há blogs cujo conteúdo dá banho em muitos textos que lemos em jornais e revistas atualmente. Por isso mesmo incentivo essa forma de debate, de troca de idéias entre as duas partes, desde que civilizadamente.

    É preciso se adaptar a essa nova situação. Eu confesso que faço o possível, mas nem sempre dou conta de tanta modernidade…rs

    Grande abraço e gostei muito de participar dessa troca de idéias.

  19. alhos Says:

    Luciana & Ricardo

    Não só dou licença como gosto muito desse agito todo no meu blog.

    Abraços!

  20. Val Says:

    Senhores leitores!!

    Muito interessante os comentários referente a restaurantes.A discussão sobre o Bilbao ,acho que só vem a somar a nova casa ,pra que possam sanar os erros e se reavaliarem , fico feliz que façam críticas sérias e construtivas , só assim podemos melhorar a qualidade de nossos restaurantes.

    Um abraço

  21. alhos Says:

    Valéria

    Muito obrigado pelo comentário.

    É isso: pelos diálogos, pensamos e repensamos.

    Abraços!


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