Archive for the 'nonno ruggero' Category

Outra cantina

20/11/2008

Uma boa cantina é onde se come uma boa massa e, em segundo plano, uma boa carne.

Um lugar que serve corretamente e cobra preços razoáveis.

Um ambiente sem luxo, mas de bom gosto.

Se tudo isso for verdade, Nonno Ruggero é uma cantina.

A casa mais barata do grupo Fasano de fato se encaixa direitinho no modelo e é uma exceção no tenebroso panorama das cantinas paulistanas.

O couvert é simples: pão, manteiga e pasta de gorgonzola.

No almoço, há um bufê de antepastos, que pode ser acompanhado por uma massa – a maior parte das pessoas opta por ele.

Prefiro evitar o exagero e fico só com uma massa, diretamente do cardápio. E tenho uma preferida: a fresca com legumes assados.

É desnecessário dizer que a massa é muito saborosa e é servida no exato ponto. E que os legumes (cenoura, abobrinha, erva-doce) chegam à mesa na textura certa: crocantes.

Para a sobremesa, uma visita rápida ao bufê e a quase inevitável escolha da rosca recheada de gianduia. Um tantinho doce demais – como quase todo doce feito no Brasil – mas capaz de combinar a textura suave e untuosa (no limite) da gianduia com a rosca assada na medida.

Daí basta fechar com o café Illy – que finalmente está se disseminando em São Paulo – e pagar a conta honesta de 50 reais.

Fasano é sinônimo de lugar caro? Nem sempre.

Nonno Ruggero

Avenida Magalhães de Castro, 12000, Shopping Cidade Jardim, SP

Este é o segundo endereço; o primeiro fica no Hotel Fasano, no Jardim Paulista – Como chegar lá (Guia 4 Cantos): Nonno Ruggero

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Cantina? Não, obrigado

18/11/2008

Cantina, na Itália, é adega.

Cantina, em São Paulo, virou sinônimo de comida barata, farta e… ruim.

A decoração oscila entre o desleixo e o horror. Na primeira categoria, estão as que usam toalhas rasgadas, guardanapos de papel e copos de quinta categoria. Na segunda, as terríveis camisas de time de futebol penduradas no teto (adoro futebol, mas em campo, não no jantar) ou, pior, o kitsch alucinado dos metais e das cores retumbantes.

Outra marca caricatural das cantinas paulistanas é o serviço íntimo. Tapinhas nas costas, piscadelas e, às vezes, até um palavrãozinho – só para quebrar o gelo.

Na verdade, tudo isso tem uma intenção explícita: a de sugerir “autenticidade”. Não sei quem foi que concluiu que autenticidade implica grosseria e vulgaridade, mas a idéia pegou. Embora seja difícil descobrir o que, ali, é “autêntico”.

 

Afinal, as cantinas paulistanas teoricamente servem comida italiana. Mas nenhum italiano, em sã consciência, se julgaria representado por aqueles pratos.

Mas tudo isso seria (dificilmente) suportável se a comida fosse boa. Dificilmente é.

O couvert é exagerado, as entradas mal preparadas e as pastas chegam, em geral, muito (muito) além do ponto e regadas com um prolífico molho de tomate para lá de azedo ou com queijos que quase derrubam o prato, de tão pesados.

As carnes são um caso peculiar: vitela, cordeiro e cabrito têm o mesmo gosto. Os peixes vêm torrados ou, pelo menos, uns dez minutos além do ponto.

Para a sobremesa, algum doce terceirizado, mantido em geladeira há mais de uma semana. Café ralo, claro.

Ok, fiz uma caricatura, nem todas são assim. Há exceções.

E essas exceções devem ser celebradas. Porque nesses lugares você pode comer decentemente a um preço de… cantina.

A Divina Itália, em Pinheiros, é uma delas. O Nonno Ruggero é outra.

Sim: sei que você deve estar pensando que Nonno Ruggero não é cantina. Pois lhe digo que é, mesmo se parece tão diferente da imagem habitual que temos delas.

Em breve escreverei sobre ambos. São dois modelos diferentes entre si, mas lugares desejáveis, agradáveis, onde se come bem. Ponto.

Se queremos que nossas cantinas sejam restaurantes – e não adegas – que pelo menos as façamos direito.