Duas cenas

03/05/2009

A curiosa

No final de um jantar no Maní, peço a Nota Paulista.

A moça demora; noto que luta contra o computador.

Finalmente, chega à mesa e conta que houve um problema no sistema e não pôde emiti-la. Emitiu a normal, sem CPF.

Mas garante: a nota da próxima conta de mesmo valor que for paga na casa será emitida com meu CPF.

Sem saber o que dizer, agradeço e saio.

A exemplar

Chego para jantar no Picchi. Na porta da casa, duas vagas.

Nem cogito usá-las. Não quero estragar o jantar com um bate-boca prévio com o manobrista sobre o direito de parar na rua.

Apenas desço do carro, abro a porta para minha filha, enquanto o manobrista abre a de minha mulher.

Agradeço e entrego a chave.

Ele me sugere: O Senhor não quer estacionar aqui mesmo?

Surpreso, aceito e completo: Preciso, então, acertar o carro.

E o manobrista arremata: Se esperar um pouco, arrumo e o senhor já pode levar a chave.

Espero 30 segundos enquanto ele estaciona corretamente meu carro, me devolve a chave e deseja um bom jantar.

Não tenho coragem de falar que, com a atitude dele (que devia ser comum, mas é rara), o jantar já começou bem.

Sem saber o que dizer, agradeço e entro.

10 Respostas to “Duas cenas”


  1. Meu consultor chama isso de “a hora da verdade”. A prestação do serviço começa na porta e termina na porta.
    Também não brigo por causa de vagas. Prefiro, as vezes, pagar R$15 para o manobrista e não me irritar. Afinal, estou fora de casa para me divertir e relaxar.
    Nota fiscal Paulista….. aí a coisa pega. Não importa se você aprova ou não e também não importa o que o governo quer com isso. Lei é lei para qualquer um e deve ser cumprida.

  2. alhos Says:

    Flavio,
    não vale a pena desperdiçar um bom jantar por conta do estacionamento.
    Incrível que poucas casas percebam que um manobrista possa estragar todo o trabalho da cozinha e do salão.
    Agora, quando acontece algo como a atitude exemplar desse rapaz, o apetite aumenta.
    No caso da nota no Maní, não houve (como diria um advogado) dolo. Eles emitiram a nota fiscal. Apenas não conseguiram inserir o cpf. E assisti à briga da garçonete e de mais dois ou três funcionários, com o computador. Ou seja, houve algum problema técnico mesmo.
    Curiosa foi a saída encontrada para compensar.
    Abraços!

  3. fernanda Says:

    alhos, sabe que comigo aconteceu algumas vezes do cpf aparecer inválido. Não sei porque e ninguém conseguiu me explicar. Coloquei umas 20 vezes, pedi o número para o cliente (teve gente que deu a carteirinha e tudo), mas não rolava. Aí fiz a nota com cpf no bloquinho de notas manual , que tem que ter para essas situações. aí é só mandar pro contador que ele repassa o valor normalmente. Essas coisas acontecem mesmo, mas dá pra arrumar.
    bjs

  4. alhos Says:

    Fernanda,
    tudo bem?
    Já recebi muitas vezes a nota manual – sua, inclusive.
    Só achei gozada, nessa história, a história de usar outra conta.
    Mas, repito, não houve nenhuma atitude mal-intencionada. Pelo contrário.
    Beijos!

  5. Carola Says:

    Gostaria de saber como foi no Picchi!!
    Ja que começou bem…

  6. alhos Says:

    Carola,
    está no comentário anterior: “Na língua do P”.
    Beijos!


  7. Dia desses fui num restaurante, e o cardápio mencionava uma redução. Entendi que a redução era parte do prato. O prato veio decorado com alguns pinguinhos. Esteticamente lindo, mas mal dava para sentir o gosto. Ora bolas… nunca vi decoração ser mencionada no cardápio. Fiquei bravo.

  8. alhos Says:

    Sandro,
    a redução não deveria ser apenas decorativa.
    Ao contrário, algo reduzido ou concentrado tenderia a agregar sabor e intensidade.
    Minha sugestão é, na hora da dúvida, perguntar ao garçom. Há muitos termos utilizados em cardápio que podem não ser conhecidos pelo comensal. Uma boa brigada deve saber esclarecer.
    Abraços!

  9. Tony Says:

    Teve sorte, estes dados de gastos vão tb para o imposto de renda!!!

  10. alhos Says:

    Tony,
    tudo bem?
    Olha, sou fã da nota paulista. Recebi, em abril, quase mil reais de volta.
    E acho importante que as casas sejam forçadas a emitir nota.
    Meus gastos estão dentro do que recebo (que, por sua vez, já é tributado na fonte, pois sou assalariado).
    Ou seja, a receita sabe o que ganho, o que gasto, o que sobra (quando sobra). Se as informações sobre meus gastos em restaurantes forem parar lá, não há problema.
    O máximo que pode acontecer é me indicarem um regime ou um hospício…
    Abraços!


Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: