Taninos & Caninos

14/12/2008

Não sou especialista em vinhos.

Nada verdade, nem sei se sou especialista em alguma coisa. E, se for, é algo tão distante de tudo isso aqui, que é melhor nem falar.

Mas em vinhos, não sou.

E tenho mais certeza disso quando ouço alguém falar, bebido e embevecido, do chileno Clos Apalta.

Nas bocas e nos textos, os elogios prodigam: “ícone da América do Sul”, “o melhor do Novo Mundo”, e por aí vai.

As notas, muito boas, sempre ultrapassam – às vezes, facilmente – os 90 pontos.

É caro: no catálogo da importadora, 169 (04) e 179 (05). O catálogo indica o 04 como um “achado” e uma “sugestão”.

Tomei poucas vezes o Clos Apalta, e sempre em degustações. Nunca comprei uma garrafa. Afinal, além de não ser especialista em vinhos, meu orçamento é restrito.

Em todas elas, ele foi definido como o melhor do painel.

Em todas elas, destacaram que ainda não estava no ponto, mas que daqui a uns anos ficaria excelente, incomparável, inigualável.

Eu, o não-especialista, fiquei quietinho. Até porque também não sou especialista em prever o futuro – nem o dos vinhos, nem o meu.

Recentemente isso aconteceu de novo, na casa de um amigo. Não resisti, disse que a carmenère predominava de um jeito ruim e lembrei que já ouvi uma definição do Clos Apalta como uma “sopa de taninos”.

Para escândalo geral, ainda completei, querendo brincar, que ele tinha caninos, não taninos. Ninguém achou graça no trocadilho.

Talvez um dia, eu mude de idéia.

Quem sabe quando tomar, lá por 2018, uma garrafa das primeiras safras. E não for mordido pelos taninos.

Até lá, prefiro gastar os 169 em outros rótulos. Mesmo que sejam chilenos e pouco típicos, mas menos – como dizer? – agressivos.

Ou, então, uma hora dessas, tento me tornar especialista em vinhos e consigo entender o “ícone”.

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2 Respostas to “Taninos & Caninos”

  1. Ricardo Reno Says:

    Fala-se tanto no vinho hoje em dia, que esquece-se que ele é só um complemento de algo maior, que é a reunião de pessoas para comer, conversar e alegrar-se.É Um tal de notas, narizes, parkers e outras bobagens que chega a ser chato, enochato. Uma boa companhia melhora um vinho ruim, mas um bom vinho não melhora uma má companhia.Esta onda de marketing que assolam os vinhos só se esquecem de uma coisa, por mais que invistam em tecnologia, vinícolas, e Michel Roland da vida, sempre vai ficar faltando tradição e alma. Como dizia Oscar Wild quem tem personalidade tem estilo, quem não tem estilo segue a moda. Excelente blog. Abraço.

  2. alhos & passas Says:

    Ricardo,
    obrigado por seu comentário.

    A prova dos nove, já disse Oswald, é a alegria. E acho que Dionisio, se consultado, diria algo semelhante quanto aos vinhos…

    No mundo dos vinhos (como em todos, diga-se de passagem), há inúmeros chatos. Mas respeito bastante os profissionais do vinho. Há quem conheça muito, muito mesmo. Impressionantemente.

    E acho importante – também para quem não toma vinho por profissão – treinar olfato, paladar, etc.: educar os sentidos. Até porque assim se aproveita muito mais o vinho – e o resto da vida também.

    Abraços!


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